ACOMPANHE-NOS     Campo Grande News no Facebook Campo Grande News no X Campo Grande News no Instagram Campo Grande News no TikTok Campo Grande News no Youtube
FEVEREIRO, QUARTA  11    CAMPO GRANDE 30º

Economia

Acordo entre Mercosul e UE promete concentrar bilhões ao agro de MS

Negociação de livre comércio é vista como 'enorme oportunidade' para o agronegócio e indústria do Estado

Por Guilherme Correia | 11/02/2026 10:51
Acordo entre Mercosul e UE promete concentrar bilhões ao agro de MS
Maquinário recolhe produção de soja em MS (Foto: Álvaro Rezende/Segov)

Os senadores Nelsinho Trad (PSD) e Tereza Cristina (PP) se reuniram com o vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB), na manhã desta quarta-feira (11), em Brasília (DF). Eles defenderam os potenciais benefícios do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia (UE) para o Brasil, o que traria impacto direto para Mato Grosso do Sul. O tratado, que integra dois dos maiores blocos econômicos do mundo, abre perspectivas de ampliar mercados para produtos sul-mato-grossenses, especialmente nos setores agrícola e industrial.

RESUMO

Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!

O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia promete impulsionar significativamente a economia de Mato Grosso do Sul, especialmente no setor agropecuário. Em reunião com o vice-presidente Geraldo Alckmin, os senadores Nelsinho Trad e Tereza Cristina discutiram os benefícios do tratado, que envolve um mercado de US$ 22 trilhões e 720 milhões de consumidores. Dados de 2025 mostram que a UE foi o segundo maior destino das exportações sul-mato-grossenses, com US$ 1,3 bilhão em produtos, sendo 95% do agronegócio. O Estado projeta crescimento de 10% na balança comercial nos próximos dois anos, com destaque para celulose, soja e carnes, embora existam preocupações com setores sensíveis como leite e vinhos.

Alckmin destacou que se trata do "maior acordo entre blocos do mundo" e reforçou que há "uma enorme oportunidade de vender produtos brasileiros e atrair investimento para o Brasil".

Ele afirmou que o acordo com o bloco de 27 países, com cerca de 720 milhões de consumidores e mercado de cerca de US$ 22 trilhões, representa "uma enorme oportunidade de vender produtos brasileiros e atrair investimento para o Brasil".

O vice-presidente ressaltou que se trata de um "trabalho longo, difícil, mas que foi finalmente assinado" e que há otimismo para aprovar o texto no Congresso até o fim de fevereiro.

Alckmin também destacou que o comércio exterior "é emprego, é renda, é oportunidade" e citou o recorde de exportações brasileiras no ano passado, com quase US$ 429 bilhões, como indicador de potencial de crescimento com o novo acordo. Ele frisou ainda que "alguns tipos de indústria sem comércio exterior não existem" e exemplificou que "a Embraer não existiria se não exportasse para o mundo inteiro".

Acordo entre Mercosul e UE promete concentrar bilhões ao agro de MS
Senadores Tereza Cristina e Nelsinho Trad com o vice-presidente Geraldo Alckmin, ao centro (Foto: Cadu Gomes/VPR)

MS entre os Estados com mais a ganhar

Dados oficiais de 2025 mostram que a União Europeia foi o segundo maior destino de exportações de Mato Grosso do Sul, com US$ 1,3 bilhão em produtos vendidos ao bloco e saldo positivo de US$ 812 milhões na balança comercial estadual.

Cerca de 95% desse valor veio do agronegócio. Para Tereza Cristina, o acordo é "um acordo enorme".

O governo do Estado projeta que, com a entrada em vigor do acordo de livre comércio, a balança comercial de Mato Grosso do Sul poderá crescer cerca de 10% nos próximos dois anos, impulsionada não só pelos tradicionais produtos como celulose, soja e carnes, mas também por outras cadeias exportadoras alinhadas com o mercado europeu.

A senadora ressaltou que "somos muito competitivos nesse setor da agropecuária".

Estudo do Instituto FGV Ibre classifica Mato Grosso do Sul entre os chamados estados "onças brasileiras", que possuem perfil de exportação mais voltado ao agronegócio e podem se beneficiar de forma mais pronunciada com a redução de tarifas e maior acesso ao mercado europeu.

Na avaliação da senadora Tereza Cristina, embora alguns mecanismos de salvaguarda e cotas no texto do acordo "tirem um pouco do brilho, do acordo que a gente esperava", ele ainda é positivo para o Brasil e para a agricultura no médio prazo.

A política destacou, em comentário para jornalistas que cobriram o pós-reunião, que negociações internas no Congresso buscam mitigar impactos em segmentos mais sensíveis, como leite e vinhos. Ela explicou que "nós temos que trabalhar para que alguns segmentos não sejam fortemente atingidos, como o leite" e lembrou que o setor lácteo "passa por uma crise interna".

A questão das salvaguardas também tem atraído atenção na Europa: o Parlamento Europeu aprovou recentemente cláusulas adicionais para proteger agricultores locais no bloco, o que pode influenciar fluxos comerciais de produtos sensíveis. Sobre o tema, Alckmin afirmou que "o Senado criou um importante grupo de trabalho para a gente poder aprimorar todas as salvaguardas".

Alckmin e Trad mencionaram que a mensagem do acordo já foi enviada à Câmara dos Deputados e que o processo legislativo envolve tramitação no ParlaSul, na Câmara e posteriormente no Senado. Trad afirmou que, diante do texto já fechado, "o que se tem que fazer diante dessa matéria que está lá no Congresso é votar sim ou votar não. Não dá mais para você emendar".

A criação de um grupo de trabalho com técnicos, consultores e legisladores foi citada como forma de acompanhar e aprimorar as salvaguardas previstas. Segundo Trad, a iniciativa é para "mitigar qualquer situação sensível que possa vir a ter no transcurso dessa implementação" e proporcionar "condições favoráveis para que de uma vez por todas isso possa entrar em vigor".