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Interior

Estudante de veterinária é denunciada após ser filmada castrando gato com faca

Imagens circularam nas redes sociais e levaram ao registro de boletim de ocorrência nesta terça-feira

Por Bruna Marques | 11/02/2026 12:58


RESUMO

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Uma estudante de Medicina Veterinária, de 21 anos, está sendo investigada por maus-tratos a um gato em Dourados, Mato Grosso do Sul. Um vídeo que circulou nas redes sociais mostra a jovem realizando uma castração em condições inadequadas, sem anestesia e utilizando uma faca, enquanto a tutora do animal o segurava com uma toalha. O caso gerou forte reação de entidades de proteção animal, que formalizaram denúncias junto às autoridades. A Unigran, instituição onde a estudante cursa o 9º semestre, informou que realizará apuração interna. O Conselho Regional de Medicina Veterinária também acompanha o caso, que configura exercício ilegal da profissão.

Vídeo que circulou rapidamente pelas redes sociais colocou uma estudante de Medicina Veterinária de 21 anos no centro de uma investigação por maus-tratos a um gato em Dourados, a 251 quilômetros de Campo Grande. As imagens mostram a realização de um procedimento de castração em condições consideradas inadequadas. O boletim de ocorrência foi registrado na tarde desta terça-feira (10).

Conforme o registro policial, um médico veterinário do CCZ (Centro de Controle de Zoonoses), procurou a delegacia após receber o vídeo no telefone funcional da instituição. No relato, ele descreve que uma mulher segura o animal com uma espécie de toalha enquanto outra realiza a castração usando uma faca.

Ainda segundo o boletim, é possível ver que não há uso de medicação ou anestésico e que o local e os meios não seriam compatíveis com atividade legal. Ao fim, o vídeo mostra a exibição do que foi retirado do animal. A pessoa que encaminhou o material teria afirmado que a autora do procedimento seria uma aluna do 9º semestre de Medicina Veterinária da Unigra (Centro Universitário da Grande Dourados).

Reação de protetores e mobilização - A gravação se espalhou rapidamente e provocou reação de protetores independentes e entidades de defesa animal. Em nota publicada nas redes sociais, organizações repudiaram a conduta atribuída à estudante e também à tutora do animal.

O texto afirma que “castração é um procedimento cirúrgico que exige preparo técnico, supervisão profissional, ambiente apropriado e respeito absoluto à vida”. A nota diz ainda que o caso “atinge diretamente a imagem da medicina veterinária”, profissão que, segundo os protetores, é baseada em ciência, ética, responsabilidade sanitária e compromisso com a dor e o sofrimento dos pacientes.

As entidades cobram apuração rigorosa pela instituição de ensino, com medidas disciplinares, e questionam como órgãos de fiscalização profissional vão agir diante de condutas que, ainda na graduação, indicariam desrespeito a normas básicas. O texto conclui que “maus-tratos e exercício irresponsável da profissão não podem ser normalizados” e informa que a denúncia está sendo formalizada com provas e identificação dos envolvidos.

Nas redes sociais, a vereadora Karla Gomes (Podemos) publicou um vídeo afirmando que procurou o coordenador do curso, que também seria presidente do CRMV (Conselho Regional de Medicina Veterinária), e que recebeu a informação de que medidas legais dependem de denúncias formalizadas.

No pronunciamento, ela diz que as associações de Dourados se uniram para denunciar e que, como a envolvida “não é médica veterinária formada”, a responsabilização ocorreria por meio do Ministério Público, e pela polícia. “Nós queremos, sim, justiça, mas não queremos ódio”, disse. Ela também afirmou que seguirá acompanhando o caso com associações locais e defendeu conscientização e educação como parte da proteção animal.

O Campo Grande News conversou com uma protetora de animais na tarde desta quarta-feira. Segundo Marcia Ramos de 57 anos, o vídeo começou a chegar em sequência no celular de integrantes da rede de proteção, acompanhado de mensagens dizendo que “isso aqui não é maus-tratos, não dá denúncia”. Ela afirmou que se reuniu com outras organizações para checar autenticidade e, após confirmar o material e identificar o nome da suspeita, decidiu ir à delegacia.

