ACOMPANHE-NOS     Campo Grande News no Facebook Campo Grande News no X Campo Grande News no Instagram Campo Grande News no TikTok Campo Grande News no Youtube
FEVEREIRO, QUARTA  25    CAMPO GRANDE 28º

Capital

"Deu tremedeira", diz vizinho de casa que teve portão derrubado por motoboys

Motoboys derrubaram portão da casa de passageiro que agrediu colega horas antes

Por Dayene Paz e Geniffer Valeriano | 25/02/2026 10:51
"Deu tremedeira", diz vizinho de casa que teve portão derrubado por motoboys
Portão destruído na noite desta terça-feira. (Foto: Geniffer Valeriano)

A rua, que até então era sinônimo de tranquilidade na Vila Almeida, virou cenário de medo na noite desta terça-feira (24). Horas depois da agressão contra um motoboy de 29 anos, vários motoentregadores se reuniram em frente à casa do homem apontado como agressor e fizeram o chamado “randandandan” - buzinaço e acelerações simultâneas - antes de derrubarem o portão do imóvel.

RESUMO

Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!

Um motoboy de 29 anos foi agredido por um passageiro durante uma entrega na Vila Almeida, em Campo Grande. O incidente ocorreu na manhã de terça-feira, quando o entregador foi atacado após uma discussão sobre o local de desembarque. A vítima relatou ter sido golpeada com capacete e sofrido um mata-leão. Em resposta à agressão, dezenas de motoentregadores se reuniram em frente à residência do agressor durante a noite, realizando um protesto com buzinaço e danificando o portão do imóvel. O caso gerou medo entre os moradores do bairro, tradicionalmente tranquilo. A polícia foi acionada no primeiro incidente, mas não efetuou prisão por falta de flagrante.

A reportagem do Campo Grande News esteve no local. O portão ficou destruído e parte do muro também foi danificada. Vizinhos ainda tentavam entender o que havia acontecido.

Um morador de 70 anos, que preferiu não se identificar, conta que o susto foi imediato. “Eu estava assistindo televisão, mas eu e a mulher aqui ficamos apavorados. Minha cachorrinha, pequenininha, quase morreu de susto”, relata.

Segundo ele, o bairro sempre foi tranquilo. “Aqui é tranquilo, graças a Deus não tinha esse problema. Esse rapaz [agressor do motoboy] que chegou aí é o filho da dona. Acho que ele já aprontou alguma vez. E pior que lá dentro tinha a menina com a filhinha, e a senhora na outra casa junto com o filho. A senhora começou a passar mal com a situação”.

Questionado se o grupo chegou a invadir o imóvel, o vizinho responde: “Não, só quebraram. Quebraram, jogaram bomba lá dentro, aquele pipoco. A minha mulher, da minha idade, deu uma tremedeira".

A poucos metros dali, uma moradora de 36 anos também descreve o medo. “Eu achei que era aqui em casa que estavam acertando no meu portão. Ficamos apavorados. Foi de dar medo. Começou do nada e não ficaram muito tempo aqui. Pegou todo mundo de surpresa".

Sobre a noite depois da confusão, o receio permanece. “Eu dormi tranquilo, agora não sei eles, né? Porque ficou tudo aberto. É perigoso, vai que eles voltam também. Esse é o receio dos vizinhos", afirma outro morador.

O caso - A mobilização dos motoentregadores ocorreu horas depois de um motoboy de 29 anos relatar ter sido agredido na manhã de terça-feira (24), em frente a uma residência na Vila Almeida, em Campo Grande.

Segundo o trabalhador, a corrida começou no Aeroporto Internacional de Campo Grande e seguiu normalmente até o destino, por volta das 5h30. Ele afirma que, ao sair do ponto de desembarque, desceu pelo meio-fio porque havia uma mulher com uma criança na ciclovia. “Ele falou que normalmente os motoqueiros descem por ali. Eu respondi: ‘Mas você não viu a senhora e a criancinha?’ Depois disso fomos em silêncio”, contou.

Ainda conforme o motoboy, ao descer da motocicleta o passageiro teria derrubado o veículo de propósito. “Ele falou pros policiais que já tinha descido com a intenção de bater em mim, dar uma lição nos motoboys”, afirmou. O entregador relata que levou golpes com o capacete, teve os óculos de grau quebrados e sofreu danos na motocicleta. “Ele me pegou pela gola e eu apaguei. Só acordei jogado no chão”, disse.

Imagens gravadas por testemunhas mostram o momento em que ele recebe um golpe conhecido como mata-leão. Após recobrar a consciência, afirma que ainda foi ameaçado. “Ele falou que ia me matar se eu não saísse dali.”

A Polícia Militar foi acionada, mas, segundo a vítima, não houve prisão por falta de flagrante. O passageiro teria alegado legítima defesa.

Sobre o episódio da noite, quando o portão foi destruído, o motoboy agredido diz que não concorda com a atitude. “Não compactuei com o ocorrido, sou contra. Me chamaram e me neguei a participar, ainda pedi para não acontecer, mas os motoqueiros são assim, se protegem”, declarou.

Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para acessar o canal do Campo Grande News e siga nossas redes sociais.