ONG convoca população a mapear ocorrência e desaparecimento do tatu-bola
Questionário busca atualizar distribuição da espécie ameaçada no Pantanal e no Cerrado
Moradores de Mato Grosso do Sul estão sendo convocados a ajudar a ciência a responder a seguinte pergunta: onde o tatu-bola ainda existe e onde ele já desapareceu? O ICAS (Instituto de Conservação de Animais Silvestres) lançou nesta quarta-feira (11) um questionário nacional para registrar a ocorrência e a ausência do tatu-bola (Tolypeutes matacus), espécie atualmente classificada como “Em Perigo”.
RESUMO
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O ICAS (Instituto de Conservação de Animais Silvestres) está convidando moradores do Pantanal e do Cerrado de Mato Grosso do Sul a participar de um questionário nacional para mapear a ocorrência e o desaparecimento do tatu-bola, espécie classificada como "Em Perigo". A iniciativa visa preencher lacunas sobre a distribuição da espécie, afetada por incêndios recentes que queimaram mais de 50% de seu habitat. O questionário, aberto a peões, produtores rurais e moradores locais, busca informações sobre avistamentos ou ausência do animal. Os dados serão usados no Plano de Ação Nacional para Conservação, coordenado pelo ICMBio, e ajudarão a definir medidas urgentes de proteção. O tatu-bola, conhecido por se enrolar em forma de bola, é uma espécie discreta e noturna, o que dificulta seu monitoramento.
No Brasil, o tatu-bola ocorre apenas em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, principalmente no Pantanal, em áreas de transição com o Cerrado e em regiões remotas ainda pouco monitoradas. Os dados vão subsidiar o Plano de Ação Nacional para a Conservação do Tamanduá-bandeira, Tatu-canastra e Tatu-bola, que será coordenado pelo ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) em maio de 2026.
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Segundo o presidente do ICAS, Arnaud Desbiez, a iniciativa busca preencher uma das maiores lacunas para a conservação da espécie, que é saber exatamente onde ela ainda ocorre e onde deixou de ser registrada. “A ausência também é um dado extremamente valioso, porque pode ajudar a entender quais ameaças estão atuando em cada região”, afirma.
A preocupação aumentou após a reavaliação da Lista Vermelha Nacional, quando o tatu-bola saltou de “Quase Ameaçado” para “Em Perigo”. A mudança está associada principalmente aos incêndios recorrentes a partir de 2020, que atingiram fortemente o Pantanal e áreas do Cerrado. Estima-se que mais de 50% da área de ocorrência da espécie nos dois estados tenha sido queimada nos últimos anos, levantando a hipótese de extinções locais.

Espécie discreta - Noturno e de comportamento discreto, o tatu-bola costuma ficar ativo entre cinco e seis horas por dia, principalmente na primeira metade da noite, o que dificulta registros visuais. Estudos também apontam diferenças de comportamento entre machos e fêmeas, como áreas de vida maiores para os machos e ausência de sobreposição entre fêmeas.
O tatu-bola é a única espécie de tatu capaz de se enrolar completamente, formando uma bola como estratégia de defesa. Essa característica o diferencia de outras espécies frequentemente confundidas com ele, como o tatu-rabo-mole, que não se enrola e cava túneis rapidamente quando ameaçado.
Questionário - A pesquisadora de coexistência humano-fauna do ICAS, Mariana Catapani, explica que o questionário foi pensado para alcançar quem vive e trabalha no campo. Podem participar peões, brigadistas, guias, produtores rurais, técnicos, cozinheiras e moradores em geral, mesmo aqueles que nunca tenham visto o animal recentemente.
As informações coletadas serão analisadas por um grupo de trabalho coordenado pelo ICMBio e vão orientar desde novas pesquisas e monitoramento até ações emergenciais de proteção do habitat. “Esse é o primeiro passo. A partir do mapa de distribuição, será possível definir quais ações são urgentes”, conclui Desbiez.
Como participar - O questionário está aberto ao público e pode ser respondido por qualquer pessoa que tenha informações sobre a presença ou ausência do tatu-bola em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
Os registros podem ser feitos pelo formulário online. Também é possível enviar informações pelo e-mail: registros.tatubola@gmail.com .
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