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Porto Murtinho deixa de ser fim de linha e vira porta ao Pacífico, diz Nelsinho

Em seminário sobre o Sistema TIR, senador apresentou o avanço das obras e os ganhos de competitividade para MS

Por Jhefferson Gamarra e Izabela Cavalcanti | 05/03/2026 12:36
Porto Murtinho deixa de ser fim de linha e vira porta ao Pacífico, diz Nelsinho
Senador Nelsinho Trad durante apresentação no Bioparque (Foto: Izabela Cavalcanti)

A implementação do Sistema TIR (Transporte Internacional Rodoviário) e o avanço das obras da Rota Bioceânica devem transformar a logística de exportação de Mato Grosso do Sul e reduzir significativamente os custos do transporte de cargas que sairão do Brasil rumo ao Pacífico. A expectativa é de redução de até 40% nos custos logísticos e diminuição de aproximadamente 23% no tempo de viagem, o que representa cerca de 12 dias a menos no trajeto até mercados internacionais.

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A Rota Bioceânica e o Sistema TIR prometem revolucionar a logística de exportação em Mato Grosso do Sul, com redução de até 40% nos custos e diminuição de 23% no tempo de viagem. O corredor rodoviário ligará o Brasil ao Oceano Pacífico através do Paraguai, Argentina e Chile, partindo de Porto Murtinho. A ponte internacional entre Porto Murtinho e Carmelo Peralta, no Paraguai, está próxima da conclusão, com investimento de US$ 102,6 milhões. O projeto transformará a região em importante hub logístico, beneficiando especialmente os setores de celulose e carne bovina, além de facilitar o acesso aos mercados asiáticos através dos portos chilenos de Antofagasta e Iquique.

Os dados foram apresentados nesta quinta-feira (5), durante seminário realizado no Bioparque, em Campo Grande, que discutiu o uso do Sistema TIR como ferramenta para ampliar a competitividade do corredor rodoviário que ligará Brasil, Paraguai, Argentina e Chile. Durante o evento, o senador Nelsinho Trad (PSD) apresentou um panorama detalhado do projeto e dos impactos econômicos esperados para o Estado e para o país.

Logo no início da apresentação, o senador classificou a iniciativa como uma das mais relevantes do país na atualidade. “Ouso dizer que é a maior obra de infraestrutura sendo realizada hoje no Brasil”, afirmou.

O corredor rodoviário bioceânico ligará o Oceano Atlântico ao Pacífico, partindo de Porto Murtinho, em Mato Grosso do Sul, passando pelo norte do Paraguai e pela Argentina, até chegar aos portos de Antofagasta e Iquique, no Chile. A nova rota permitirá que produtos brasileiros alcancem com mais rapidez mercados da Ásia, Oceania e da costa oeste das Américas.

Durante a apresentação, Trad destacou que Mato Grosso do Sul passará a ocupar posição estratégica na logística internacional do país. “Mato Grosso do Sul está numa posição privilegiada e vai ser uma grande plataforma de conexão nacional”, afirmou.

Segundo ele, além de facilitar a exportação de produtos do Estado, o corredor permitirá redistribuir mercadorias para as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste do Brasil. Também abrirá espaço para a importação de insumos que poderão ser industrializados no Estado, criando novas cadeias produtivas, negócios e empregos.

Um dos exemplos citados pelo senador envolve o setor de celulose e carne bovina, áreas nas quais Mato Grosso do Sul já tem forte participação no comércio internacional. O Estado é hoje um dos principais produtores e exportadores desses produtos no país.

Porto Murtinho deixa de ser “fim de linha” - Um dos pontos mais enfatizados pelo senador foi a mudança de papel que Porto Murtinho terá no cenário econômico regional.

Trad lembrou que, historicamente, a cidade sempre foi considerada o ponto final da malha rodoviária brasileira naquela região. Com a Rota Bioceânica, o município passa a ocupar posição central no corredor logístico.

“Porto Murtinho sempre era tido como fim de linha. Agora ela vai ser o início do desenvolvimento. Vai ser um horizonte muito promissor para Mato Grosso do Sul e para o Brasil”, afirmou.

Segundo ele, os impactos econômicos já começam a aparecer no município. Entre os efeitos observados estão valorização imobiliária, crescimento de serviços ligados à logística e geração de empregos.

A infraestrutura local também começa a ser ampliada para atender a nova demanda. Entre os projetos citados está a construção de um pátio para 400 caminhões e a previsão de outro com capacidade semelhante no futuro.

Além disso, foi liberado recurso de R$ 400 mil junto ao Ministério do Desenvolvimento Regional para a elaboração de um novo plano diretor para a cidade.

