Com rio baixo e El Niño à vista, Pantanal já entra em alerta para incêndios
Prevfogo intensifica ações preventivas, mobiliza brigadistas e reforça fiscalização antes do período crítico
A combinação de nível baixo dos rios e distribuição irregular das chuvas tem mobilizado as equipes do Prevfogo (Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais), em Corumbá, no Pantanal. Segundo o coordenador do Centro, Márcio Yule, os dados mais recentes indicam um cenário que exige reforço nas ações preventivas, especialmente diante da possibilidade de um ano mais seco influenciado pelo fenômeno El Niño, previsto para chegar em junho.
RESUMO
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O Prevfogo intensifica ações preventivas no Pantanal diante do nível baixo do Rio Paraguai, que marca 1,78 metro em Ladário, abaixo dos 3 metros considerados ideais, e da distribuição irregular de chuvas. Com risco de ano mais seco pelo El Niño, previsto para junho, a estratégia inclui aceiros, queimas controladas e orientação a comunidades. Para 2025, são esperados 187 brigadistas em Mato Grosso do Sul, sendo 45 em Corumbá.
Segundo Yule, a régua de Ladário (MS), referência para o monitoramento do nível do Rio Paraguai na região, marca 1,78 metro nesta terça-feira (31). O valor é considerado baixo para a época do ano e está entre os piores registros recentes. “Normalmente, para uma situação mais tranquila, o nível deveria estar próximo de 3 metros. Esse número preocupa”, afirmou.
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Yule afirmou que o nível do Rio Paraguai em Cáceres (MT) está em 3 metros e a expectativa é que chova mais nas cabeceiras para que essa água chegue ao Pantanal-Sul e eleve a régua de Ladário.
Além do nível do rio, a irregularidade das chuvas também chama atenção. Enquanto algumas áreas registraram volumes significativos, outras tiveram precipitações muito abaixo do esperado, inclusive em meses tradicionalmente chuvosos. Em janeiro, por exemplo, estações meteorológicas em pontos do Pantanal indicaram pouca chuva, o que aumenta o risco de vegetação mais seca e, consequentemente, maior suscetibilidade ao fogo.
Prevenção - Diante desse cenário, o Prevfogo intensificou ações preventivas durante a operação realizada de 1º a 31 de março, período da realização da COP15. Yule afirmou que o objetivo foi reduzir riscos durante o evento internacional que discute a questão ambiental e já preparar a estrutura para o período crítico de incêndios.
Durante a operação, houve mobilização integrada com diferentes instituições, incluindo o Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul e agentes de fiscalização ambiental. No momento de maior atuação, o contingente chegou a cerca de 70 pessoas, entre brigadistas, técnicos e equipes de apoio, inclusive com reforço de profissionais do Distrito Federal (DF) e do Rio de Janeiro (RJ).
Além do monitoramento, também foram realizadas fiscalizações em áreas com focos de calor detectados por satélite e denúncias. Ao todo, foram abertos cerca de 18 processos entre notificações e autuações em análise. As ações ocorreram em municípios no Pantanal e entorno, como Corumbá, Miranda, Porto Murtinho, Bonito, Bodoquena e Jardim.
Apesar do alerta para o período seco, durante a operação, apenas um incêndio florestal foi registrado na região. O caso ocorreu em área de difícil acesso da Marinha, possivelmente causado por raio, e atingiu cerca de 30 hectares. O fogo foi controlado em 2 dias com apoio de helicóptero e equipes em campo.
Visita aos Pantaneiros - Para reforçar a prevenção, o Prevfogo também iniciou trabalho direto com comunidades ribeirinhas e assentamentos. As equipes visitaram APA (Área de Proteção Ambiental) Rio Negro, comunidade de Porto Esperança, Barra do São Lourenço, na divisa com Mato Grosso e Serra do Amolar. Foram feitas orientações sobre manejo do fogo e fizeram alguns aceiros, faixas de contenção para evitar a propagação das chamas. Segundo Márcio Yule, a equipe planeja voltar a construir aceiros, a partir de maio e junho, quando a vegetação estiver mais adequada para esse tipo de intervenção.
Brigadistas - O coordenador afirmou que a previsão é que, neste ano, sejam contratados 187 brigadistas para atuar em Mato Grosso do Sul, número semelhante ao do ano anterior, que foi de 185. Apenas em Corumbá, o contingente do Prevfogo deve chegar a 45 profissionais, com a chegada de 29 brigadistas durante o período mais crítico, entre junho e novembro.
Segundo Yule, a estratégia é priorizar a prevenção, considerada mais eficiente e menos onerosa que o combate direto às chamas. “A ideia é trabalhar com comunidades, produtores rurais e Corpo de Bombeiros na realização de aceiros e queimas controladas antes do período crítico. A prevenção é muito mais barata do que o combate”, afirmou.
Além disso, foi montada uma estrutura logística no Parque Municipal Marina Gatass, em Corumbá, capaz de receber até 200 brigadistas, caso seja necessário reforço emergencial. A base inclui alojamentos, refeitório e equipamentos de apoio, permitindo resposta rápida em caso de aumento no número de incêndios.
O coordenador destacou que o acompanhamento das condições meteorológicas e hidrológicas continuará sendo determinante nos próximos meses. “Quando o rio não enche, a situação fica mais crítica. Por isso, estamos monitorando os níveis e trabalhando com prevenção desde agora”, concluiu.
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