Naiara resgata memória da infância com frutas e até pão de leite ninho
Feitas à mão, as guloseimas que marcaram gerações nas padarias unem nostalgia, arte e receita de família
Com aparência de frutas, legumes e até pães em miniatura, docinhos feitos à mão despertam a memória afetiva de quem cresceu vendo essas guloseimas nas vitrines de padarias e em festas de família. A professora Naiara Bispo, de 41 anos, conta que a nostalgia é o principal ingrediente do trabalho que, há sete anos, resgatou uma receita antiga da família.
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A professora Naiara Bispo, de 41 anos, encontrou nos doces artesanais uma forma de escape durante um período estressante em Campo Grande. Há sete anos, ela resgatou uma antiga receita familiar de docinhos em miniatura que imitam frutas, legumes e pães, produzindo-os de forma totalmente manual. Com produção diária entre 120 e 150 unidades, cada docinho de massa de leite ninho pesa cerca de 20 gramas. O trabalho minucioso e artesanal reflete-se no preço: R$ 200 o cento, sendo muito procurado por despertar memórias afetivas, especialmente entre pessoas de 30 a 40 anos.
Naiara se mudou para Campo Grande em 2005 e, sem conseguir aulas naquele período, acabou trabalhando em empresas privadas. Foi nessa fase que encontrou nos doces uma forma de escape. “Eu passei por um estresse muito grande e procurei uma válvula de ar. O que eu poderia fazer para me ocupar e me distrair um pouco? Resolvi fazer doce”, conta.
Antes de entrar na confeitaria, a professora tentou outras atividades, como pintura e artesanato, mas afirma não ter habilidade nessas áreas. A ideia de investir nos doces veio de uma receita antiga da família. “Há mais de 20 anos a minha tia fazia esses doces no interior, e resolvi resgatar isso, experimentar”, relata.
A produção é totalmente manual, com cada peça modelada e pintada individualmente. Perfeccionista assumida, Naiara diz que encontrou nos docinhos um desafio quase terapêutico. “O doce exigia muito de mim. Eu precisava sentar, manter aquela postura por muito tempo e ter muita paciência para pintar”, explica.
Apesar de a base da receita ser a mesma da tia, de Nova Andradina, o preparo já não é mais igual ao original, após passar por ajustes ao longo do tempo. “Eu fui fazendo testes”, lembra, ao citar as dificuldades iniciais com a textura da massa e o acabamento da pintura.
Atualmente, Naiara trabalha exclusivamente com massa de leite ninho, modelada em cerca de 20 formatos diferentes de frutas, legumes e pães. “O pão surgiu de um pedido de uma cliente que tinha um evento da igreja”, recorda.
Produzindo sozinha, ela consegue fazer de 120 a 150 docinhos por dia. Cada unidade tem cerca de 20 gramas e pode ser acondicionada em pequenos saquinhos. Os pedidos variam e já houve encomendas para decoração de mesas de frutas e festas com temática tropical.
Para ela, os doces têm apelo semelhante ao do brigadeiro tradicional por conta da memória afetiva. “A maioria das pessoas da minha faixa etária, entre 30 e 40 anos, fala: ‘Na minha infância vendia muito, eu comprava em tal lugar e depois não achei mais’”, relata.
Segundo a professora, essa conexão com o passado é o que mantém a procura constante. “As pessoas chegam dizendo que acharam bonito ou que lembravam desse doce antigo. A nostalgia, de lembrar da infância e provar algo que mantém uma receita tradicional, é o que faz com que eu venda com frequência”, afirma.
O cento dos docinhos é comercializado por R$ 200, valor que reflete o trabalho minucioso e artesanal envolvido em cada peça. A dúzia custa R$ 24 e a unidade sai por R$ 2. As encomendas podem ser feitas pelo telefone (67) 99206-2626.
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