ACOMPANHE-NOS     Campo Grande News no Facebook Campo Grande News no X Campo Grande News no Instagram Campo Grande News no TikTok Campo Grande News no Youtube
JANEIRO, QUARTA  07    CAMPO GRANDE 29º

Política

Cota de deputados federais de MS chega a R$ 4,1 milhões, puxada por divulgação

Propaganda de atividades, aluguel de carros, combustíveis e manutenção de escritórios lideram os gastos

Por Jhefferson Gamarra | 05/01/2026 17:21
Cota de deputados federais de MS chega a R$ 4,1 milhões, puxada por divulgação
Plenário da Câmara dos Deputados durante sessão (Magalhães/Câmara dos Deputados)

Os oito deputados federais de Mato Grosso do Sul utilizaram R$ 4.112.328,48 da CEAP (Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar) ao longo de 2025. Na véspera de ano eleitoral, a maior parte dos recursos foi destinada à divulgação da atividade parlamentar, categoria que lidera os gastos individuais de praticamente todos os parlamentares do Estado.

RESUMO

Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!

Os oito deputados federais de Mato Grosso do Sul utilizaram R$ 4.112.328,48 da Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar (CEAP) em 2025. O valor mensal da cota para parlamentares do estado é de R$ 46.336,64, destinado a custear despesas como divulgação parlamentar, aluguel de veículos e manutenção de escritórios. Geraldo Resende (PSDB) liderou os gastos com R$ 561.555,63, seguido por Rodolfo Nogueira (PL) com R$ 531.570,17. A divulgação da atividade parlamentar foi o principal destino dos recursos para todos os deputados. Além da CEAP, os parlamentares recebem salário de R$ 46.366,19, verba de gabinete de R$ 133.170,54 e podem ter direito a auxílio-moradia de R$ 4.253,00.

A cota parlamentar é um recurso público destinado a custear despesas do mandato. O valor mensal varia de estado para estado, pois leva em conta o custo médio das passagens aéreas até Brasília. Para os deputados de Mato Grosso do Sul, o valor mensal da cota em 2025 é de R$ 46.336,64. Caso o parlamentar não utilize todo o valor em um mês, o saldo fica acumulado ao longo do ano, o que explica gastos mais elevados em determinados períodos.

Cota de deputados federais de MS chega a R$ 4,1 milhões, puxada por divulgação

Entre os parlamentares sul-mato-grossenses, Geraldo Resende (PSDB) lidera o ranking de gastos, com R$ 561.555,63. A maior parte desse valor foi destinada à divulgação da atividade parlamentar, que somou R$ 273.997,80, seguida por manutenção de escritório (R$ 108.747,84), combustíveis (R$ 78.965,05) e aluguel de veículos (R$ 74.800,00). Também constam despesas com passagens aéreas, telefonia e alimentação.

Na sequência aparece Rodolfo Nogueira (PL), com R$ 531.570,17. Ele gastou R$ 274.242,69 com divulgação parlamentar, R$ 132.000,00 com aluguel de veículos e R$ 67.277,25 com combustíveis. O deputado também teve despesas com passagens aéreas, manutenção de escritório, telefonia, hospedagem, além de gastos pontuais com táxi, pedágio e estacionamento.

O terceiro maior gasto é de Vander Loubet (PT), que utilizou R$ 519.296,31 da cota. Deste total, R$ 252.135,00 foram aplicados em divulgação da atividade parlamentar, R$ 102.000,00 em aluguel de veículos e R$ 48.209,58 em manutenção de escritório. Também há registros de gastos com passagens aéreas, combustíveis, hospedagem, telefonia, assinatura de publicações e reembolsos de passagens.

Logo atrás está Dagoberto Nogueira (PSDB), com R$ 517.303,06. Seus principais gastos foram com divulgação parlamentar (R$ 190.450,00), aluguel de veículos (R$ 133.251,00), manutenção de escritório (R$ 78.011,95) e combustíveis (R$ 51.157,43). Ele também utilizou a cota para telefonia, passagens aéreas, segurança privada, hospedagem e alimentação.

Beto Pereira (PSDB) aparece em seguida, com R$ 514.986,15. A divulgação da atividade parlamentar consumiu R$ 224.500,00. Outros gastos relevantes foram aluguel de veículos (R$ 98.200,00), combustíveis (R$ 84.516,74) e manutenção de escritório (R$ 41.745,71). Também constam despesas com passagens aéreas, hospedagem, telefonia, segurança privada, alimentação e transporte urbano.

