Três Barras: o Coronel tentava cruzar urubu com galinha
Havia coronéis em todos os rincões do Mato Grosso do Sul, em meados do século passado. Nada tinha a ver com a patente militar, era um título usado pelos principais fazendeiros, via de regra, gente autoritária que dominava a economia e a política. Na Três Barra, região rural de Campo Grande, o chefão era o Pantaleão.
Homem esquisito.
O Coronel Pantaleão, também conhecido como “Panta”, tinha lá suas esquisitices. Muitos o julgavam um homem anormal, um autêntico paranoico. Amanhecia um dia e lá vinha ele com uma ideia de demônio. Certa feita, deu-lhe na telha cruzar urubu com galinha para obter uma raça de galo de rinha que seria invencível. Xingou todo mundo pelo fracasso.
Se não dá com urubu, será que funciona com corvo?
Pantaleão também manteve, durante um ano, galinhas e corvos fechados em um enorme galpão, observando-os, em uma expectativa mórbida, do amanhecer ao cair da noite. Cansado da vigília desesperante, certo dia, proferindo impropérios, blasfemando, meteu as aves em um tacho e transformou-as em sabão.
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