Morreu extraindo dente. Os primeiros dentistas de C.Grande
Quando Campo Grande era apenas um vilarejo, com meia dúzia de ruas situadas nas proximidades dos córregos Prosa e Segredo, algumas dezenas de pequenas casas espalhadas, tinha seis dentistas, provavelmente todos práticos, sem formação universitária. O ensino de odontologia começou em 1.884 no Rio de Janeiro e em Salvador, pouco tempo para termos um odontólogo na cidade. Circulava em 1.913, o primeiro jornal da cidade, “ O Estado de Mato Grosso”, de propriedade de Arlindo de Andrade, que se tornou prefeito e juíz da cidade.
Morreu ao extrair um dente.
Em setembro de 1.913, a cidade foi abalada pela morte de um trabalhador negro, provavelmente por hemorragia, ao extrair um dente. A morte acidental foi o assunto predileto dos moradores da cidade. Exploraram ao máximo o acidente. As fofocas deixaram os seis dentistas apavorados. Quatro deles publicaram anúncio no único jornal se eximindo de qualquer culpa.
O primeiro dentista da cidade.
Francisco Trindade Marques foi o primeiro dentista de C.Grande. Declarou no jornal: “F.T.Marques, para garantia de sua clientela, avisa ao público não ter sido em seu gabinete dentário praticado a dias passados uma extração de dente ou curativo em um trabalhador, cujas consequências foram desastrosas”.
Os carrascos de Manoel de Barros.
Durante muito tempo, ir ao dentista era sinônimo de entrar no inferno. Era aterrorizante. Quem não tinha boas recordações dessa época era Manoel de Barros. Contava o poeta fatos esquecidos - ou desconhecidos - de sua infância: “Lá, na minha infância, um lugar esquecido e primitivo, não havia pasta de dente nem Bombril. Limpavam-se os dentes e as panelas com areia do rio. Participei, vivi parte de minha infância na fazenda onde as mães gritavam para os filhos: passa logo, vai arear os dentes na beira do rio. A gente areava e ainda tomava banho. Ainda me lembro que na cozinha havia uma pequena lata com areia. Seria o Bombril dos nossos tempos. Não me lembro do nome da minha dentista. Ninguém ama recordar carrascos”.
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