A deputada Camila Jara (PT) utilizou R$ 507.038,02 em 2025. Desse total, R$ 251.604,99 foram destinados à divulgação da atividade parlamentar. Aluguel de veículos (R$ 84.144,66), manutenção de escritório (R$ 60.504,45) e combustíveis (R$ 56.133,27) também aparecem entre os principais gastos, além de passagens aéreas e telefonia.

Com gasto total de R$ 481.726,02, Luiz Ovando (PP) aparece na penúltima posição. Seus maiores dispêndios foram com divulgação parlamentar (R$ 158.456,36), aluguel de veículos (R$ 129.500,00) e manutenção de escritório (R$ 90.664,20). Há ainda gastos com combustíveis, passagens aéreas, hospedagem, telefonia, alimentação, serviços postais, táxi, pedágio, estacionamento e aquisição de tokens e certificados digitais.

Fechando a lista, Marcos Pollon (PL) aparece com despesas de R$ 478.853,12, valor R$ 82.702,51 inferior ao registrado pelo parlamentar que mais gastou. A divulgação da atividade parlamentar responde por R$ 258.254,57 do total. O deputado também gastou com manutenção de escritório (R$ 76.013,94), passagens aéreas (R$ 69.213,59), combustíveis (R$ 35.523,29) e aluguel de veículos (R$ 24.500,00), além de hospedagem, telefonia e pequenas despesas de alimentação e transporte.

Como funciona a cota parlamentar - A CEAP cobre despesas como passagens aéreas, telefonia, combustíveis, aluguel de veículos e manutenção de escritórios. Algumas despesas são pagas por débito automático, como passagens, enquanto outras funcionam por reembolso, mediante apresentação de recibos em até três meses. O valor mensal não utilizado acumula ao longo do ano.

Além da cota parlamentar, cada deputado federal dispõe de R$ 133.170,54 por mês de verba de gabinete, destinada ao pagamento de salários de até 25 secretários parlamentares. Os salários variam de R$ 1.548,10 a R$ 18.719,88. Encargos trabalhistas como 13º salário, férias e auxílio-alimentação não saem dessa verba, sendo pagos diretamente pela Câmara dos Deputados.

Auxílio-moradia e salário alto - Os deputados federais têm direito a auxílio-moradia de R$ 4.253,00 quando não ocupam um dos 447 apartamentos funcionais da Câmara em Brasília. Em 2025, os deputados de Mato Grosso do Sul gastaram R$ 89.313,00 com esse benefício.

Seis parlamentares ocuparam imóveis funcionais durante todo o ano: Beto Pereira, Camila Jara, Dagoberto Nogueira, Marcos Pollon, Rodolfo Nogueira e Vander Loubet, todos por 365 dias.

Apenas dois receberam auxílio-moradia: Luiz Ovando (PP), que recebeu R$ 42.530,00, e Geraldo Resende (PSDB), com R$ 46.783,00. Luiz Ovando também complementou despesas de moradia com a cota parlamentar, no valor de R$ 22.670,00, já que o complemento permitido é limitado a R$ 4.148,80 por mês.

O salário bruto de um deputado federal em 2025 é de R$ 46.366,19. A remuneração mensal depende do comparecimento às sessões deliberativas do Plenário, e ausências não justificadas resultam em desconto no salário.

Somados salários, cota parlamentar, verba de gabinete e benefícios como auxílio-moradia, os números evidenciam o alto custo do mandato parlamentar. Apenas com a cota, os deputados federais de Mato Grosso do Sul ultrapassaram R$ 4 milhões em gastos públicos em 2025.

Extremos  - Com uma diferença de cerca de R$ 82 mil em relação ao parlamentar que mais gastou, o deputado Marcos Pollon (PL) informou, por meio de sua assessoria, que adota uma postura responsável e enxuta na condução do mandato, destacando o compromisso com a boa gestão dos recursos públicos e com a eficiência no uso das verbas parlamentares. Segundo a assessoria, o desempenho de Pollon contrasta com os dados gerais do relatório, que apontam gastos mais elevados por parte de outros parlamentares.

Já o deputado Geraldo Resende, que liderou o ranking de despesas, afirmou que os valores registrados referem-se exclusivamente a gastos necessários para o exercício do mandato. Ele explicou que, ao longo de 2025, manteve uma agenda intensa em Mato Grosso do Sul, com deslocamentos frequentes para o interior do estado, acompanhamento de obras, fiscalização de investimentos federais e atendimento a prefeitos, vereadores e lideranças comunitárias, especialmente na área da saúde. Resende acrescentou que seu compromisso é utilizar os recursos públicos com responsabilidade, de forma a garantir um mandato ativo, presente e com resultados.