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Sem Name, Razuk e MTS, jogo do bicho agora tem comando carioca em MS

Aposta feita em papel indica mudança no sistema para reduzir perdas de máquinas em caso de ação policial

Por Lucia Morel | 29/01/2026 08:34
Sem Name, Razuk e MTS, jogo do bicho agora tem comando carioca em MS
Canhoto de aposta mostra do jogo do bicho a todo vapor na Capital. (Foto: Juliano Almeida)

É engano pensar que a tradição centenária do jogo do bicho tenha ficado sem comando em Mato Grosso do Sul após sucessivas operações do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) contra apostas ilegais. As ações Omertà, Successione e Forasteiros afastaram, respectivamente, o domínio das famílias Name, Razuk e do MTS, de São Paulo, mas não extinguiram a contravenção, que segue ativa.

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O jogo do bicho em Mato Grosso do Sul passou por mudanças significativas após operações do Gaeco contra as famílias Name, Razuk e o grupo MTS. Apesar das ações policiais, a contravenção continua ativa, agora sob comando de organizações do Rio de Janeiro, utilizando sistema manual de apostas e seguindo apenas os sorteios da Loteria Federal. As operações Omertà, Successione e Forasteiros desarticularam os principais grupos locais que controlavam o jogo ilegal no estado. Com o vácuo deixado por essas organizações, que utilizavam empresas de fachada e disputavam territórios violentamente, contraventores cariocas, tradicionalmente ligados às escolas de samba, assumiram o controle das apostas na região.

Em banca em bairro localizado na região norte de Campo Grande, o bicho corre solto, mas sem as máquinas semelhantes às de cartão de crédito. O apontamento foi feito à moda antiga, com papel e caneta. Um maço de apostas estava nas mãos do cambista, que, sem hesitar, pedia os números e anotava. O retorno ao sistema manual pode ter sido adotado para reduzir a perda de equipamentos em caso de ofensiva policial.

“Confere na federal”, disse, ao responder sobre o funcionamento do jogo. “Não faz mais da casa, só federal.” Na prática, não há mais sorteio próprio: as apostas seguem apenas as dezenas da Loteria Federal, administrada pela Caixa Econômica Federal. Questionado sobre quem comanda hoje a contravenção na cidade, a resposta foi direta: “do Rio”.

No Rio de Janeiro (RJ), há diversos representantes do jogo do bicho. Entre os mais conhecidos estão Rogério de Andrade, sobrinho de Castor de Andrade — que ficou preso em Campo Grande até o ano passado e atualmente cumpre pena em regime fechado —; a família Garcia, hoje representada por Bernardo Bello, que assumiu os pontos de Waldomiro Paes Garcia, o “Maninho”; e Aniz Abrão David, o Anísio da Beija-Flor, um dos últimos “chefões” da velha guarda.

Sem Name, Razuk e MTS, jogo do bicho agora tem comando carioca em MS
Cambista em banca de apostas no bairro de Campo Grande. (Foto: Osmar Veiga)

Vale lembrar que, no Rio, onde o jogo do bicho surgiu em 1892, a contravenção é liderada em grande medida por integrantes da Liesa (Liga Independente das Escolas de Samba), com operações de rua divididas entre famílias e territórios.

Operações – As três ações do Gaeco citadas na reportagem desmantelaram grupos de crime organizado que coordenavam o jogo do bicho em Mato Grosso do Sul. Os principais representantes estão presos ou já condenados. Sem a estrutura que sustentava o esquema, abriu-se espaço para novos grupos.

A família Name liderou por anos as apostas ilegais no Estado, mas teve a organização desarticulada após a Operação Omertà. Para lavar o dinheiro do bicho, empresas de fachada eram abertas, além da prática de outros crimes para manutenção do poder.

Com a Operação Successione, o Gaeco chegou à família Razuk, que por anos controlou o jogo do bicho entre Dourados e Ponta Porã. Na tentativa de assumir o serviço em Campo Grande, no vácuo deixado pelos Name, e expandi-lo, o grupo travou guerra com o MTS, de São Paulo, chegando a colocar a cabeça de um dos líderes rivais a prêmio.

A ofensiva levou o Gaeco até a organização paulista, mapeando sua atuação em Mato Grosso do Sul e prendendo integrantes na Operação Forasteiros.

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