Como a cerveja ajudou a mudar a história da cirurgia moderna
Pode parecer exagero, mas não é. A cerveja teve papel decisivo no nascimento da cirurgia moderna. Não porque cure, nem porque alguém “enchesse a cara” em uma sala cirúrgica. Mas foi o primeiro produto em que a ciência se deteve a observar algo que até então era invisível. Esse algo, os micróbios, mudariam para sempre a forma como entendemos a fermentação, os alimentos… e também as infecções humanas.
Quando a cerveja “adoecia”.
Em meados do século XIX, a cerveja e o vinho estragavam com frequência. Mudavam de sabor, ficavam turvas e viravam vinagre. Para os cervejeiros era um problema prático importante, perdiam dinheiro. Para a ciência era um mistério. Por que uma cerveja estava boa, feita com os mesmos ingredientes e processos, a outra arruinava? Entra na história um francês chamado Louis Pasteur.
Observou cerveja e vinho ao microscópio.
Pasteur teve a ideia de observar ao microscópio uma cerveja e um vinho. Encontrou nas bebidas micro-organismos vivos. Eles nadavam nas bebidas. Foi assim que ele entendeu que a fermentação não era um fenômeno “espontâneo”, como usavam essa palavra para nada explicar. Disse Pasteur que era por causa desses “bichinhos” diminutos, só observados ao microscópio, que a cerveja e o vinho "adoeciam”.
Se adoecem a cerveja, infeccionam os humanos?
Pasteur nos legou uma pergunta que mudaria para sempre a cirurgia: se os micróbios podiam estragar a cerveja, podiam fazer o mesmo no corpo humano? A cerveja se converteu em um autêntico laboratório. E desse laboratório saiu a clareza de que existia uma correlação entre a presença de micro-organismos e a enfermidade da cerveja, e que essa relação poderia ser estendida a outros âmbitos. A ideia teve muita resistência, mas acabou vencendo bem mais tarde, com os trabalhos na Inglaterra de Joseph Lister que acabou com a contaminação das salas cirúrgicas. Se não fosse a cerveja continuaríamos morrendo por causa da sutura de um simples corte no dedo.
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