Primeira vez no cinema transforma tarde de idosos em sessão de sonhos realizados
Grupo de 45 idosos vive experiência inédita em sala de cinema e redescobre o encanto de sonhar

Naquela tarde, o tempo pareceu voltar alguns passos. Não para trás, mas para dentro da memória — para aquele lugar onde os sonhos antigos ficam guardados, esperando a chance de acontecer.
RESUMO
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Um grupo de 45 idosos atendidos pelo Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos do Cras Vida Nova, em Campo Grande, realizou o sonho de ir ao cinema pela primeira vez. A experiência incluiu pipoca, refrigerante e a exibição da animação "Cara de Um, Focinho do Outro". Entre os participantes estava Mujaci Alves da Silva, de 69 anos, que conhecia cinema apenas por fotos e televisão. A iniciativa, organizada pela equipe da unidade, reforça o trabalho desenvolvido pela Secretaria Municipal de Assistência Social e Cidadania com idosos em situação de vulnerabilidade social.
Para 45 idosos atendidos pelo Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV) do Cras Vida Nova, a ida ao cinema não foi apenas um passeio. Foi a realização de um sonho que, para muitos, atravessou décadas silenciosamente. Alguns haviam visto salas de cinema apenas pela televisão ou em fotografias. Outros, nem isso.
Acompanhados pela equipe da unidade, eles trocaram a rotina das atividades do serviço por uma tarde diferente: a descoberta de assistir a um filme em uma tela gigante, dentro de um shopping de Campo Grande.
A experiência veio completa — com direito a refrigerante, pipoca e aquela expectativa que costuma acompanhar os grandes momentos. Quando as luzes se apagaram e a tela se iluminou, muitos sentiram o mesmo encantamento de uma criança diante de algo novo.
O filme escolhido foi a animação “Cara de Um, Focinho do Outro”, cuja mensagem acabou se transformando em assunto da conversa depois da sessão. Entre risadas e comentários, o grupo falou sobre a importância de manter viva a criança interior e continuar acreditando que sonhos ainda podem se realizar, em qualquer fase da vida.
“Queremos que eles lembrem que, independentemente da idade, é preciso continuar sonhando”, resume a diretora do Cras Vida Nova, Adriana Nascimento Lopes.
Para a aposentada Mujaci Alves da Silva, de 69 anos, a experiência foi tão marcante que começou ainda na noite anterior. A ansiedade era tanta que o sono quase não veio.
“Meu coração acelerou. Eu só conhecia cinema por foto e pela televisão. Quando vi aquela tela enorme, fiquei encantada. Nunca imaginei que fosse assim”, contou.
O encantamento virou plano. Mujaci já decidiu que vai voltar — e desta vez acompanhada de um dos 17 netos.
Mesmo já tendo visitado o shopping outras vezes, ela diz que nunca havia pensado em entrar em uma sala de cinema.
“Eu vinha fazer umas comprinhas, já trouxe uma neta aqui. Mas agora quero voltar para assistir outro filme. Meu sonho é ver Titanic. Deve ser lindo numa tela grande”, disse, sorrindo.
Quem também viveu a estreia nas poltronas de cinema foi Maria de Fátima Penha dos Santos, frequentadora do Cras desde 2018. No começo, ela nem estava muito convencida de participar do passeio. Foi preciso insistência da equipe e das colegas.
Ainda bem que insistiram.
“Achei maravilhoso. Dizem que quando a gente envelhece vira criança de novo… então estava tudo perfeito”, comentou, já fazendo planos para repetir a experiência.
Mais do que um passeio, a tarde reforçou o sentido do trabalho desenvolvido pelos grupos de convivência da Secretaria Municipal de Assistência Social e Cidadania (SAS). Nas unidades, idosos e crianças em situação de vulnerabilidade social participam semanalmente de atividades que vão de cursos e oficinas a bailes e passeios pela cidade.
São momentos que fortalecem laços, criam novas amizades e, muitas vezes, ajudam a realizar sonhos simples — mas profundamente significativos.
Naquela sala escura de cinema, entre pipoca, risadas e olhos atentos à tela, cada um deles viveu algo maior do que um filme.
Viveu a prova de que nunca é tarde para experimentar algo pela primeira vez.

