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Saúde e Bem-Estar

Quase 190 kg a menos e nova vida: pacientes contam como descobriram o lipedema

Lipedema: a doença silenciosa que afeta mulheres e é confundida com obesidade

Conteúdo de Marca - Dr. Canela | 09/03/2026 06:30

RESUMO

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O lipedema, doença crônica que provoca acúmulo de gordura principalmente nas pernas e braços, tem afetado muitas mulheres que desconhecem o diagnóstico. Em Mato Grosso do Sul, duas pacientes, Tainara Holanda e Letícia Almeida, conseguiram eliminar juntas quase 190 quilos após tratamento específico para obesidade e lipedema.Segundo o médico Dr. Canela, o diagnóstico é essencialmente clínico, baseado em sintomas como dor, peso nas pernas e hematomas. O tratamento envolve alimentação, atividade física e, em alguns casos, terapia hormonal. As pacientes relatam significativa melhora na qualidade de vida após o tratamento adequado.

Para muitas mulheres, o peso nas pernas, o inchaço constante e a dificuldade de emagrecer parecem fazer parte da rotina. Mas, em muitos casos, o problema pode ter outra explicação: o lipedema, uma doença crônica ainda pouco diagnosticada.

No podcast do Campo Grande News, o médico Dr. Canela recebeu duas pacientes de Mato Grosso do Sul, Tainara Holanda e Letícia Almeida, que juntas eliminaram quase 190 quilos após iniciar tratamento para obesidade e lipedema. A conversa revelou viradas profundas na vida das duas.

A história delas começa muito antes da perda de peso, começa na dor que parecia não ter explicação.

Mesmo depois de emagrecer cerca de 50 quilos, Tainara continuava sentindo algo estranho no corpo. “Durante o processo de emagrecimento eu percebia que, mesmo já estando mais magra, minha perna ainda era muito pesada. Eu sentia como se repuxasse. Eu falava: ‘Não tem couro suficiente para minha perna’”, contou.

Foi nesse momento que veio o diagnóstico de lipedema, uma condição que provoca acúmulo de gordura principalmente nas pernas e braços, acompanhado de dor e inflamação.

Segundo o Dr. Canela, esse sintoma é muito comum.

“A mulher com lipedema sente a perna pesada. É uma dor que o nosso sistema nervoso central ameniza para diminuir o sofrimento. Então ela acha que é só peso, mas na verdade é dor mascarada”, explicou.

Letícia também conviveu com o problema durante muito tempo sem perceber que havia algo errado.

“Eu achava que era uma dor normal. Parecia que eu tinha ficado o dia inteiro de salto alto, mesmo usando tênis”, relatou.

A descoberta veio em uma conversa simples com o marido. “Eu só fui entender que não era normal quando conversei com meu marido e percebi que ele não sentia os braços e as pernas mais pesados que o resto do corpo.”

O diagnóstico, segundo o médico, é essencialmente clínico. “Não existe exame que confirme. É o olhar treinado do médico, a conversa com a paciente. Perguntar se sente peso nas pernas, se aparecem hematomas, se há inchaço. O diagnóstico do lipedema é extremamente clínico.”

Lipedema e obesidade não são a mesma coisa

Um dos principais pontos levantados no podcast é a confusão comum entre lipedema e obesidade.

“O lipedema é uma coisa e a obesidade é outra. A obesidade pode piorar o lipedema, mas existem muitas mulheres magras com lipedema”, explicou o médico.

Ele também destacou que a obesidade é uma doença crônica, e não resultado de falta de disciplina ou força de vontade.

“O obeso não tem controle sobre a saciedade como uma pessoa sem obesidade. Existe uma falha na comunicação entre o intestino e o sistema nervoso central. Então ele não sente saciedade da mesma forma.”

Por isso, segundo ele, o tratamento precisa ser encarado como qualquer outra doença crônica. “Se você parar de tratar, volta. É igual pressão alta ou diabetes.”

O tratamento e a polêmica da gestrinona

Durante o episódio, Dr. Canela explicou que o tratamento do lipedema envolve várias abordagens, incluindo alimentação, atividade física e, em alguns casos, terapia hormonal.

Uma das medicações utilizadas no consultório é a gestrinona, usada de forma off-label.

“O que realmente ajuda é bloquear os receptores do estradiol que causam inflamação na gordura. A gestrinona faz esse bloqueio”, explicou.

Ele reconhece que o uso da substância ainda gera debates. “Não existem muitos estudos específicos para lipedema, mas grande parte da medicina trabalha com uso off-label. A gente entende o mecanismo da doença e o mecanismo do medicamento.”

Segundo o médico, quando o tratamento é feito corretamente e com acompanhamento, é possível reduzir a dor e devolver qualidade de vida.

“Dependendo do grau do lipedema, a mulher vive como se não tivesse a doença.”

Para Tainara, que perdeu 111 quilos, a transformação foi muito além da estética. “Eu tinha uma vida totalmente limitada. Eu pesava 178 kg e evitava sair porque não me sentia confortável em lugar nenhum”, contou.

Ela lembra de um momento específico que mudou tudo. “O dia mais difícil foi quando eu fui ao mercado da esquina de casa e precisei parar no meio do caminho porque não aguentava caminhar. Ali eu entendi que precisava buscar ajuda.”

Hoje, ela define a mudança de forma simples: “Antes eu sobrevivia. Agora eu vivo.”

Letícia eliminou 78 quilos, mas diz que a maior mudança foi recuperar a liberdade. “Eu virei uma criança de novo. Eu quero aprender a fazer tudo que antes eu não podia”, contou.

Na infância, o peso já limitava sua vida.

Eu bati 100 kg com 10 anos. Sempre fui pesada demais para brinquedos, para atividades. Eu sempre ficava de fora.”

Hoje, ela descreve a sensação de viver em um corpo que finalmente responde. “Foi a primeira vez em 24 anos que eu tive liberdade para existir.”

O preconceito contra quem trata a obesidade

Mesmo após a mudança, as duas ainda enfrentam julgamentos, principalmente pelo uso de medicação.

“Eu escuto muito: ‘Você só está magra porque toma remédio’”, contou Letícia.

A resposta dela é direta. “Se é uma doença, por que tem que ser difícil tratar?”

Tainara também enfrenta comentários semelhantes. “As pessoas perguntam se vou ter que tomar medicação para sempre. E sim, porque eu tenho uma doença crônica.”

A mensagem para outras mulheres

Ao final do podcast, as duas deixaram um conselho para quem enfrenta obesidade ou sente dores que parecem inexplicáveis.

Para Letícia, o primeiro passo é buscar informação. “Vai na consulta, senta e entende o que está acontecendo com o seu corpo. Cada caso é diferente.”

Tainara reforça a importância de não desistir. “Eu sempre repetia para mim mesma: desistir não é uma opção. Eu precisava fazer o que nunca tinha feito para ter o resultado que nunca tive.”

Já o Dr. Canela resume o ponto central do tratamento.

“Quando o paciente entende a doença, ele sai da consulta sabendo que vai emagrecer. Porque ele entende que a culpa nunca foi dele”

Clínica Canela
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Conteúdo informativo, não substitui consulta médica. Avaliação individual é essencial. 

CRM: Dr. Jonathas Canela, CRM-MS 10.537, CRM-SP 197.942.

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