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Saúde e Bem-Estar

Brasil deve ter 781 mil novos casos de câncer por ano até 2028, estima INCA

Doença avança com envelhecimento da população e pressiona prevenção, diagnóstico e tratamento no SUS

Por Ângela Kempfer | 04/02/2026 15:21
Brasil deve ter 781 mil novos casos de câncer por ano até 2028, estima INCA
Tabagismo ainda é uma das principais preocupações dos médicos (Foto: Paulo Francis)

O Brasil deve registrar, em média, 781 mil novos casos de câncer por ano entre 2026 e 2028. Quando ficam fora da conta os tumores de pele não melanoma, que são frequentes, mas têm baixa letalidade, a estimativa é de 518 mil novos diagnósticos anuais. Os dados fazem parte do estudo Estimativa 2026–2028: Incidência de Câncer no Brasil, divulgado nesta terça-feira (4) pelo INCA, no Dia Mundial do Câncer.

RESUMO

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O Brasil deverá registrar cerca de 781 mil novos casos de câncer anualmente entre 2026 e 2028, segundo estudo divulgado pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA). Excluindo os tumores de pele não melanoma, que têm baixa letalidade, a projeção é de 518 mil novos diagnósticos por ano. Entre os homens, predominam cânceres de próstata, cólon e reto, pulmão, estômago e cavidade oral. Nas mulheres, os mais frequentes são os de mama, cólon e reto, colo do útero, pulmão e tireoide. O estudo revela disparidades regionais significativas e destaca a necessidade de melhorias no acesso à prevenção e tratamento.

Os números confirmam um movimento que já vinha sendo observado: o câncer se aproxima das doenças cardiovasculares como uma das principais causas de adoecimento e morte no país. O avanço está diretamente ligado ao envelhecimento da população, mas também expõe desigualdades regionais e falhas persistentes no acesso à prevenção, ao diagnóstico precoce e ao tratamento.

Entre os homens, os tipos mais frequentes são câncer de próstata, seguido por cólon e reto, pulmão, estômago e cavidade oral. Já entre as mulheres, lideram os cânceres de mama, cólon e reto, colo do útero, pulmão e tireoide. O câncer de pele não melanoma continua sendo o mais comum em ambos os sexos, por isso aparece separado nas estatísticas.

Segundo o INCA, alguns dos cânceres mais incidentes também estão entre os que têm maior potencial de prevenção e detecção precoce, como o câncer do colo do útero e o colorretal. Mesmo assim, eles seguem figurando entre os principais diagnósticos no país, o que aponta dificuldades no alcance das políticas de rastreamento.

Dados regionais

As estimativas também mostram diferenças regionais marcantes, mas não estratifica os dados por estado.

No Norte e no Nordeste, o câncer do colo do útero permanece entre os mais comuns, enquanto o câncer de estômago tem maior incidência entre homens dessas regiões. Já tumores associados ao tabagismo, como os de pulmão e cavidade oral, aparecem com mais frequência no Sul e no Sudeste. Para o Instituto, essas variações refletem fatores socioeconômicos, ambientais, comportamentais e o acesso desigual aos serviços de saúde.

Para a coordenadora de Prevenção e Vigilância do INCA, Márcia Sarpa, os dados vão além da estatística. “As estimativas mostram a importância de planejar e executar ações de prevenção, detecção precoce e acesso oportuno ao tratamento do câncer”, afirmou durante o lançamento do estudo.

Produzida a cada três anos pela Coordenação de Prevenção e Vigilância do Instituto, a estimativa serve como base para o planejamento de curto prazo no sistema de saúde, com foco nos tipos de câncer mais relevantes para a saúde pública. O próprio INCA faz um alerta: os números não devem ser comparados diretamente com edições anteriores. Isso porque as fontes de dados vêm melhorando, com redução de sub-registros, e a metodologia é atualizada periodicamente.

Brasil deve ter 781 mil novos casos de câncer por ano até 2028, estima INCA
Laço rosa da Campanha do Dia Mundial de Combate ao Câncer de Mama, em outubro (Foto: Arquivo)

De acordo com o chefe da Divisão de Vigilância e Análise de Situação da Conprev, Luís Felipe Martins, parte das variações entre uma edição e outra pode resultar do aprimoramento dos registros e não, necessariamente, de mudanças reais na incidência da doença.

O estudo também reforça medidas já conhecidas, mas ainda desafiadoras de implementar em larga escala. A vacinação contra o HPV, por exemplo, é fundamental para prevenir o câncer do colo do útero. O controle do tabagismo segue como uma das estratégias mais eficazes para reduzir diversos tipos de câncer, assim como a redução do consumo de álcool, alimentação saudável, prática de atividade física e o acesso ao diagnóstico precoce.

Para o secretário de Atenção Especializada à Saúde do Ministério da Saúde, Mozart Júlio Tabosa Sales, a estimativa funciona como um alerta para o planejamento do poder público. “É um instrumento que ajuda a dimensionar a rede, os serviços, os profissionais e a estrutura necessária para responder aos casos esperados”, afirmou.

Representando a Organização Pan-Americana da Saúde, vinculada à OMS, Jonas Gonseth-Garcia resumiu o papel do estudo: “Não há boa política pública sem boa evidência”. Segundo ele, a estimativa permite antecipar cenários, definir prioridades e orientar investimentos.

O Ministério da Saúde também reforçou a meta de ampliar a rede pública de prevenção, diagnóstico e tratamento do câncer, com coordenação técnica do INCA. A avaliação é de que, diante dos números projetados, o câncer seguirá como um dos principais desafios do Sistema Único de Saúde nas próximas décadas.