Malha Oeste reacende memórias e esperança de volta de trens de passageiros em MS
Em Inocência, governador e ministro falam de saudosismo, integração logística e futuro sobre trilhos

A expectativa pela retomada da Malha Oeste ferroviária trouxe à tona não apenas projeções logísticas e econômicas, mas também um sentimento coletivo de saudosismo em Mato Grosso do Sul, estado que teve sua ocupação e desenvolvimento fortemente ligados aos trilhos. O clima nostálgico marcou os discursos do governador Eduardo Riedel (PP) e do ministro dos Transportes, Renan Calheiros Filho, durante o evento que anunciou avanços no processo de concessão da ferrovia.
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A retomada da Malha Oeste ferroviária em Mato Grosso do Sul desperta não apenas expectativas econômicas, mas também memórias afetivas da população. Durante evento que anunciou avanços na concessão da ferrovia, o governador Eduardo Riedel destacou a importância histórica dos trilhos para o desenvolvimento do estado. O ministro dos Transportes, Renan Calheiros Filho, indicou que o transporte de passageiros poderá ser discutido após a revitalização da malha, que atualmente possui limitações técnicas. A modernização prevê a substituição da bitola estreita e novo traçado, reconectando o estado à malha ferroviária nacional.
Ao lembrar do papel histórico da ferrovia, Riedel destacou que a Malha Oeste vai além de um projeto de infraestrutura. “A Malha Oeste não é só fundamental para o atual estágio de desenvolvimento do Estado, mas ela traz ao sul-mato-grossense um sentimento de retomada do desenvolvimento. Esse Estado foi construído em cima de ferrovia”, afirmou.
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Em tom saudosista, o governador ilustrou lembranças que fazem parte da memória de gerações. “Quem viveu no Estado não pegou um trem no sentido leste ou oeste, cantando as belezas do Mato Grosso do Sul e ajudando esse crescimento? Quem não comeu uma chipa em uma estação? Quem não lembra da RFFSA, que vinha lá de Bauru e chegava em Corumbá, no coração do Pantanal?”, disse, ao destacar a ligação emocional da população com o transporte ferroviário.

Riedel também apontou que a retomada da Malha Oeste abre novas possibilidades logísticas para o Estado. “A ferrovia chega hoje a um sítio de produção de minério gigantesco, em Corumbá, com 14 milhões de toneladas que saem pela hidrovia. Com a Malha Oeste funcionando, abre-se um novo canal logístico também para o minério e outros produtos, conectando com a rota rodoviária Bioceânica, que vem de Porto Murtinho”, explicou. Segundo ele, a ferrovia permitirá “uma integração de modais e logísticos”, fortalecendo a competitividade estadual.
Questionado sobre a possibilidade de retomada do transporte de passageiros, o ministro Renan Calheiros Filho afirmou que o tema está no horizonte, mas depende da reconstrução da ferrovia. “Só dá para transportar pessoas depois que a gente tem a rede”, disse. Ele explicou que a atual estrutura impede esse tipo de operação. “Hoje, a rede existente tem dois problemas: a bitola estreita, que faz o trem andar muito devagar, e o fato de passar dentro das cidades, com muitas curvas.”
Renan Filho reconheceu o vínculo emocional da população com os trens. “Todo mundo tem uma ligação emocional com a ferrovia. O governador colocou isso muito bem aqui”, afirmou, ao comentar o tom nostálgico das falas no evento. Segundo o ministro, após a revitalização com bitola larga, o debate sobre passageiros pode avançar. “Feita a rede nova, o Brasil pode discutir primeiro o transporte de VLT dentro das grandes cidades e depois a ligação entre cidades.”
O ministro reforçou que a principal mudança será a reconexão do Estado à malha ferroviária nacional. “O fato é que o Mato Grosso do Sul será religado à malha nacional. Está desligado desde que muita gente deixou de andar de trem”, afirmou, ao destacar o simbolismo do projeto para o Estado.

