Vírus da raiva circula em morcegos, mas último caso humano foi há 11 anos em MS
Vítima era um morador de Corumbá de 38 anos que chegou a ficar internado em Campo Grande

O primeiro caso de raiva animal confirmado no ano, em Campo Grande, foi divulgado nesta segunda-feira (9) pela Sesau (Secretaria Municipal de Saúde). O infectado é um morcego que uma moradora do Bairro Vivendas do Bosque encontrou caído. No ano passado, houve 11 confirmações nesses animais voadores.
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Os últimos 12 casos positivos indicam que o vírus que causa a doença, o Lyssavirus, continua circulando, embora sem registros recentes em outros animais ou pessoas. Não há motivo para ter pânico, desde que cuidados e a vacina para pets não sejam deixados de lado.
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"A nossa preocupação é que o vírus está presente, independentemente se está sendo identificado apenas em morcegos, pois pode ser transmitido para qualquer outro mamífero, inclusive o humano", explica a coordenadora do CCZ (Centro de Controle de Zoonoses) da Capital, Maria Aparecida Conche Cunha. Ela acrescenta que manter a vacinação antirrábica anual em cães e gatos e evitar encostar em morcegos encontrados no chão ou que apresentem outro comportamento anormal são as principais medidas de prevenção.
O último caso positivo em animal doméstico em Campo Grande foi notificado em 2011, em um cão. O animal apresentou variante do vírus compatível com a que pode ser carregada pelos morcegos.
Histórico - Em Mato Grosso do Sul, o registro mais recente da doença em humanos ocorreu em 2015, de acordo com monitoramento do Ministério da Saúde. A vítima foi um homem de 38 anos, de Corumbá, mordido por um cachorro. O morador do interior foi transferido para o Humap (Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian), na Capital, e ficou internado por um período, mas não resistiu.
A raiva pode se manifestar como doença em pessoas lambidas, mordidas ou arranhadas por animais infectados pelo Lyssavirus, sejam eles morcegos, cães, gatos ou outros animais, especialmente silvestres.
A doença afeta o cérebro e é quase sempre fatal. Entre os sintomas suspeitos em humanos estão sensação de angústia, inquietude, febre, dor de cabeça e mal-estar geral, podendo evoluir para espasmos musculares, delírios e convulsões nos quadros mais graves.
No Estado e no País - Antes do último caso no Estado, confirmado há mais de 11 anos, houve um em 1994. A doença também foi transmitida por um cachorro. A vítima morava na área rural de Três Lagoas, de acordo com levantamento realizado para a dissertação “Raiva Humana no Brasil, 1992-2001”, de Francisco Anilton Alves Araújo, apresentada à UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais).
Na última década, o Brasil reduziu drasticamente o número de casos em cães e gatos com raiva por meio de campanhas de vacinação antirrábica e outras medidas preventivas. Apesar desse avanço, os serviços de saúde lidam com o aumento de casos em humanos causados por variantes do vírus rábico em animais silvestres, principalmente morcegos, conforme o Ministério da Saúde. Em 2025, foram registrados dois casos de raiva humana que fugiram desse padrão: um no Ceará e outro em Pernambuco, ambos tendo vítimas infectadas por macacos saguis.
Vacinação - O CCZ disponibiliza vacina antirrábica gratuitamente a cães e gatos, com agentes indo de casa em casa para imunizar os pets. No caso em que não há pessoas na residência no momento da visita, a orientação dada é para que o tutor leve o animal até a sede do CCZ, que fica aberta das 7h às 21h, inclusive aos finais de semana e feriados, e está localizada na Avenida Senador Filinto Müller, 1601, em Campo Grande.
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