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Comportamento

Perrengues de viagem não fizeram Rebeca desistir de Machu Picchu

Aventura teve vários imprevistos, mas no fim, a recompensa de conhecer uma das 7 maravilhas do mundo

Por Clayton Neves | 13/01/2026 06:49

Um convite feito às pressas virou uma das experiências mais intensas e transformadoras da vida da editora de vídeo Rebeca Coppes, de 29 anos. Moradora de Campo Grande, ela e amigos decidiram encarar uma viagem até o Peru, cruzando o Brasil de carro, fazendo parte do trajeto de ônibus e enfrentando dias de estrada. A aventura teve  direito a imprevistos, panes mecânicas e desafios, mas no fim, veio a recompensa de conhecer a beleza de Machu Picchu, uma das sete maravilhas do mundo.

RESUMO

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Uma editora de vídeo de Campo Grande embarcou em uma aventura transformadora até Machu Picchu, no Peru. A viagem, planejada às pressas devido a manifestações na Bolívia, incluiu uma travessia de carro pelo Brasil, enfrentando panes mecânicas e desafios logísticos. O ponto alto da jornada foi a visita solo à cidade sagrada dos Incas, após seus companheiros de viagem não poderem prosseguir. Apesar dos contratempos, incluindo problemas com o carro na véspera de Natal e uma desafiadora travessia dos Andes, a experiência proporcionou encontros memoráveis e a realização de um sonho.

Era começo de dezembro, quando os amigos, Nathalia Alcântara e Guilherme Xavier, contaram que estavam planejando uma viagem pela Bolívia e Peru, com paradas em La Paz, Lago Titicaca e Cusco. Rebeca topou quase sem pensar e logo já começou os preparativos com documentos, vacinação e organização financeira.

Tudo parecia encaminhado, até que dois dias antes da partida, manifestações fecharam a fronteira da Bolívia, impedindo a passagem pelo país.O plano inicial, de seguir de ônibus a partir de Corumbá, já não seria possível.

Perrengues de viagem não fizeram Rebeca desistir de Machu Picchu
Rebeca em foto tirada no alto de Machu Picchu. (Foto: Arquivo Pessoal)

“A gente ficou procurando alternativas até que o Guilherme disse que se a gente passaria quatro dias dentro de um ônibus, também daria conta de passar quatro dias dentro de um carro. A decisão de ir de carro foi tomada no domingo à noite, às 3h20 da madrugada de segunda-feira a gente já estava na estrada”, explica..

A viagem começou cruzando Mato Grosso, Rondônia e Acre, em uma jornada cansativa. O trajeto, que poderia ser feito em menos tempo, acabou durando quatro dias e meio, por causa de dois grandes perrengues. O carro quebrou duas vezes.

“A primeira foi na véspera de Natal e foi a mais tensa. A embreagem parou de funcionar e o carro parou na estrada”, conta Rebeca. Com oficinas fechadas e mecânicos recusando serviço por causa das festas, a ajuda veio de desconhecidos, indicações improvisadas e muita boa vontade.

“No dia 24, parecia que não ia dar certo, mas sempre aparecia alguém para ajudar. Foi muito pensamento positivo”, lembra. No dia seguinte, outro problema com o rolamento da roda traseira. Mais atraso, mais tensão, mas também mais fé de que tudo aquilo estava livrando o trio de algo pior.

A entrada no Peru aconteceu por Assis Brasil, no Acre, cidade colada com Iñapari, já em território peruano. Quando viu a placa de “Bem-vindo ao Peru”, Rebeca conta que a emoção tomou conta. “Era minha  primeira viagem internacional fora do eixo Brasil–Paraguai e, de certa forma, a primeira grande aventura longe de casa”, detalha.

O carro ficou em um hotel simples na cidade fronteiriça e, dali em diante, os amigos seguiram de van e ônibus. O próximo desafio foi chegar a Cusco, cruzando a Cordilheira dos Andes. O ônibus quebrou no caminho e precisou subir a montanha a passos lentos, enfrentando curvas fechadas, penhascos e um trecho que deveria durar seis horas, mas levou quase dez.

Perrengues de viagem não fizeram Rebeca desistir de Machu Picchu
Para editora de vídeo, viagem foi redescoberta dela mesma. (Foto: Arquivo Pessoal)

Apesar do medo, Rebeca afirma que se encantou. “Eu nunca tinha visto neve, geleira, nascente de água no topo de uma montanha. Era tudo muito mágico”, destaca. A chegada a Cusco, a 3.500 metros de altitude, trouxe falta de ar, mas também fascínio. A cidade, cercada por montanhas, ruínas e história, parecia até outro continente.

Foram três dias explorando Cusco, conhecendo igrejas, praças, artesãos, ruínas como Sacsayhuamán e Pucallpa, além de uma tecelagem tradicional com lã de lhama. Tudo caminhava bem até que, na véspera do passeio a Machu Picchu, Nathalia passou mal. Por conta do estado de saúde, o casal decidiu não seguir viagem.

Foi ali que Rebeca encarou o maior desafio, ir sozinha a Machu Picchu. Entre o medo e o sonho, venceu o sonho. Incentivada pelo amigo, ela arrumou uma mochila pequena e seguiu para a praça de Cusco em busca de um passeio de última hora.

Perrengues de viagem não fizeram Rebeca desistir de Machu Picchu
Rebeca e os amigos cruzaram Mato Grosso, Rondônia e Acre de carro. (Foto: Arquivo Pessoal)

No caminho, tudo começou a se encaixar. Conheceu Daniela, uma mexicana que também viajava sozinha, turistas de vários países e pessoas dispostas a ajudar. O trajeto foi feito de trem e carro, cercado por paisagens surreais até a chegada à Machu Picchu Pueblo, vilarejo aos pés da montanha sagrada.

No dia seguinte, veio o momento mais esperado. Rebeca encarou a trilha clássica em uma subida cansativa, mas não a ponto de superar o impacto da vista. “Quando eu vi Machu Picchu, valeu tudo. Cada perrengue, cada medo, cada atraso”, avalia.

Caminhar entre as ruínas milenares, ouvir as explicações do guia e fazer a famosa foto do cartão-postal foi uma realização pessoal. Na volta para Cusco, dentro do trem e sozinha, Rebeca finalmente deixou a emoção transbordar e chorou de alívio e gratidão.

Perrengues de viagem não fizeram Rebeca desistir de Machu Picchu
Paisagens impressionantes foram o ponto alto da aventura no Peru. (Foto: Arquivo Pessoal)

O retorno ao Brasil foi mais tranquilo. Em três dias, o grupo cruzou novamente Acre, Rondônia e Mato Grosso até chegar em Campo Grande, com o carro inteiro e a sensação de missão cumprida.

“Foi mais que uma viagem para um destino famoso, foi sobre sentir minha capacidade, minha liberdade. Entender que o sonho pode ser real. No caminho, a gente encontra pessoas boas, dispostas a ajudar. Vale a pena dar o primeiro passo”, resume.

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