Inocência do MS, a única personagem brasileira de fama mundial
Escreveu Taunay sobre como criou os personagens de seu livro “Inocência”: “nesse sertão próximo já da Vila de Santana do Paranaiba [atual Paranaiba] colhi os tipos mais salientes daquele livro escrito uns bons cinco anos depois de lá ter transitado“. Em verdade, o “próximo” que Taunay escreve é bem distante para nós. Trata-se da região de Coxim, nas redondezas do Rio Taquari. Foi por lá que ele encontrou quase todos os personagens e o modelo de moradia que descreveria no romance.
Inocência existiu.
Inocência, a personagem principal era Jacinta, moça de extraordinária beleza. Apesar da estonteante formosura e das qualidades morais de Jacinta, ela era descendente de “leprosos” [palavra hoje abolida] e já apresentava, quando Taunay a conheceu, os sinais da doença.
Três filmes.
Há dois filmes, perdidos, antes de 1.900. O primeiro filme de ficção reconhecido é “ Os Estranguladores"”, datado de 1.908. Inocência tinha, nessa época, tanta fama que foi filmado em 1.910. Não se contentaram. Cinco anos depois, veio outra filmagem. Se não bastasse, foi filmado pela terceira vez em 1.945. Uma ópera, de autoria de Leo Kessler, também foi encenada.
Muitas edições e tumultos.
A famosa novela sertaneja teve uma vida longa e tumultuada. O livro adquiriu fama mundial. Era chamado de “Romeu e Julieta sertanejo”. Teve um sem número de edições. Não é possível catalogá-las pela quantidade de versões piratas. Uma das mais famosas edições tempestuosas foi a italiana. A edição era fraudulenta e deu tanta confusão que o ditador Benito Mussolini teve de intervir. O mundo leu “Inocência”.
Os artigos publicados com assinatura não traduzem necessariamente a opinião do portal. A publicação tem como propósito estimular o debate e provocar a reflexão sobre os problemas brasileiros.





