“Só pode ter sido Jesus”, diz assassino de pintor no São Jorge da Lagoa
Elias da Silva diz que não costumava andar armado, mas que teve a "sorte" de no dia agir em legítima defesa
“Só pode ter sido Jesus”, disse Elias da Silva, de 73 anos, durante interrogatório à Polícia Civil, ao tentar explicar por que estava armado no dia em que matou Geovani Oliveira Pimentel, de 42 anos. O caso aconteceu na manhã desta quinta-feira (1º), na Vila São Jorge da Lagoa, em Campo Grande. A vítima já havia cumprido pena por um homicídio ocorrido em 2003.
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Um idoso de 73 anos matou um pintor de 42 anos após uma suposta briga em Campo Grande. Elias da Silva alega legítima defesa e afirma que foi agredido por Geovani Oliveira Pimentel sem motivo aparente. O suspeito portava um revólver calibre 32, que segundo ele, era herança do pai e estava sendo carregado pela primeira vez. A vítima possuía antecedentes criminais, tendo cumprido pena de 13 anos por homicídio em 2003. O caso ocorreu na Vila São Jorge da Lagoa, onde Geovani foi atingido por disparos e não resistiu aos ferimentos, falecendo por traumatismo craniano e choque hemorrágico na Santa Casa.
Preso em flagrante, o idoso afirmou que não conhecia a vítima e que teria sido agredido sem qualquer motivo. “Eu não era para estar vivo. Aquele cara ia me matar”, disse. Segundo ele, caminhava pela rua quando Geovani jogou um copo com bebida alcoólica em seu rosto.
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Ainda na versão dele, Elias disse que foi agredido com chutes, socos e pontapés, além de ter sido atingido por uma pedra e uma garrafa. O idoso afirmou que tentou fugir, mas foi perseguido e ameaçado. “Falou que ia arrebentar minha cabeça”, contou à polícia.
Elias garantiu que portava um revólver herdado do pai e que só naquele dia teria colocado a arma no bolso. “Usei a arma para me defender. Se eu não faço aquilo, ele tinha me matado”, afirmou. Questionado se costumava andar armado, respondeu que não. “Nem sei o que aconteceu. Só pode ter sido Jesus, que eu peguei [a arma] e coloquei no bolso. Primeiro dia que eu carreguei”, disse.
O idoso relatou ter efetuado dois disparos. Após o segundo tiro, segundo ele, a vítima caiu e ele foi embora para casa. Elias afirmou que não acionou a polícia porque “não dava tempo”.
De acordo com o delegado responsável pelo caso, Felipe Madeira, o suspeito alegou legítima defesa, mas não conseguiu explicar com clareza como a briga começou nem detalhar a suposta agressão inicial. Elias foi localizado com lesões superficiais e caminhando com dificuldade.
Durante as buscas na residência do idoso, os policiais apreenderam um revólver calibre 32, com três munições deflagradas, e uma espingarda calibre 22 sem numeração aparente. Geovani foi socorrido e encaminhado à Santa Casa, mas não resistiu. O laudo médico apontou traumatismo craniano e choque hemorrágico como causa da morte. Elias ainda não passou por audiência de custódia.
O Campo Grande News tentou contato com a família de Giovane, que não quis conversar com a reportagem.
Caso anterior - O pintor Geovani Oliveira Pimentel, de 42 anos, já havia cumprido pena por um homicídio ocorrido em 2003. Conforme apurado pela reportagem, ele foi denunciado junto com outras cinco pessoas pelo assassinato de Márcio Lima Maciel e pela tentativa de homicídio contra Alex Rocha.
De acordo com os autos do processo aos quais o Campo Grande News teve acesso, o grupo era apontado como integrante de uma gangue que atuava no Bairro Tijuca. O crime ocorreu em 14 de outubro daquele ano, na Rua Virgílio de Farias, na Vila Kely, e teria sido motivado por uma rixa envolvendo uma pipa.
Ainda conforme o processo, ao perceber a aproximação do grupo, a vítima tentou se esconder em uma casa mas foi seguida pelos acusados. Houve briga e Márcio e Alex foram baleados. O grupo também teria efetuado tiros contra pessoas que estavam no imóvel e arremessado um sofá contra a janela, que acabou quebrada
Em depoimento à polícia à época, Geovani afirmou ter visto um dos integrantes da gangue, conhecido pelo apelido de “Gago”, portando a arma. Ele disse que estava presente no momento da confusão, quando decidiram “fechar” a vítima. Pelo crime, Geovani foi condenado a 13 anos de prisão.
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