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Meio Ambiente

Justiça manda demolir ranchos em área de preservação ambiental

Construções de lazer ficam em região protegida e deverão ser retiradas para recuperação ambiental

Por Inara Silva | 13/02/2026 15:05
Justiça manda demolir ranchos em área de preservação ambiental
Imagem área mostra ranchos à margem do Rio Ivinhema (Foto: Reprodução do processo)

A Justiça determinou a demolição de pelo menos 15 ranchos de lazer construídos irregularmente às margens do Rio Ivinhema, na zona rural de Ivinhema, município localizado a 248 km de Campo Grande. A decisão atende a ação civil pública movida pelo MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) em 2006, que apontou ocupação indevida de APP (Área de Preservação Permanente) e danos ambientais na faixa protegida do curso d’água.

RESUMO

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A Justiça determinou a demolição de 15 ranchos de lazer construídos irregularmente às margens do Rio Ivinhema, em Mato Grosso do Sul. A decisão atende ação civil pública movida pelo Ministério Público em 2006, que identificou ocupação indevida em Área de Preservação Permanente. Os proprietários tentaram acordo para manter as construções, mas o pedido foi negado. O local integra a Área de Proteção Ambiental Ilhas e Várzeas do Rio Paraná, onde intervenções devem respeitar limitações ambientais para preservar recursos naturais e qualidade da água.

As edificações estão localizadas a cerca de 33,3 quilômetros da área urbana, em imóvel com aproximadamente 3,62 hectares, com acesso pela rodovia MS-376, no trecho entre Ivinhema e Nova Andradina. A região é conhecida pelo uso voltado ao lazer particular, com casas de veraneio utilizadas principalmente para pesca e descanso de fim de semana.

A ação judicial foi proposta após fiscalização constatar a presença das casas de lazer dentro da faixa legalmente protegida do rio, sem o devido licenciamento ambiental. A sentença determinou:

  • retirada das edificações instaladas irregularmente;

  • proibição de novas intervenções na área;

  • recuperação ambiental com recomposição da vegetação nativa.

A decisão transitou em julgado e tornou definitiva a obrigação de restaurar a área degradada. O acórdão foi publicado no Diário da Justiça pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul.

Justiça manda demolir ranchos em área de preservação ambiental
Imagem aérea feita durante estudo técnico em 2023 (Foto: Reprodução)

Tentativa de acordo - Durante a fase de execução, os proprietários apresentaram uma proposta de acordo ao MPMS para encerrar a ação sem a retirada das construções. A medida previa a regularização da área com base em normas ambientais mais recentes e a adoção de compensações, sob o argumento de que a ocupação estaria consolidada.

O pedido, porém, não foi homologado. Ao analisar o caso, a Justiça destacou que o Superior Tribunal de Justiça já havia afastado, de forma definitiva, qualquer possibilidade de regularização das construções erguidas às margens do Rio Ivinhema em APP. O Judiciário também observou a ausência de laudo técnico do Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul), órgão responsável pela análise ambiental. Esse entendimento, segundo a Justiça, impede a celebração de acordos que contrariem o que foi estabelecido na ação civil pública.

Área protegida - O local integra a Área de Proteção Ambiental Ilhas e Várzeas do Rio Paraná, uma unidade de conservação de uso sustentável. Nesse tipo de área, as propriedades permanecem privadas, mas a legislação impõe regras para disciplinar a ocupação e garantir a proteção dos recursos naturais.

Segundo os autos, embora seja permitido o domínio particular, qualquer intervenção deve respeitar as limitações ambientais, especialmente nas APPs, onde a lei proíbe construções para assegurar a integridade da vegetação ciliar, evitar erosão das margens e preservar a qualidade da água.

O município está inserido na Região Hidrográfica do Paraná, dentro da microbacia do Rio Ivinhema, área considerada estratégica para manutenção do equilíbrio hídrico e da biodiversidade regional.

Justiça manda demolir ranchos em área de preservação ambiental
Vista área da região dos ranchos às margens do Rio Ivinhema. (Foto: Reprodução)

Função ambiental - Laudos e manifestações técnicas no processo destacam que as APPs têm papel essencial para:

  • proteger o leito do rio contra assoreamento;

  • garantir a estabilidade das margens;

  • manter corredores ecológicos;

  • preservar a qualidade da água e a paisagem natural.

Demolição - Com a manutenção da decisão judicial, os responsáveis deverão promover a demolição das estruturas e executar medidas de recuperação da área, sob acompanhamento dos órgãos ambientais. O objetivo é devolver à faixa marginal do rio suas características naturais, com recomposição da mata ciliar.

A reportagem do Campo Grande News tentou contato com os proprietários dos ranchos, ainda sem retorno. O espaço permanece aberto.

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