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Falta de vereador escancara crise no PT da Capital

Por Mylena Fraiha, Fernanda Palheta e Jhefferson Gamarra | 20/02/2026 06:00
Falta de vereador escancara crise no PT da Capital
Vereador Landmark conversa com a vereadora Luisa Ribeiro durante a sessão desta quinta-feira (Foto: CMCG/Divulgação)

Voto que faltou – A votação sobre a taxa de lixo, que incide no IPTU, continua repercutindo na Câmara Municipal. O vereador Landmark Rios (PT) esteve ausente nas duas sessões que analisaram o projeto e agora é alvo de investigação interna no partido. A participação dele na sessão de 10 de fevereiro poderia ter sido decisiva: faltou um voto para derrubar o veto da prefeita Adriane Lopes (PP) ao projeto que barrava o reajuste da taxa.

Briga interna – O pedido de apuração por suposta “infidelidade partidária” foi apresentado por Ido Michels, chefe de gabinete do deputado federal Vander Loubet. O documento escancarou uma crise no PT, especialmente porque Vander foi padrinho político e apoiou a eleição de Landmark, o que deu ainda mais peso ao movimento dentro da legenda.

Justificativa – Landmark afirmou que estava em Brasília cumprindo agendas institucionais e que não conseguiu participar da votação online devido à alteração na rota do voo de retorno. “Estava buscando recursos não só para habitação, mas também para a saúde pública aqui de Campo Grande”, declarou. Segundo ele, o voo foi redirecionado por Guarulhos, o que impediu o acesso remoto ao sistema. “Eu tinha convicção de que nós íamos ganhar, mas, enfim, perdeu. Perdemos”.

Solidariedade ou provocação? – O episódio foi citado por outros vereadores durante a sessão. Frequentemente crítico da bancada petista, o vereador Wilson Lands (Avante) afirmou querer se “solidarizar” com Landmark Rios diante dos “ataques cruéis” que, segundo ele, partem do próprio partido. “São ataques do seu próprio partido, que chegou à Casa com seus 4 mil e poucos votos”, declarou. Já o líder do PSDB na Câmara, Victor Rocha, aproveitou para alfinetar o PT e “convidou” Landmark a ingressar no ninho tucano. “Vou deixar as portas abertas, caso ele tenha a intenção de vir, mas claro, respeitando a janela partidária”, afirmou.

Consciência tranquila – Na sessão, Landmark disse estar com a “consciência tranquila” e afirmou que sempre seguiu a orientação do partido. Garantiu que irá responder ao processo interno e recusou os convites feitos por colegas. “Respeito a trajetória do PSDB, mas eu tenho um lado, e é o Partido dos Trabalhadores e das Trabalhadoras”, declarou. Ele ainda devolveu o convite a Victor Rocha, chamando o tucano a integrar “as trincheiras” do PT e apoiar a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Divergência natural – Os outros integrantes da bancada do PT na Câmara, vereadores Luiza Ribeiro e Jean Ferreira, defenderam a trajetória do Landmark, mas classificaram como “natural” o processo interno aberto no partido. Luiza afirmou que o colega tem apoio da bancada e que o PT trata divergências com transparência. “Ele já apresentou suas razões. Internamente, o partido vai discutir. Mas o mais importante é que a sociedade veja que se trata de um partido que não coloca as coisas debaixo do tapete, que discute com transparência e permite que qualquer filiado se manifeste formalmente sobre a posição de suas lideranças”, disse a vereadora.

Mandato é do partido - Jean também elogiou a trajetória do colega, mas reforçou que parlamentares não são donos do mandato e devem satisfação à legenda que os elegeu. “querendo ou não, as escolhas e movimentações que a gente faz também dizem respeito ao nome que a gente leva do partido. Eu acho que ele tem os seus motivos e foi referendado pela população. Cabe ao partido discutir essa decisão e fazer o debate interno. É algo democrático”, disse Jean.

Mais uma semana – A composição da CCJR (Comissão de Constituição, Justiça e Redação) segue sem definição na Assembleia Legislativa. O presidente da Casa de Leis, deputado estadual Gerson Claro (PP), havia deixado a decisão para depois do carnaval, mas o último deve sair ao 45 do segundo tempo. O progressista garantiu que irá anunciar o novo membro até a próxima quarta-feira (25), quando deve acontecer a primeira reunião do ano.

Provisório - O Conselho Superior do Comitê Gestor do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), instância máxima de deliberação do novo tributo que substituirá o ICMS (estadual) e o ISS (municipal), decidiu manter o secretário de Fazenda de Mato Grosso do Sul, Flávio César Oliveira, na presidência temporária do órgão até 3 de março de 2026. Nessa data, será realizada uma reunião presencial, em Brasília, para a definição da presidência definitiva.

Unânime – A recondução foi aprovada por unanimidade pelos 54 membros do colegiado, sendo 27 representantes dos estados e 27 dos municípios. Flávio César, que também preside o Comsefaz, já havia sido eleito para a presidência do CGIBS em 1º de agosto de 2025. Após a nova votação, agradeceu a confiança depositada e afirmou que seguirá atuando com responsabilidade e dedicação, de forma colegiada, buscando harmonizar expectativas e tomar decisões em benefício dos estados, dos municípios e do país.