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Capital

Assassino de Vanessa será interrogado em 9 de março: 1 ano depois de feminicídio

TJ divulgou nota para esclarecer a tramitação do processo e grupo fará ato em memória da jornalista

Por Aline dos Santos | 11/02/2026 11:37
Assassino de Vanessa será interrogado em 9 de março: 1 ano depois de feminicídio
Retrato da jornalista Vanessa Ricarte em ato do Dia da Mulher, em Campo Grande. (Foto: Clara Farias)

Na iminência de completar um ano do feminicídio da jornalista Vanessa Ricarte, o TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul) divulgou nota de esclarecimento nesta quarta-feira (dia 11) apontando que o caso teve tramitação mais lenta por conta dos recursos.

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O Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul marcou para 9 de março o interrogatório de Caio Cesar Nascimento Pereira, acusado do feminicídio da jornalista Vanessa Ricarte. O crime completa um ano em fevereiro de 2026, e o processo teve tramitação mais lenta devido a diversos recursos judiciais. Vanessa, de 42 anos, foi assassinada pelo ex-noivo em 12 de fevereiro de 2025, horas após buscar proteção na Delegacia da Mulher. A jornalista foi esfaqueada três vezes na entrada de sua residência, no Bairro São Francisco, antes mesmo de receber a medida protetiva que havia solicitado.

A próxima etapa será em 9 de março, quando será feito o interrogatório do réu Caio Cesar Nascimento Pereira, ex-noivo de Vanessa, e ouvida uma vítima.

Na nota, o TJ informa que o processo segue em andamento regular na 1ª Vara do Tribunal do Júri de Campo Grande.

“Desde o oferecimento da denúncia pelo Ministério Público, em fevereiro de 2025, o processo passou por diversas etapas previstas em lei, como apresentação de defesa, realização de audiências e análise de pedidos feitos pelas partes. Ao longo desse período, foram interpostos vários recursos, o que acabou prolongando a tramitação do processo”, aponta o comunicado.

Conforme o titular da 1ª Vara do Tribunal do Júri, o juiz Carlos Alberto Garcete, via de regra, processos de feminicídio têm tramitação mais rápida e recebem tratamento prioritário no Judiciário. No entanto, o caso se tornou uma exceção, em razão do grande volume de recursos e incidentes processuais, que precisaram ser analisados tanto pelo juízo de primeiro grau quanto pelo TJMS.

“Esses recursos foram analisados e incluíram, entre outros pontos, discussões sobre o recebimento da denúncia, inclusão de novos crimes, acesso a mídias apreendidas e pedidos de esclarecimentos por meio de embargos de declaração. Durante esse tempo, o processo precisou aguardar decisões de instâncias superiores, o que impactou o andamento”, informa o magistrado.

Um ato em memória de Vanessa, convocado nas redes sociais, foi marcado para amanhã, a partir das 16h, em frente ao Tribunal do Júri de Campo Grande. O pedido é que as pessoas trajem preto em sinal de luto. “Um ano sem Vanessa Ricarte. A saudade é diária, a dor é coletiva e a luta por Justiça não pode esperar”.

Assassino de Vanessa será interrogado em 9 de março: 1 ano depois de feminicídio
Caio esconde o rosto ao sair da sala de audiência da 1ª Vara do Tribunal do Júri. (Foto: Osmar Veiga).

A defesa de Caio afirma que o caso teve recurso do Ministério Público e produção de perícias. “Tudo isso contribuiu para que a demorasse mais. O interrogatório de todo acusado é o último ato no processo. Existe uma ordem lógica: testemunha de acusação, vítimas, testemunhas de defesa e, por fim, o réu. Hoje, temos perícias encerradas, e recursos que já foram julgados pelo tribunal, então, ele volta pro seu curso normal”, diz o advogado Renato Franco.

Denúncia e morte - Vanessa Ricarte, de 42 anos, foi assassinada no dia 12 de fevereiro de 2025 pelo ex-noivo, o músico Caio Cesar Nascimento Pereira. Horas antes do crime, ela havia procurado a Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher) para denunciar violência e solicitar medida protetiva de urgência.

Ela relatou episódios de agressão e ameaças, mas, segundo familiares, não recebeu acolhimento adequado. Em um áudio enviado a um amigo no mesmo dia, a jornalista contou que foi atendida de forma “fria e seca” e orientada a voltar para casa, sem garantia de segurança.

O caso provocou forte repercussão nacional e questionamentos sobre os protocolos de atendimento a mulheres em situação de risco.

A decisão judicial que determinava o afastamento do agressor ainda não havia sido comunicada quando Vanessa foi atacada. Ela foi esfaqueada três vezes na entrada da casa onde morava, no Bairro São Francisco.

Assassino de Vanessa será interrogado em 9 de março: 1 ano depois de feminicídio
Caio e Vanessa, em foto publicada nas redes sociais. (Foto: Reprodução)

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