MS ocupa 5ª posição em relatos de violência sexual perto de escolas
Pesquisa do IBGE mostrou também que sensação de insegurança geral é presente no Estado

Em Mato Grosso do Sul, 16,2% das escolas têm diretores ou responsáveis que afirmam ouvir falar com frequência de situações de violência sexual na localidade onde a instituição está situada. O percentual coloca o estado na 5ª pior posição do país nesse indicador, empatado com o Amapá.
RESUMO
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Mato Grosso do Sul ocupa a quinta posição entre os estados brasileiros onde escolas mais relatam violência sexual no entorno, com 16,2% das instituições reportando casos frequentes, segundo a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar 2024, do IBGE. O estado também apresenta índices preocupantes de agressão física, com 66,4% das escolas relatando ocorrências. Por outro lado, MS registra baixos índices de violência armada, sendo o segundo estado com menor frequência de relatos de tiroteios (3,7%). Apenas 4,9% das escolas precisaram suspender aulas por motivos de segurança, percentual inferior à média nacional de 7,7%.
Os dados são da PeNSE (Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar) 2024, do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), que ouviu estudantes de 13 a 17 anos e coletou informações com diretores e responsáveis escolares em todo o País.
A pesquisa não mede vitimização direta dos estudantes nesse recorte, mas a percepção dos gestores escolares sobre o entorno das instituições. O dado mapeia escolas onde a violência sexual é recorrente o suficiente para ser ouvida com frequência por quem trabalha ali.
O Espírito Santo lidera o indicador nacional, com 23,4%, seguido por Roraima (22,2%) e Amazonas (20,5%).
Acre (4%), Piauí (4,8%) e Rio Grande do Norte (5%) registram os menores percentuais.
O problema se aprofunda quando o recorte muda. Entre os estudantes que deixaram de ir à escola por se sentirem inseguros no caminho de casa, 44,4% frequentam instituições onde a direção reportou a violência sexual como uma das situações presentes na localidade — 11º maior índice nacional, acima dos 42,1% do Brasil.
Nesse mesmo grupo de estudantes que evitaram o trajeto por medo, a agressão física aparece como o indicador mais preocupante do Estado: 66,4% das escolas de MS reportaram esse tipo de ocorrência, o 6º pior resultado do País, 11 pontos acima da média nacional de 55%. O Espírito Santo lidera com 81,1%; o Piauí registra o menor percentual, com 29,8%.
No quadro geral, 90,9% das escolas sul-mato-grossenses estão em localidades onde o diretor ou responsável presenciou ou ouviu falar de alguma situação de violência nos últimos 12 meses — o 7º maior índice nacional, acima dos 87,2% do Brasil.
A venda de drogas no entorno aparece em 70,3% das escolas do estado como fator de insegurança no trajeto, levemente acima dos 68,2% nacionais.
Outros índices
Nos indicadores ligados à violência armada, o Estado se destaca de forma menos negativa. Apenas 3,7% dos estudantes de MS estão em escolas cujos gestores relatam ouvir falar com frequência de tiros ou tiroteios na localidade — o 2º menor índice do País, muito abaixo da média nacional de 13,6%.
Somente Rondônia registra número inferior, com 3,3%.
O Rio de Janeiro lidera esse indicador com 35,2%. No mesmo sentido, assaltos e roubos são relatados com frequência na localidade por apenas 18,6% das escolas do Estado, ante uma média nacional de 27,9% — 22ª posição entre os estados. O Distrito Federal lidera com 57,1%.
As aulas suspensas por motivo de segurança completam o retrato. Em 4,9% das escolas de MS, as atividades foram interrompidas ao menos uma vez por razões de violência nos 12 meses anteriores à pesquisa — abaixo dos 7,7% nacionais.
Das escolas que precisaram suspender as aulas, 69,6% o fizeram apenas uma vez; em 30,4% dos casos, a interrupção se repetiu duas vezes ou mais.
O Rio de Janeiro concentra o maior índice do País, com 25,6% das escolas afetadas. Goiás é o único estado onde nenhuma escola relatou suspensão de aulas por violência. O Nordeste, como região, registra o maior índice agregado, com 11,6%.

