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Interior

Avião descarrega droga na fronteira, ignora interceptação aérea e foge

Aeronave pousou em pista clandestina perto de Coronel Sapucaia e escapou após tiros de alerta

Por Gustavo Bonotto e Helio de Freitas, de Dourados | 06/02/2026 19:52

Aeronave usada por traficantes pousou em uma pista clandestina em uma fazenda na região de Capitán Bado, no Paraguai, descarregou entorpecentes e fugiu após interceptação de aviões Super Tucano do Exército paraguaio. A ação ocorreu próximo à fronteira com Coronel Sapucaia, a 396 quilômetros de Campo Grande, mesmo após disparos de advertência feitos no ar.

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Um avião utilizado por traficantes pousou em uma pista clandestina em Capitán Bado, Paraguai, próximo à fronteira com Coronel Sapucaia (MS), descarregou entorpecentes e conseguiu fugir, mesmo após tentativa de interceptação por aeronaves Super Tucano do Exército paraguaio.A operação colocou em risco trabalhadores rurais que colhiam soja nas proximidades. A carga, possivelmente cocaína, foi rapidamente recolhida por homens em caminhonetes antes da chegada das forças terrestres. O incidente reacende o debate sobre a ausência da Lei do Abate no Paraguai.

Segundo autoridades paraguaias, o avião realizou um pouso improvisado dentro da propriedade rural, onde deixou fardos de droga, possivelmente cocaína. Homens em caminhonetes recolheram a carga logo após o descarregamento e deixaram o local antes da chegada das forças em solo.

A operação colocou trabalhadores rurais em risco, já que a descarga ocorreu a poucos metros de pessoas que colhiam soja na fazenda. Durante toda a ação, as aeronaves militares sobrevoaram a área, mas não conseguiram impedir a retirada da droga nem deter o piloto.

O episódio aconteceu poucos dias depois de um caso semelhante na fronteira. Na semana passada, um avião com matrícula boliviana rompeu o acompanhamento aéreo no Paraguai e pousou em uma fazenda em Porto Murtinho, já em território brasileiro.

Essa aeronave foi parcialmente desmontada e retirada do local nesta sexta-feira (6). A operação contou com a atuação conjunta da PF (Polícia Federal), da PM (Polícia Militar) e da Receita Federal, que levaram o avião em um guincho até Campo Grande.

As autoridades paraguaias agora buscam identificar e localizar os homens que receberam a droga em Capitán Bado. O caso reforça críticas internas sobre a eficácia da interceptação aérea no país.

Militares apontam que a ausência da chamada Lei do Abate no Paraguai dificulta ações mais duras contra aeronaves suspeitas. A limitação, segundo eles, favorece a atuação de grupos criminosos que usam o espaço aéreo para o tráfico internacional de drogas. O texto chegou a tramitar na Câmara dos Deputados, mas foi vetado.