Saúde confirma morte de bebê por chikungunya, a 5ª em um mês
Nas últimas 24 horas, 352 novos casos suspeitos da doença foram notificados em Dourados

A Vigilância Epidemiológica da Secretaria Municipal de Saúde confirmou a chikungunya como causa da morte do bebê indígena de um mês de vida, ocorrida nesta terça-feira (24) em Dourados, a 251 km de Campo Grande. Com isso, chega a cinco o número de óbitos em decorrência da doença registrados de 25 de fevereiro até agora.
RESUMO
Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!
A Secretaria Municipal de Saúde de Dourados, Mato Grosso do Sul, confirmou a quinta morte por chikungunya em um mês. A vítima mais recente foi um bebê indígena de um mês, morador da Aldeia Jaguapiru, que faleceu na terça-feira no Hospital Universitário da UFGD. A doença já registrou 1.638 casos prováveis no município, com 780 confirmações. A Reserva Indígena de Dourados é o epicentro, com 1.396 notificações. O Ministério da Saúde autorizou a contratação emergencial de 20 agentes de combate a endemias e enviou equipes da Força Nacional do SUS para auxiliar no enfrentamento da situação.
Morador na Aldeia Jaguapiru, o menino começou a apresentar sintomas no dia 17 e morreu quando estava internado na UMC (Unidade da Mulher e da Criança) do HU-UFGD (Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados).
- Leia Também
- Saúde investiga morte de bebê de 1 mês com suspeita de chikungunya
- Com 98% de ocupação, Dourados ganha 15 leitos para casos de chikungunya
É o segundo bebê indígena vítima da doença. O outro também foi um menino, de 3 meses, que morreu no dia 10, 4 dias após apresentar os primeiros sintomas. Os outros óbitos foram duas mulheres de 60 e 69 anos e um homem de 73 anos, também moradores da reserva indígena.
O “Relatório Epidemiológico Diário do Monitoramento da Chikungunya”, divulgado nesta tarde pela Secretaria de Saúde, informa que 352 novos casos suspeitos foram registrados nas últimas 24 horas no município de Dourados. Já o total de casos prováveis saltou de 1.286 para 1.638. Agora são 780 confirmados, 218 descartados e 858 em investigação.
Também aumentou de 27 para 37 o total de pessoas internadas em decorrência de chikungunya. Seis estão no Hospital Porta da Esperança da Missão Caiuá, 26 no HU-UFGD, 3 no Hospital da Cassems, 1 no Hospital da Unimed e 1 no Hospital Evangélico.
A Reserva Indígena de Dourados continua sendo o epicentro da doença. De todos os casos notificados, 1.396 foram nas aldeias Bororó e Jaguapiru, mas a chikungunya já começou a se espalhar pelos bairros, principalmente no Jardim Jóquei Clube (região leste), com 129 notificações, e no Parque do Lago II (região oeste), onde 41 pacientes com sintomas da doença foram atendidos.
O município de Dourados está em emergência em saúde pública causada pela chikungunya. De acordo com a Vigilância Epidemiológica, a predominância ainda é na população indígena, mas a doença tem avançado para todo o município.
“Os dados apresentam expressivo aumento de casos e internações com início de sobrecarga nos atendimentos da rede de atenção primária e emergências, bem como na ocupação de leitos hospitalares. Outro fator preocupante é a taxa de positividade dos casos, que no momento está em 78,15%, ou seja, a grande maioria dos que têm sintomas e são testados apresentam resultado positivo para a doença”, afirma nota técnica da Secretaria de Saúde.

Mais agentes – Para intensificar as ações de prevenção e enfrentamento do aumento dos casos de chikungunya na Grande Dourados, o Ministério da Saúde autorizou, em caráter emergencial, a contratação de 20 agentes de combate a endemias. A pasta também está disponibilizando insumos, como larvicidas, para apoiar as ações, além de prever repasse de recursos para reforçar o trabalho.
Desde 18 de março, a FNS (Força Nacional do SUS) tem atuado no município, em parceria com o DSEI (Distrito Sanitário Especial Indígena) de Mato Grosso do Sul, com a Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente e com as secretarias de Saúde do estado e do município.
De acordo com a assessoria do Ministério da Saúde, no domingo (22) houve reforço das equipes, totalizando 21 profissionais, entre médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem, que atuam diretamente no território indígena.
A iniciativa tem como foco fortalecer a capacidade de atendimento, ampliar a resposta da rede de saúde e garantir assistência aos pacientes que necessitam de internação. “A atuação integrada permite ampliar a capacidade de resposta e garantir assistência à população com mais agilidade e eficiência”, afirmou o diretor da Força Nacional do SUS, Rodrigo Stabeli.
Na segunda-feira (23), diretores de hospitais da região e equipes técnicas se reuniram para alinhar ações voltadas à ampliação de leitos hospitalares, organização da regulação assistencial, fortalecimento do transporte sanitário e integração entre as redes pública e privada.
O Governo do Estado disponibilizou a estrutura do Hospital Regional de Dourados, enquanto unidades hospitalares do município indicaram a possibilidade de oferta de leitos para contratualização, conforme a necessidade assistencial.
A coordenadora-geral de Vigilância de Arboviroses do Ministério da Saúde, Lívia Vinhal, disse que a implantação das estações disseminadoras de larvicidas em Dourados está sendo considerada como uma das estratégias de controle vetorial, a partir de avaliação técnica do cenário local, de forma integrada às demais ações de campo.
“Nosso foco é reorganizar os fluxos, integrar os dados e direcionar melhor as equipes em campo. As estações disseminadoras são importantes, mas só terão impacto real se estiverem associadas à eliminação de criadouros e ao trabalho integrado entre município, estado e governo federal”, afirmou ela.
Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para acessar o canal do Campo Grande News e siga nossas redes sociais.

