Com ar-condicionado quebrado, pacientes voltam a sofrer com calor no HR
Problema é relatado desde o ano passado; situação afeta principalmente as áreas de CTI

Pacientes, acompanhantes e profissionais de saúde continuam sofrendo com calor dentro do HRMS (Hospital Regional de Mato Grosso do Sul), em Campo Grande, por conta de problemas no sistema de ar-condicionado que, segundo denúncias, atingem diversos setores da unidade. O problema é denunciado desde o ano passado.
RESUMO
Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!
Pacientes, acompanhantes e profissionais de saúde enfrentam calor extremo no Hospital Regional de Mato Grosso do Sul, em Campo Grande, devido a falhas no sistema de ar-condicionado. O problema, recorrente, afeta principalmente as áreas de terapia intensiva, tanto adulta quanto pediátrica, e tem sido relatado à ouvidoria sem solução até o momento. Profissionais destacam que o calor prejudica a qualidade do atendimento e aumenta o risco de contaminação cruzada devido ao uso de ventiladores. A situação já foi registrada em outras ocasiões, inclusive em áreas sensíveis, como a unidade de recém-nascidos, onde mães e bebês sofrem com o calor abafado. A direção do hospital ainda não se manifestou sobre a previsão de reparos no sistema de climatização, deixando pacientes e funcionários em condições desafiadoras.
De acordo com o relato de uma parente de paciente internada, que preferiu não se identificar, a situação tem sido recorrente e afeta principalmente as áreas de CTI (terapia intensiva).
- Leia Também
- Hospital Regional de Dourados lança três linhas de pesquisa científica
- Pacientes esperam anos por cirurgias e enfrentam agravamento de doenças
“Novamente o problema com o ar-condicionado. Nunca arrumam e está muito quente lá dentro, por ser um setor fechado. Estamos tendo que levar ventiladores para amenizar o clima dos nossos filhos que estão internados,” afirmou.
Ela relata ainda que o problema não ocorre apenas na ala pediátrica. “Os funcionários trabalham pingando suor em cima das crianças. E não é só na ala intensiva pediátrica, no adulto também está a mesma coisa”, disse.
Segundo a acompanhante, a situação já foi registrada na ouvidoria do hospital, mas até o momento não houve solução. “Já registrei reclamação e nada resolveram. Isso está acontecendo dentro dos CTIs adultos e pediátricos do hospital regional”, acrescentou.

Uma profissional da área da saúde que trabalha na unidade e também pediu anonimato confirmou à reportagem que o problema atinge praticamente todo o hospital.
“Está tudo sem funcionar mesmo. Dizem que foi um cabo que quebrou durante algumas reformas. O único setor que tem ar-condicionado funcionando é o da nefrologia, que é da reforma nova. Os outros não”, relatou.
Segundo ela, o ambiente de trabalho se tornou extremamente difícil. “Está um caos mesmo, um caos administrativo. Todo mundo com as portas abertas, sem ar-condicionado, sem nenhuma qualidade de atendimento”, afirmou.
A profissional conta que o calor tem afetado até a rotina médica. “Os médicos vão fazer as visitas e voltam suados, pingando. A área vermelha do PAM (Pronto Atendimento Médico) está lotada e não tem o que fazer sem ar-condicionado”, disse.
Outro problema apontado é o risco sanitário causado pelo uso de ventiladores em ambientes hospitalares. “O maior problema é a contaminação cruzada. Qualquer vento pode proliferar doenças e contaminação. Em alguns casos até proíbem ligar ventilador por causa disso”, explicou.
Segundo a funcionária, a situação atual ocorre há três dias e os profissionais de saúde foram informados que não há previsão para o conserto do sistema de climatização.
Problema já foi registrado outras vezes - A falha no sistema de ar-condicionado do hospital não é nova. Reportagens publicadas pelo Campo Grande News desde o ano passado já apontavam problemas semelhantes na unidade.
Em dezembro, por exemplo, a unidade intermediária que atende recém-nascidos ficou sem climatização, obrigando pacientes e familiares a enfrentarem o calor intenso.
Na época, o pai de um bebê internado relatou que os equipamentos estavam quebrados justamente em áreas sensíveis da unidade, que abrigam recém-nascidos em leitos abertos e incubadoras.
“A situação é desumana na ala das crianças recém-nascidas. As mães que precisam permanecer no local para acompanhar os filhos estão reféns da situação e não podem sequer ventilar as crianças”, afirmou.
Segundo ele, no segundo andar do hospital funcionam setores como pediatria, recuperação infantil e a ala que cuida de prematuros. “Conforme vou andando pelo setor, vejo gente se abanando. Não é um ambiente climatizado, está quente, parece o calor abafado do lado de fora”, relatou.
A reportagem procurou a direção do Hospital Regional para comentar os relatos e informar sobre a previsão de reparo no sistema de climatização.
Em retorno o HR relatou que "O sistema de ar-condicionado central apresentou falha. O hospital, com o apoio da Agesul, já adotou todas as providências necessárias para a solução do problema, e tem atuado para minimizar impactos à assistência aos pacientes", disse em nota.
Esse caso foi sugerido por leitor que enviou mensagem pelo canal Direto das Ruas.

