Cheia de reclamações, fila por atendimento do IPTU se repete pelo 2º dia seguido
Contribuintes reclamam de aumentos, perda de isenção, erros nos boletos e falta de informação on-line
RESUMO
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Contribuintes enfrentam longas filas pelo segundo dia consecutivo na Central de Atendimento ao Cidadão de Campo Grande para resolver questões relacionadas ao IPTU. As principais queixas são sobre aumento do imposto, retirada de isenções e problemas com boletos sem identificação. A situação levou a Câmara Municipal a realizar uma reunião de urgência, interrompendo o recesso parlamentar. Entre as discussões, destacam-se a possibilidade de suspensão da cobrança e a limitação dos reajustes ao índice oficial de inflação de 5,32%.
Pelo segundo dia consecutivo, contribuintes enfrentaram longas filas em frente à Central de Atendimento ao Cidadão, na Rua Marechal Rondon, em Campo Grande. A fila se estendeu pelo estacionamento do prédio desde a madrugada desta terça-feira (6), com a maioria das pessoas tentando resolver problemas relacionados ao IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano).
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Entre as principais reclamações estão o aumento do valor do imposto, a retirada de isenções, boletos emitidos sem identificação do contribuinte e dificuldades de atendimento pelos canais digitais da Prefeitura.
O primeiro a chegar foi o vigilante Paulo César Marques, de 30 anos, que esteve no local às 3h30 acompanhado da mãe. Ele buscava informações sobre a isenção do IPTU, que a família já possuía, mas que não foi aplicada neste ano. “Falei que ia madrugar, senão ia tomar um chá de cadeira. Aproveitei que estou de férias e minha mãe é idosa, tem problema na perna e não pode ficar muito tempo em pé”, contou.
Segundo ele, o imposto pode chegar a cerca de R$ 800 caso a isenção não seja mantida. “Aumenta o IPTU, mas a rua está cheia de buracos. Fica pesado, ainda mais depois de pagar IPVA de carro e moto”, reclamou.
A administradora Luciana Lujan, de 50 anos, era a segunda da fila. Ela afirmou que o IPTU do imóvel da família subiu de cerca de R$ 800 no ano passado para R$ 1.028 em 2025. Segundo Luciana, o marido tentou atendimento na segunda-feira, mas desistiu diante do tamanho da fila. “A gente gasta muito com medicamentos, tenho diabetes e tomo remédios de depressão que não encontro no posto de saúde. Acabamos priorizando isso, mas o IPTU não pode atrasar”, explicou.
A secretária Andreia Marta, de 49 anos, moradora de um apartamento no Bairro Tiradentes, disse que o aumento ocorreu após a Prefeitura classificar a cobertura do imóvel como laje, embora, segundo ela, o forro seja de madeira desde sempre. O imposto subiu de valores entre R$ 400 e R$ 500 para R$ 777. “Tentei resolver pelo WhatsApp e por telefone, mas ninguém atende. A gente é obrigada a vir pessoalmente”, afirmou. Ela chegou por volta das 7h10 e já encontrou a fila extensa. A Central abre às 8h.

Moradora do Bairro Sayonara, a dona de casa Ramona Silva, de 67 anos, não reclama do valor do IPTU, que é de R$ 216, mas estranhou o boleto ter chegado sem o nome do contribuinte, apenas com o endereço. “No grupo do bairro todo mundo está reclamando. Vim conferir se está tudo certo”, afirmou.

Moradora do Residencial Oiti, Dalva de Freitas, de 60 anos, contou que não recebeu o boleto em casa, situação que, segundo ela, se repete todos os anos. “Nunca chega nada. Sempre tenho que vir aqui. Com esse aumento, a gente fica com medo da ‘cacetada’”, comentou. Ela paga pouco mais de R$ 300, mas vizinhos relataram reajustes que chegaram a R$ 700. Dalva afirmou que acompanha a discussão na Câmara Municipal e espera uma solução. “A gente tem que confiar, mas também brigar. Se não argumentar, não resolve nada.”
No Bairro Itamaracá, Maria Aparecida Farias, de 64 anos, relatou que perdeu a isenção após a construção de uma varanda coberta e aberta. “O construtor disse que não teria aumento, mas cobraram. Tirei foto de tudo para contestar”, disse. Segundo ela, o IPTU teve acréscimo de cerca de R$ 200.

Diante da repercussão, sobre o aumento do IPTU, a Câmara Municipal realizou, ontem, uma reunião de urgência para discutir os questionamentos sobre a cobrança. O encontro interrompeu o recesso parlamentar e reuniu vereadores, o jurídico da Casa, comerciantes, advogados independentes e representantes do Executivo, entre eles o secretário municipal de Governo e Relações Institucionais, Ulisses Rocha.
Entre os principais pontos debatidos estão a possibilidade de suspensão da cobrança, a limitação de reajustes ao índice oficial de inflação, o IPCA (Índice de preços ao consumidor), de 5,32%, e a cobrança por mais transparência, previsibilidade e comunicação antecipada à população. Também foi alvo de críticas a instabilidade no site da Prefeitura, que ficou fora do ar nos últimos dias e dificultou o acesso aos boletos e às informações pelos contribuintes. Assista, abaixo, ao vídeo que mostra a fila.

