Violência em MS e abandono viram tema de filmes sobre dores sociais
Produções autorais foram concluídas após anos de trabalho e terão exibição aberta ao público
Depois de anos de pesquisa, escrita e produção, as cineastas sul-mato-grossenses Isabelle Silva e Miya Miyashiro concluíram uma série de obras autorais que abordam temas profundamente conectados à realidade social brasileira, entre eles, abandono parental e feminicídio. Os filmes foram apresentados inicialmente para amigos e familiares e agora seguem para lançamento aberto ao público, em Campo Grande.
RESUMO
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Cineastas sul-mato-grossenses Isabelle Silva e Miya Miyashiro concluem três obras audiovisuais que abordam temas sociais relevantes. O documentário "Crimes da Cruz", a animação "Craveiro Rosa" e a ficção "Meu pai não veio" tratam, respectivamente, de casos criminais, feminicídio e abandono parental. "Craveiro Rosa" destaca-se pela produção artesanal, com 5.500 quadros desenhados à mão, enquanto "Meu pai não veio" explora o abandono parental pela perspectiva infantil. As obras, já apresentadas a um público restrito, serão lançadas em Campo Grande para exibição aberta.
Ao todo, são três obras que marcam diferentes momentos da carreira das cineastas, o documentário Crimes da Cruz, a animação Craveiro Rosa e a ficção Meu pai não veio.
Lançado em 2023, Crimes da Cruz foi o ponto de partida para um projeto maior. Inicialmente pensado como uma série de cinco episódios de 30 minutos, o trabalho acabou sendo transformado em dois episódios de uma hora, que hoje integram um novo programa chamado No Lumiar da Lei.
A produção reúne dez casos criminais, todos distintos. Os dois primeiros episódios são dedicados aos crimes do Maníaco da da Cruz e os outros abordam histórias conhecidas do público, como o caso do “Táxi da Vovó”, registrado em Campo Grande, em 2019.
Em Meu pai não veio, uma ficção de 17 minutos, o assunto tratado é o abandono parental a partir de um ponto de vista pouco explorado, o da criança.
Na obra, o espectador acompanha a rotina de uma menina que passa o dia esperando pelo pai, que prometeu buscá-la e não aparece. A narrativa não parte de acusações diretas ou discursos explicativos, mas se constrói no silêncio, na espera e na frustração que a criança ainda não consegue nomear.
“O espectador sabe que o pai abandonou, mas a criança não sabe. Ela continua esperando”, explica Isabelle. Segundo a cineasta, o filme evita uma abordagem documental e aposta na sensibilidade do olhar infantil, que não compreende a ausência como abandono, mas como expectativa.
O roteiro foi escrito a partir de experiências coletadas durante uma pesquisa e cada cena reúne recortes de histórias reais, vividas por diferentes famílias.
Outro trabalho concluído após um longo processo é Craveiro Rosa, animação que levou cinco anos para ficar pronta. O projeto começou em 2021, ainda como trabalho de conclusão de curso de Isabelle, no curso de Audiovisual da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, e só agora chegou ao formato final idealizado pela equipe.
A animação aborda o feminicídio de forma simbólica, sem mostrar a violência de maneira explícita. Inspirado na antiga canção popular, reescrita como uma valsa de casamento, o filme retrata o início de um relacionamento e sua evolução até o desfecho trágico.
“Você nunca vê a violência de perto. O filme trabalha com metáforas, com o que a violência representa”, explica.
Craveiro Rosa conta com 5.500 quadros desenhados à mão, todos feitos por uma única artista, Simone, responsável por dar identidade visual à obra. “Ela precisou desenhar 5.500 vezes. É um trabalho muito sensível e diferente. Foi muito recompensador finalmente conseguir fechar esse filme do jeito que a gente queria,” destaca.
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