A protetora relatou que o grupo dividiu tarefas e que ela foi para registrar ocorrência, mas encontrou o boletim já feito pelo veterinário do CCZ. Para ela, isso teve peso porque “é um órgão público cobrando uma ação da polícia”. Ela também disse que o caso expõe um problema recorrente para a causa animal, citando ataques e tentativas de deslegitimar protetores. Ainda assim, sustentou que a crítica deve recair sobre a conduta individual da estudante, não sobre a universidade: “A ética é dela. O erro é dela. Ela faz uma faculdade na área e mesmo assim fez isso”.

Ela afirmou ainda que, por se tratar de alguém que estuda Medicina Veterinária, a expectativa seria de respeito ao procedimento em ambiente adequado, com anestesia e condições sanitárias. A protetora disse ter entendido que o vídeo teria sido enviado a um grupo fechado de amigos em rede social, e que alguém do grupo teria vazado o material, o que acelerou a viralização na cidade.

Segundo o relato, as organizações encaminharam um documento à Unigran assinado por três entidades: Associação Refúgio dos Bichos, Associação AMA e ONG Anjos de Rua. Ela afirmou que buscou o boletim para conferir detalhes e que uma das preocupações do grupo é a origem de eventual anestésico, caso a suspeita alegue ter usado, já que se trata de produto controlado e, conforme o relato, não é vendido a qualquer pessoa. O grupo avalia pedir que esse ponto seja anexado ao boletim, para que a investigação apure eventual aquisição e origem do produto, se essa versão for levantada.

No vídeo, o animal aparece contido pela tutora enquanto a estudante realiza o procedimento. O registro inclui reação de dor do animal e, ao final, gestos de comemoração. A gravação também mostra a estudante sorrindo para a câmera, com música ao fundo, identificada como “Undererê”, de Inez Brasil.

O que dizem a Unigran e o CRMV - Em nota oficial, a universidade informou que tomou conhecimento do vídeo envolvendo estudante do curso de Medicina Veterinária e afirmou que o fato teria ocorrido fora das dependências institucionais, “sem qualquer vínculo com atividades acadêmicas, estágios supervisionados, clínicas escola ou projetos” da instituição.

Disse que não autoriza, não supervisiona e não chancela procedimentos clínico-cirúrgicos por discentes fora de ambiente técnico adequado, estrutura apropriada e acompanhamento profissional habilitado.

A universidade afirmou compromisso com formação técnica, ética e responsável, com observância de diretrizes curriculares, normas de conselhos profissionais e regimento interno. Informou ainda que fará apuração interna, assegurando devido processo, contraditório e ampla defesa, e declarou estar à disposição das autoridades.

O CRMV informou que tomou conhecimento do vídeo e que acompanha o caso dentro de suas atribuições legais. A nota afirma que o vídeo evidencia a realização de ato privativo de médico veterinário por pessoa não formada, não habilitada e não registrada no CRMV-MS, o que configuraria exercício ilegal da profissão, com base na Lei 5.517/1968 (arts. 5º e 6º) e no art. 47 da Lei das Contravenções Penais.

O conselho disse que fiscaliza o exercício da Medicina Veterinária e da Zootecnia no Estado, zelando pela ética, pelo bem-estar animal e pela saúde pública, e que, havendo indícios de ilícitos penais, a apuração e sanções cabem às autoridades de segurança pública e ao Ministério Público.

O documento informa que, com a denúncia formalizada nos canais do CRMV, o caso é registrado e encaminhado a autoridades como o Ministério Público e a Decat (Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Ambientais e Atendimento ao Turista) para providências.

O conselho também afirmou que envio isolado de prints e mensagens em redes sociais não é suficiente e que é indispensável formalizar a denúncia por canais oficiais, com evidências como link do vídeo, data e hora, local, identificação dos envolvidos e documentos que ajudem a apuração. O comunicado diz ter caráter informativo e não substitui a atuação policial, ambiental e do Ministério Público.

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