Florista é atingida por estilhaços de bomba da PM e pode perder a visão
Segundo a família, ela estava trabalhando no momento da ação no Jardim Leblon
Conhecida em Campo Grande por percorrer a cidade durante a madrugada vendendo rosas, a florista Neide Fátima de Oliveira, de 63 anos, corre o risco de perder a visão após ter o rosto ferido durante uma ação da Polícia Militar no Jardim Leblon. Segundo a família, ela estava trabalhando no momento em que foi atingida por estilhaços de uma bomba de efeito moral.
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Uma florista ambulante de 63 anos pode perder a visão após ser atingida por estilhaços de uma bomba de efeito moral durante ação da Polícia Militar em Campo Grande. Neide Fátima de Oliveira, conhecida por vender rosas durante a madrugada na região central da cidade, foi ferida enquanto trabalhava no Jardim Leblon. O incidente ocorreu na madrugada de sábado para domingo, quando Neide atendia clientes de uma tabacaria. Segundo familiares, ela foi socorrida pela própria PM e segue internada, aguardando avaliação cirúrgica. A família pretende registrar boletim de ocorrência para apuração do caso.
Neide é figura conhecida principalmente na região central da Capital, incluindo a Rua 14 de Julho, onde costuma circular durante a noite oferecendo flores. A rotina de trabalho é divulgada inclusive nas redes sociais,
De acordo com a filha, Poliana Roberta, o caso ocorreu na madrugada de sábado (17) para domingo (18), entre 1h10 e 1h15, enquanto a mãe oferecia rosas a clientes de uma tabacaria.
“Ela anda essa cidade inteira vendendo flores. Todo mundo em Campo Grande conhece minha mãe da madrugada. Naquele dia, por volta de 1h da manhã, ela não estava na rua fazendo festa, estava trabalhando”, afirmou.
Ainda conforme o relato da filha, a presença da polícia no local foi repentina. Poliana contou que a mãe havia atravessado a rua para buscar troco com o filho e, ao retornar, teria sido atingida.
“Ela virou e já jogaram o gás. Os estilhaços foram direto no rosto dela. Começou a sangrar muito, não parava. As pessoas que estavam ali correram para ajudar”, disse.
Segundo a família, Neide foi levada pela própria PM (Polícia Militar) para atendimento médico na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) da região e segue internada. Ela não consegue abrir o olho ferido, sente dores e aguarda avaliação cirúrgica, prevista apenas para quinta-feira. O receio é de perda definitiva da visão.
“Ela corre o risco de não enxergar mais. Desde aquele momento, não consegue abrir o olho. É uma espera muito angustiante,” relatou Poliana.
A filha também destacou o impacto emocional e financeiro causado pelo episódio. Desempregada, ela passou a trabalhar junto com a mãe e morava com a florista.
“Eu fiquei desempregada e fui morar com ela. Estávamos eu, minha mãe e o neto dela, meu filho, juntos na rua, trabalhando. Ver ela nessa situação agora é desesperador. A gente não sabe nem o que estava acontecendo, qual er a abordagem”, desabafou, bastante emocionada.
A família informou que pretende registrar boletim de ocorrência para que o caso seja apurado. A Polícia Militar informou que foi acionada para atender uma ocorrência de perturbação do sossego em um estabelecimento no Jardim Leblon, onde havia grande aglomeração de pessoas, som em volume elevado e motociclistas realizando manobras perigosas.
Segundo a corporação, com a chegada das equipes houve animosidade e arremesso de garrafas contra os policiais, o que motivou o uso de granadas de efeito moral para dispersão do público. Ainda conforme o registro, Neide procurou os policiais pedindo apoio e relatando que não conseguiu identificar o que havia ocorrido. De acordo com o relato de uma pessoa presente, identificada pela equipe, a lesão teria sido causada por uma garrafa de vidro arremessada durante a dispersão. A PM confirmou que uma viatura prestou apoio no deslocamento da florista até a UPA Leblon.
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