Cansado do matagal, empresário limpa área abandonada na Gunter Hans
Prédio pertence a uma telefonia falida e está fechado há meses, sem qualquer manutenção
O abandono de um prédio desativado na Avenida Gunter Hans, no Jardim Tijuca, tem causado transtornos para moradores e comerciantes da região. Com mato alto tomando conta da calçada, a situação levou o empresário Abadio Furtado, de 36 anos, dono de um box de cross training nas proximidades, a fazer a limpeza do local por conta própria.
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O abandono de um prédio da empresa Oi na Avenida Gunter Hans, em Campo Grande, levou um empresário local a tomar uma atitude inusitada. Abadio Furtado, proprietário de um box de cross training, decidiu limpar por conta própria a área que estava tomada pelo mato alto, prejudicando a segurança de seus alunos. O imóvel, que ocupa quase uma quadra inteira, está sem manutenção há cerca de seis meses, período que coincide com a falência da Oi, decretada em novembro do ano passado. A situação tem gerado transtornos para moradores e comerciantes, com relatos de ocupação por usuários de drogas e problemas de acessibilidade nas calçadas.
Essa história chegou pelo canal Direto das Ruas, nesta quarta-feira (18). O imóvel, que pertence à empresa de telefonia Oi, ocupa quase uma quadra inteira entre as ruas Severino Pinheiro e Buarque de Macedo. Segundo Abadio, o problema se agravou nos últimos meses, após a área deixar de receber qualquer tipo de manutenção.
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“A situação começou a me incomodar a partir do momento em que impactou diretamente na rotina e na segurança dos alunos do meu box”, relata. Ele explica que alguns treinos incluem corrida ao ar livre e que os alunos passaram a usar o trecho tomado pelo mato.
Com a calçada encoberta, muitos acabam desviando para a pista da avenida, aumentando o risco de acidentes. “Os alunos passaram a transitar por essa área com mato alto, sem manutenção, o que já gera desconforto e risco. Alguns desviam do mato e correm na avenida nesse trecho”, afirma.
Além da falta de acessibilidade, o empresário também relata aumento na sensação de insegurança. “O espaço passou a ser ocupado por usuários de drogas, aumentando a sensação de insegurança para quem circula ali. Houve relatos de alunos sobre isso”, diz.
Diante da situação, ele decidiu agir por conta própria. “Como responsável pelos alunos e pelos treinos, percebi o risco e entendi que precisava tomar alguma atitude antes que a situação se agravasse ainda mais”, explica. Sem conseguir identificar responsáveis pelo imóvel, Abadio realizou a roçagem do mato como forma de chamar atenção para o problema.
Segundo ele, o cenário de abandono é recente. “Estou há mais de dois anos e meio na região e, nos dois primeiros anos, o imóvel ainda apresentava movimentação e aparentava estar sendo cuidado. Nos últimos seis meses, a situação mudou completamente”, relata.
O empresário destaca que o problema vai além da academia e afeta toda a vizinhança. “Trata-se de um local e passeio público, que impacta diretamente todo o entorno. Além da poluição visual e da sensação de abandono, moradores da região também já relataram insegurança”, afirma.
A Prefeitura de Campo Grande reforça que a responsabilidade pela manutenção da calçada é do proprietário do imóvel. De acordo com orientação divulgada nas redes sociais do município, cabe ao dono manter o espaço limpo, com mato cortado e livre de obstáculos, garantindo segurança e acessibilidade.
A fiscalização é feita pela Semades (Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Gestão Urbana e Desenvolvimento Econômico, Turístico e Sustentável), que pode notificar e multar o responsável. Após a notificação, o prazo para regularização é de 15 dias. Denúncias podem ser feitas pelo telefone 156 ou pelo aplicativo +CG.
Falência - O prédio em questão pertence a Oi, que decretou falência em novembro do ano passado. Ela chegou ao Estado como Telelems (Telecomunicações de Mato Grosso do Sul S/A). A estatal foi responsável por levar a telefonia ao Estado e, anos depois, dar origem à Brasil Telecom.
Esse processo ocorreu depois que a empresa cumpriu o plano de reestruturação e reconheceu sua própria insolvência. A Oi teve a falência decretada pela 7ª Vara Empresarial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (RJ). A decisão suspende todas as ações contra a companhia, que deve continuar operando temporariamente para não interromper serviços essenciais.
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