Ponte internacional perto de conclusão - Um dos marcos da rota é a construção da ponte internacional que ligará Porto Murtinho a Carmelo Peralta, no Paraguai. A estrutura terá 680 metros de extensão e investimento estimado em US$ 102,6 milhões, com recursos da Itaipu Binacional.

Durante a apresentação, Trad afirmou que a obra se aproxima de um momento simbólico de conclusão.

“Não dá vontade de sair de lá porque está avançando. Está faltando poucos metros para haver o chamado ‘beijo da ponte’. Os dois lados vão se encontrar e esse sonho será realizado”, disse.

Segundo ele, a conclusão da ligação física entre os dois países representa um passo fundamental para tornar o corredor plenamente operacional.

Entre as principais vantagens da nova rota estão os ganhos logísticos. A expectativa é que o corredor reduza em cerca de 23% o tempo de transporte de cargas, o equivalente a aproximadamente 12 dias a menos em viagens internacionais.

No transporte marítimo, por exemplo, uma carga que sair do porto chileno de Antofagasta com destino a Xangai percorrerá cerca de 18,6 mil quilômetros, com tempo estimado de viagem de 42 dias. Rotas tradicionais que partem do Atlântico podem levar até 54 dias, dependendo do trajeto utilizado.

Outro fator destacado é o tempo de espera para atracação de navios. Nos portos brasileiros, como Santos, o tempo de espera pode ser até quatro vezes maior que nos portos chilenos de Antofagasta e Iquique.

Segundo estudo apresentado no seminário, hoje cerca de 60% das cargas exportadas por Mato Grosso do Sul passam pelos portos de Santos e Paranaguá. A nova rota deverá oferecer alternativa logística mais rápida e competitiva.

O senador também citou que, atualmente, quando a carne produzida em Mato Grosso do Sul chega ao Porto de Santos para exportação a países como Peru, Equador e Colômbia, enfrenta gargalos relacionados à baixa disponibilidade de navios. Ao utilizar os portos do Pacífico, esse problema tende a ser reduzido.

Outro ponto central do seminário foi o Sistema TIR, mecanismo internacional que simplifica o transporte rodoviário entre países.

Pelo modelo, a carga é lacrada no ponto de origem e permanece fechada durante todo o trajeto, sendo aberta apenas no destino final. Isso evita inspeções completas em cada fronteira e reduz a burocracia.

De acordo com dados apresentados no evento, a adoção do sistema poderá reduzir em até 92% o tempo de retenção nas aduanas e diminuir em cerca de 50% os custos associados ao processo logístico.

A convenção internacional que regulamenta o TIR foi aprovada na Comissão de Relações Exteriores do Senado em novembro de 2025 e deverá entrar em vigor no Brasil em julho deste ano. Países como Argentina, Chile e Uruguai já utilizam o sistema.

Para Trad, a adesão brasileira representa um passo decisivo para tornar o corredor mais competitivo no comércio internacional.

Porto Murtinho deixa de ser fim de linha e vira porta ao Pacífico, diz Nelsinho

Durante a apresentação, o senador também destacou o potencial de abertura de novos mercados a partir da consolidação da rota.

A China já é o principal destino das exportações de Mato Grosso do Sul, tendo absorvido cerca de US$ 11 bilhões em produtos do Estado entre 2022 e 2026, o equivalente a aproximadamente 37% das vendas externas.

Além disso, a América do Sul também aparece como parceira estratégica, com destaque para Argentina, Uruguai e Chile, responsáveis por cerca de US$ 4,6 bilhões em exportações no período.

Segundo Trad, a conexão direta com o Pacífico deve ampliar ainda mais essas relações comerciais.

Ele também citou oportunidades em áreas como a indústria de baterias para veículos elétricos, impulsionada pela demanda por lítio, mineral abundante no Chile e na Argentina  e o turismo, com rotas que ligam o Pantanal brasileiro aos cenários naturais do deserto do Atacama.

Projeto irreversível - Ao encerrar a apresentação, o senador afirmou que o corredor bioceânico já entrou em fase definitiva de consolidação.

“Isso é uma realidade. Não tem como voltar atrás mais. Vai acontecer”, afirmou.

Segundo ele, ainda existem ajustes e desafios institucionais e logísticos a serem resolvidos entre os países envolvidos, mas encontros como o seminário realizado em Campo Grande fazem parte do processo de construção dessa integração.

Para Trad, o projeto representa uma mudança estrutural na logística brasileira e uma oportunidade histórica para ampliar a competitividade do país no comércio global.