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Economia

Para reverter tarifa da carne, Brasil quer assumir cota de outros países à China

Chineses estabeleceram limite de exportação para países e quem exceder o que foi definido será tarifado em 55%

Por Izabela Cavalcanti | 02/01/2026 10:17
Para reverter tarifa da carne, Brasil quer assumir cota de outros países à China
Carne bovina em expositor de supermercado (Foto: Reprodução/Agência de Notícias do Governo de Mato Grosso do Sul)

Após a aplicação da tarifa adicional de 55% sobre os volumes de carne bovina exportados acima da cota estabelecida pela China, o Brasil quer propor ao país asiático a flexibilização desses limites.

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O Brasil buscará negociar com a China a flexibilização das cotas de exportação de carne bovina, após a implementação de uma tarifa adicional de 55% sobre volumes que excedam os limites estabelecidos. A medida, que entrou em vigor em 1º de dezembro, permanecerá até 2028. O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, propõe que o Brasil assuma cotas não utilizadas por outros países. Para 2026, a cota brasileira será de 1,106 milhão de toneladas, aumentando gradualmente nos anos seguintes. O país também explora novos mercados, como México, Vietnã e Malásia, e considera acionar a OMC contra a salvaguarda chinesa.

A medida de salvaguarda começou a valer na quinta-feira (1º) e terá duração de três anos, com vigência até 31 de dezembro de 2028.

Em entrevista ao Estadão/Broadcast, o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, disse que a proposta é assumir cota de países que não conseguirem cumprir.

“As cotas foram estabelecidas de maneira igual para todo mundo (com base no market share de mercado de importação dos últimos três anos). O que vamos tratar com a China é se um país tem uma cota e não conseguir cumprir, o Brasil pode assumir essa cota. Os Estados Unidos, por exemplo, não exportaram à China em 2025”, disse o ministro. Essas negociações devem ser discutidas com a China ao longo do próximo ano.

Ainda de acordo com Fávaro, o Brasil está preparado para enfrentar mudanças comerciais com 29 aberturas de novos mercados para a carne bovina, como: México, Vietnã e Malásia.

“O que superar a cota de 1,106 milhão de toneladas vamos remanejar a outros mercados. Estamos confiantes na abertura do mercado japonês para a carne bovina brasileira em março do ano que vem”, completou.

Ele também disse que existe a possibilidade de o Brasil acionar a OMC (Organização Mundial do Comércio) contra a salvaguarda chinesa.

Regra - Para o Brasil, a cota inicial será de 1,106 milhão de toneladas em 2026. Em 2027, o limite sobe para 1,128 milhão de toneladas e, em 2028, para 1,154 milhão de toneladas.

Outros grandes fornecedores também foram incluídos na salvaguarda. A Argentina terá cota de 511 mil toneladas no próximo ano; o Uruguai, 324 mil toneladas; a Nova Zelândia, 206 mil toneladas; a Austrália, 205 mil toneladas; e os Estados Unidos, 164 mil toneladas.

De acordo com a Balança Comercial, a China foi o maior parceiro comercial de Mato Grosso do Sul em 2025, com a compra de US$ 1,991 bilhão em soja, US$ 1,579 bilhão em celulose e US$ 711,9 milhões em carne bovina.

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