Sul-mato-grossenses, os rebeldes heróicos
Esta é uma história estranha. Todos a conhecem, mas pouquíssimos sabem o que de fato ocorreu. É de ampla sapiência que Vespasiano Barbosa Martins comandou a rebelião dentro do governo instalado na loja maçônica da Avenida Calógeras. Também sabemos que perdemos a contenda, junto com os paulistas. E mais, os eflúvios dessa derrota militar nos legou uma gigantesca vitória política: a divisão do Estado. Mas o que de fato aconteceu?
Só restava o rio Paraguai.
O apoio do Mato Grosso do Sul seria fundamental para São Paulo. Com o bloqueio dos portos paulistas pela Marinha governista, restava à rebelião tentar exportar café e comprar material de guerra pelo rio Paraguai. Para isso, era vital manter em mãos rebeldes a ferrovia e o porto de Murtinho. Pessoas de todos os lados acorreram a Campo Grande e aos quartéis do interior para combater pelos rebeldes. Apenas a família Barbosa registrou 400 voluntários. Entre os combatentes estiveram brancos, índios, negros, japoneses, libaneses e paraguaios.
Os combates na fronteira.
Para Porto Murtinho dirigiu-se um grupo que recebeu o nome de “Coluna de Bronze”. A missão era combater as tropas que permaneceram fiéis ao governo em Bela Vista. A coluna contava com dois canhões e era comandada pelo major Silvestre e por Kiki Barbosa. Vitoriosos em Bela Vista, foram rechaçados em Porto Murtinho pelos pesados canhões do navio Monitor Pernambuco e os fuzis de 1.200 soldados.
Os sucessivos recuos em Três Lagoas.
O Batalhão Gato Preto foi comandado por Henrique Barbosa Martins. Essa tropa tinha a missão de impedir o acesso dos governistas vindos de Goiás e Minas Gerais ao entroncamento ferroviários de Três Lagoas. Após sucessivos recuos, estabeleceram uma boa posição defensiva às margens do rio Sucuriú, onde conseguiram cumprir a missão, repelindo diversos ataques e mantendo Três Lagoas sob controle dos rebeldes sul-mato-grossenses.
As tropas de Rochedo.
Garimpeiros de Rochedo foram mobilizados e compuseram o “Batalhão Antônio João”, sob o comando do capitão João Pessoa Cavalcanti. Em sangrentos combates, repeliram em Coxim as tropas cuiabanas que desistiram dos embates e voltaram para a cidade de onde tinham saído. Foi uma enorme comemoração dos sul-mato-grossenses.
O Batalhão Etalivio Pereira.
Etalivio Pereira comandou o Batalhão que denominou “Saravi”, junto com Antônio Alves Correa. A missão deles era assegurar a hoje cidade de Bataguassu, situada sob o rio Paraná, nas mãos rebeldes contra as tropas vindas de Minas Gerais.
As tropas de Campo Grande e P.Porã foram para São Paulo.
Em Campo Grande organizou-se o “Batalhão Taunay”. Junto com o Regimento de Cavalaria de Ponta Porã, deslocou-se para o distante município paulista de Capão Bonito, onde lutaram junto com as tropas por lá estabelecidas, impedindo a entrada de tropas saídas do sul do país.
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