Notificados, moradores do "Novo Carandiru" rejeitam auxílio
Agora, quem vive na rejeição pede ajuda para a Defensoria Pública
Os moradores do "Novo Carandiru", após receberem uma notificação de reintegração de posse do prédio no Bairro São Jorge da Lagoa na última terça-feira (1º), foram nesta sexta-feira (4) em frente ao prédio da Emha (Agência Municipal de Habitação de Campo Grande). O objetivo da visita era encontrar uma alternativa de moradia para as 18 famílias que moram no local desde 2016.
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Moradores do 'Novo Carandiru' em Campo Grande protestam em frente à Emha após receberem notificação de reintegração de posse. Eles buscam alternativa de moradia, mas rejeitaram auxílio de R0 por seis meses oferecido pela Emha. Sem acordo, moradores foram à defensoria pública. A Emha informou que as famílias foram cadastradas para projetos habitacionais e ofereceu o programa Recomeçar Moradia. A ordem de reintegração foi determinada pela Justiça após ação que se arrasta desde 2014, com famílias intimadas a deixar o local desde 2023.
Sem data para despejo, os moradores temem ter que sair das casas antes de ter outra alternativa de moradia. Após a visita à Emha, o problema dos moradores continua o mesmo. Por lá, foi ofertada a todas as famílias a participação no programa "Recomeçar Moradia", que seria um auxílio financeiro de R$ 500 por seis meses, mas nenhum morador aceitou.
É o caso da Lucimara de Souza, 46, auxiliar de caixa, que já mora no condomínio com o marido e o filho há oito anos. "Eu não vou aceitar, porque foi isso que falaram das outras vezes. Em maio de 2024, foram lá e falaram que faltava pouco para todos ganharem casa, aí agora querem que a gente saia e receba esse auxílio por seis meses, mas e depois?", desabafou a moradora.
Maria Pereira, 26 anos, mora no local há quatro anos com o marido e explicou que a medida não funciona para eles. "A gente não confia mais, eu já estou cadastrada aqui há anos, eles já falaram que tinha casa, agora negam. Por isso, vamos à Defensoria tentar alguma solução", explica Maria.
Como os moradores não aceitaram a proposta da Emha, vão se reunir em frente à Defensoria Pública ainda na tarde desta sexta-feira, buscando outra alternativa de moradia.
O que a Prefeitura diz – A equipe de reportagem do Campo Grande News esteve na Emha e tentou obter resposta sobre uma segunda alternativa depois de os moradores terem negado a proposta do órgão.
Sobre a reintegração, a ordem de posse foi determinada pela 6ª Vara Cível de Campo Grande e está relacionada a uma sentença definitiva de 2024, sem possibilidade de recursos.
A advogada Hilda Priscila, que representa a Construtora Degrau, esclareceu que as famílias haviam sido intimadas a deixar o local voluntariamente em setembro do ano passado, mas não cumpriram a determinação.
“A Prefeitura de Campo Grande fez o cadastro das famílias para atualização no sistema da Emha e a ideia era encaixá-las no programa de aluguel social. No entanto, elas não saíram e agora não há mais como esperar”, explicou.
O imóvel foi abandonado pela construtora em 2002, quando a obra foi paralisada por dificuldades financeiras, e desde então permanece incompleto. A ação de reintegração de posse vem se arrastando por anos, com a última tentativa de desocupação registrada em 2014, quando a construtora tentou retomar o imóvel após o cancelamento de sua falência.
A reportagem também questionou a Prefeitura a respeito da promessa da retirada das famílias. Por meio de nota, a Agência Municipal de Habitação e Assuntos Fundiários (Emha) informou que as famílias que se encontram no local foram devidamente cadastradas para viabilização de projetos habitacionais.
"Diante da situação, a Emha oferece o programa Recomeçar Moradia, garantindo assistência imediata e acompanhamento das famílias até que seja encontrada uma solução habitacional adequada", afirmou.
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