A busca de respostas dos jovens na religião
Se debate ultimamente o giro religioso no Ocidente. Quem detecta essa mudança identifica uma similaridade que teve lugar nos anos oitenta do século passado. Mas também é possível que esses indícios obedeçam a uma mudança social e cultural mais profunda.
Economia magrela e dilemas éticos.
Frente a um sistema econômico esquálido, após o encerramento sofrido durante a pandemia e ante os dilemas éticos que nos trazem os avanços tecnológicos em âmbitos como a inteligência artificial, muito jovens passaram a buscar respostas que o secularismo, por sua própria natureza, não oferece.
O “religare”.
Convém prestar atenção a esse sentimento religioso. A Europa criou um novo termo que identifica essa mudança: “religare”. É uma tentativa de vincular-se a outras pessoas e de achar um propósito que vá mais além da realização material individual, um impulso transformador de caráter coletivo.
Sai capitalismo-comunismo, entra moral-religião.
A esquerda é tacanha no Brasil e no mundo, com raras exceções. Continuam acreditando na existência do embate entre capitalismo-comunismo. Foi substituído há um bom tempo por outro de caráter moral-religioso que contrapõe um Ocidente secular ao mundo muçulmano no contexto da chamada guerra contra o terror.
O sagrado se produz nas redes sociais.
Essa recuperação do sentimento espiritual e religioso não se traduz necessariamente em um aumento da assistência a espaços religiosos tradicionais. Na sociedade digital, o vinculo entre os seres humanos e o sagrado se produz nas redes sociais. Ali não só compartilham conteúdos, também praticam a fé. As rezas virtuais substituem os sinos e os grandes templos. Os fieis se reúnem virtualmente para orar.
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