Como planejar a liberdade financeira e transformar a aposentadoria
Especialista explica por que começar cedo, mesmo com pouco, muda a relação com trabalho e renda
A aposentadoria deixou de ser associada exclusivamente à inatividade. O envelhecimento da população ocorre em um contexto de maior longevidade e melhor qualidade de vida, no qual homens e mulheres chegam aos 60, 70, 80 anos ou mais de forma ativa, produtiva e socialmente inserida. Esse novo cenário exige uma mudança na forma de compreender a previdência e o planejamento financeiro ao longo da vida.
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O planejamento financeiro para a aposentadoria requer uma nova abordagem, considerando o aumento da longevidade e a qualidade de vida da população idosa. Segundo Marcelo Sampaio, da Delfos Investimentos, o conceito atual vai além de parar de trabalhar, focando na construção de um patrimônio que garanta liberdade de escolhas futuras. O processo deve começar cedo, com o controle das finanças pessoais e a criação de uma reserva de emergência. Para iniciantes, recomenda-se investimentos seguros, como títulos do Tesouro Direto, além da contribuição ao INSS. A construção do patrimônio deve ser gradual, com metas intermediárias, priorizando estabilidade e autonomia no longo prazo.
Segundo Marcelo Sampaio, especialista da Delfos Investimentos, o conceito tradicional de previdência, baseado apenas na ideia de parar de trabalhar, já não atende à realidade atual. A abordagem contemporânea está ligada à construção de patrimônio financeiro capaz de garantir liberdade de escolha no futuro, permitindo reduzir o ritmo de trabalho e decidir como e onde continuar atuando, sem que a renda seja um fator de pressão.
Dez reais por dia - A chave, conforme Sampaio, é a mudança de comportamento. Ao poupar R$ 300 por mês, no Tesouro Direto, ou seja, R$ 10 por dia, uma pessoa investe R$ 36 mil em dez anos. Com uma taxa de juros de 15% ao ano, patamar próximo à Selic (Sistema Especial de Liquidação e Custódia) atual, o saldo acumulado pode chegar a R$ 79,2 mil, mais que o dobro do valor aplicado.
Mantendo o mesmo esforço por 20 anos, o total efetivamente investido soma R$ 72,3 mil, enquanto o patrimônio final alcança R$ 398,4 mil. Isso demonstra que, a maior parte do resultado não vem do quanto se coloca mensalmente, mas do tempo e da capitalização dos juros.
Começar cedo - O tempo é um dos principais aliados do planejamento financeiro. Quanto mais cedo o hábito de poupar e investir é incorporado à rotina, menor tende a ser o esforço necessário ao longo da vida. Essa lógica se aplica inclusive a pessoas com renda baixa. Pequenos valores poupados diariamente, de forma consistente, podem gerar resultados relevantes no longo prazo.
Antes de investir, é fundamental organizar as finanças pessoais. O ponto de partida é registrar ganhos e gastos para entender o fluxo financeiro. Sem controle, não há poupança; sem poupança, não há investimento. Quando não sobra dinheiro ao fim do mês, a orientação é atuar em duas frentes: reduzir despesas e criar alternativas para aumentar a renda, ainda que de maneira modesta.
Reserva de emergência - A construção de uma reserva de emergência é considerada indispensável. Marcelo Sampaio explica que esse recurso funciona como um colchão de liquidez para sustentar o orçamento em situações imprevistas, como desemprego ou queda de renda. A ausência dessa reserva costuma levar ao uso recorrente de empréstimos com juros elevados, comprometendo o equilíbrio financeiro e podendo resultar em endividamento prolongado e perda de patrimônio.
Iniciantes - Para quem está começando, a recomendação é priorizar aplicações simples e seguras, como os títulos públicos adquiridos por meio do Tesouro Direto. A plataforma do governo federal permite investir com risco semelhante ao da poupança, mas com rendimento superior. Aplicações mais complexas, como ações ou criptoativos, não são indicadas nessa fase inicial.
Estipular metas - Definir objetivos intermediários é uma estratégia para evitar frustrações e manter a motivação. Em vez de mirar valores elevados desde o início, a construção do patrimônio deve ser dividida em etapas. Cada meta alcançada reforça a disciplina e a percepção de progresso, elementos fundamentais para a continuidade do planejamento.
Sampaio afirma que um bom ponto de partida são os primeiros R$ 20 mil. Não porque esse seja o limite final, mas porque ninguém chega aos R$ 100 mil ou R$ 1 milhão sem antes passar por esse marco . O princípio é fazer com que o dinheiro trabalhe a favor do investidor, reduzindo a dependência exclusiva da renda do trabalho.
Previdência pública - No caso de trabalhadores informais, autônomos ou microempreendedores, Marcelo Sampaio recomenda a contribuição mínima ao INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), como forma de garantir proteção básica. Embora o benefício seja limitado, ele oferece respaldo em situações de acidente ou incapacidade, o que não ocorre sem contribuição. Ainda assim, a previdência pública não deve ser o único pilar de sustentação no futuro.
A orientação é combinar essa proteção com a formação de patrimônio próprio, construído gradualmente por meio da poupança e de investimentos compatíveis com a realidade de cada pessoa.
Liberdade financeira - Para Sampaio, a construção de patrimônio deve estar associada à liberdade de escolha, e não à ostentação. O acúmulo de bens ou a aparência de riqueza não refletem necessariamente segurança financeira. Muitas pessoas com patrimônio sólido mantêm um padrão de vida discreto, priorizando estabilidade e autonomia no longo prazo.
A construção dessa segurança depende menos de grandes decisões e mais de comportamentos simples, adotados de forma consistente ao longo do tempo. Planejar a aposentadoria significa preparar-se para uma fase da vida em que trabalhar será uma opção, e não uma obrigação.
Passo a passo para quem quer começar:
- Organize as finanças pessoais: Registre todos os ganhos e gastos para entender o fluxo do dinheiro.
- Pague a si mesmo primeiro: Separe o valor destinado à poupança antes de quitar outras despesas. Um bom ponto de partida são os primeiros R$ 20 mil.
- Busque fazer o dinheiro sobrar: Reduza despesas sempre que possível e, se necessário, procure formas de gerar renda extra.
- Construa uma reserva de emergência: Priorize a formação de recursos para cobrir imprevistos, como desemprego ou queda de renda.
- Comece por investimentos simples e seguros: Invista em títulos públicos por meio do Tesouro Direto, antes de considerar aplicações mais complexas.
- Defina metas intermediárias: Estabeleça objetivos menores e alcançáveis, como os primeiros valores acumulados, para manter a motivação e a disciplina ao longo do processo.
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