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Em Pauta

O homem que virou prefeito de CG para não voltar ao RJ

Por Mário Sérgio Lorenzetto | 30/03/2026 06:45
O homem que virou prefeito de CG para não voltar ao RJ

Era 1.942. O Brasil preparava-se para entrar na guerra contra os nazistas. O ministro da Mobilização Econômica, João Alberto de Barros convidou um grupo de estudantes que fazia oposição sistemática ao governo de Getúlio a conhecer o Mato Grosso do Sul. Visava mostrar os feitos governamentais em uma região sempre esquecida. Foi assim que um jovem estudante conheceu estas terras…e dela se enamorou.


O homem que virou prefeito de CG para não voltar ao RJ

Médico da aeronáutica escolhe C.Grande.

Assim que terminou a faculdade, prestou concurso para a Aeronáutica. Passou e tinha de escolher uma cidade para servir por um ano. Escolheu Campo Grande. Chegou em abril de 1.947. A cidade tinha entre 25.000 e 30.000 habitantes. Se resumia a um núcleo central, alguns bairros em torno dos quartéis, outros dois para os lados da saída de São Paulo e ainda mais dois na saída de Cuiabá. Havia cerca de dez médicos civis na cidade e outros dois militares que serviam esporadicamente à população que não usava farda. O jovem foi trabalhar no Hospital do Exército. Eram apenas quatro horas por dia de atendimento. Passou a clinicar a população em todo seu tempo livre.


O homem que virou prefeito de CG para não voltar ao RJ

Candidate-se a vereador ou volte para o Rio de Janeiro.

Wilson Fadul, esse é o nome do jovem médico, tornou-se muito popular em Campo Grande por atender a todos os necessitados. A população necessitada não tinha a quem recorrer em caso de doença. Ao mesmo tempo, criticava todos os governantes, sem distinção partidária. Mas suas críticas foram mal digeridas. Incomodava. Os políticos pediram seu retorno ao Rio de Janeiro. Para não retornar a sua terra natal, procurou o Dr. Arthur D’Avila Filho, presidente do PTB local, pedindo-lhe uma vaga de candidato a vereador. O amigo queria que ele fosse candidato a deputado. Fadul não aceitou. Uma vez eleito, teria de morar em Cuiabá. Campo Grande tinha sete eleitores, 1.700 votaram nele. Foi uma vitória estrondosa. Como o PTB elegeu quatro dos nove vereadores, coube a ele a presidência da Câmara. Assim que tomou posse, abriu mão do cargo para o vice, tamanha sua indiferença com os cargos políticos. Ele só queria ficar em Campo Grande.


O homem que virou prefeito de CG para não voltar ao RJ

A candidatura para prefeito.

Um vereador no mínimo relapso. Mas a politica em Campo Grande iria mudar drasticamente com o assassinato do prefeito Ari Coelho. Fadul continuava atendendo à população carente sem parar, não fazia fortuna, mas criava fama. Como sua esposa teve necessidade de uma cirurgia no Rio de Janeiro, para a capital federal de então, se deslocou por bom tempo. Enquanto isso, os partidos se digladiavam para escolher os candidatos a sucessor de Ari Coelho. Ao retornar a C.Grande, havia mais de mil pessoas no aeroporto esperando por ele. Queriam vê-lo candidato.

 

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