Diesel dispara e tem variação de até 21% entre postos da Capital, aponta Procon
Pesquisa mostra oscilação de preços em meio a incertezas externas e intensificação da fiscalização
A pesquisa mais recente de preços de combustíveis realizada pelo Procon Mato Grosso do Sul em Campo Grande aponta um cenário de grande oscilação no diesel, com diferenças relevantes entre postos e altas expressivas na comparação entre fevereiro e março. O levantamento foi feito entre os dias 11 e 13 de março de 2026, em 35 estabelecimentos, analisando cinco tipos de combustíveis, gasolina comum, etanol, diesel S500, diesel S10 e GNV, com coleta de valores para pagamentos à vista, no débito e no crédito.
RESUMO
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O Procon de Mato Grosso do Sul identificou variação de até 21% nos preços do diesel entre postos de combustíveis em Campo Grande. O levantamento, realizado entre 11 e 13 de março de 2026, revelou que o diesel S10 chegou a R$ 7,95 na região central, enquanto o menor valor encontrado foi R$ 6,71. A pesquisa, que analisou cinco tipos de combustíveis em 35 estabelecimentos, também apontou aumentos expressivos na comparação entre fevereiro e março. O diesel S10 registrou alta de até 29,38% no período. Em resposta, o Procon intensificou a fiscalização e já notificou nove estabelecimentos sobre a majoração dos preços.
Na análise por região, o diesel foi o combustível com maior dispersão de preços. Na área central da Capital, o litro do diesel S10 chegou a R$ 7,95 no pagamento com cartão de crédito, enquanto o diesel S500 atingiu R$ 7,90. Nessas mesmas condições, os menores valores encontrados foram de R$ 6,71 para o S10 e R$ 6,52 para o S500, o que resulta em variações de até 21,17% entre estabelecimentos. Esse comportamento indica diferenças relevantes na política de preços adotada pelos postos, mesmo dentro de uma mesma região.
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O levantamento aponta que esse cenário pode estar relacionado a ajustes de mercado diante das incertezas provocadas pela guerra no Oriente Médio, fator que impacta diretamente a cadeia global de combustíveis.
Os dados detalhados da pesquisa mostram que a variação do diesel não se restringe à região central. Em bairros da região Imbirussu, por exemplo, o diesel S10 variou entre R$ 6,49 e R$ 7,39 no pagamento à vista, uma diferença de 17,49%. Já em outras regiões, como Bandeira e Anhanduizinho, também foram observadas oscilações relevantes, ainda que em patamares inferiores aos do Centro.
Além do diesel, outros combustíveis apresentaram variações, embora menos intensas. A gasolina comum teve preços entre R$ 5,95 e R$ 6,69, com maior variação registrada na região do Imbirussu, onde atingiu 10,03% no pagamento com cartão de crédito. Regiões como Prosa e Segredo também apresentaram oscilações, de 8,35% e 6,57%, respectivamente.
O etanol, por sua vez, foi comercializado entre R$ 4,15 e R$ 4,69. As maiores diferenças foram identificadas nas regiões do Segredo, com variação de 9,84%, e do Imbirussu, com 8,19%, considerando pagamento no crédito.
Já o GNV manteve estabilidade nos preços, sem variações relevantes no período analisado.
A análise comparativa entre fevereiro e março reforça a tendência de alta, especialmente no diesel. Na região central de Campo Grande, o diesel S10 apresentou aumento de até 29,38% no período, saindo de R$ 5,99 para R$ 7,75 no pagamento à vista. No crédito, o salto foi de 25,59%, com o preço passando de R$ 6,33 para R$ 7,95.
Outras regiões também registraram elevações expressivas. No Anhanduizinho, o diesel S10 subiu até 25,66%, enquanto na região do Bandeira a alta chegou a 23,15%. O diesel S500 acompanhou essa tendência, com aumentos que chegaram a 28,55% em determinados recortes regionais.
Em contraste, os demais combustíveis tiveram comportamento mais moderado. A gasolina comum registrou variações menores, geralmente abaixo de 6% na comparação mensal, dependendo da região e da forma de pagamento. O etanol apresentou aumento de até 4,66% em regiões como Prosa e Segredo, enquanto o GNV permaneceu com preços estáveis, sem alteração entre os meses analisados.
A variação identificada na pesquisa representa impacto direto no bolso do consumidor. De acordo com os dados do Procon, a diferença entre abastecer pelo menor ou maior preço pode gerar economias significativas. Em alguns casos, ao considerar um abastecimento de 50 litros, a economia pode ultrapassar R$ 60, a depender do combustível e da região.
Monitoramento e ações de fiscalização - Diante do cenário de elevação e dispersão de preços, o Procon Mato Grosso do Sul intensificou o monitoramento dos postos de combustíveis em Campo Grande. Até o momento, nove estabelecimentos já foram notificados com caráter recomendatório e preventivo em relação à majoração dos valores praticados.
O órgão destaca que, apesar da influência de fatores externos e do funcionamento em regime de mercado livre, os empresários devem buscar manter preços dentro de margens razoáveis de lucro, considerando os custos reais da cadeia de combustíveis.
As ações de fiscalização seguem em andamento e incluem a apuração de denúncias feitas por consumidores por meio dos canais oficiais, como o telefone 151 e o site do Procon-MS. As operações podem ocorrer de forma integrada com Procons municipais, agências de metrologia e a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), além do apoio de forças policiais estaduais e federais.
A atuação também está alinhada a uma articulação nacional coordenada pela Senacon (Secretaria Nacional do Consumidor), do Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Verificação de práticas e transparência - Além da coleta de preços, as equipes de fiscalização avaliam outros aspectos nos postos, como a qualidade dos combustíveis, a quantidade efetivamente fornecida pelas bombas e o cumprimento das regras de transparência ao consumidor.
Entre os pontos verificados está a correta divulgação dos preços e dos benefícios tributários concedidos pelo governo federal, como a zeragem das alíquotas de PIS (Programa de Integração Social) e Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social) sobre o diesel.
As ações seguem as diretrizes da Medida Provisória nº 1.340, publicada em 12 de março de 2026, que reforça a atuação dos órgãos de defesa do consumidor na análise de possíveis práticas abusivas e na garantia de informações claras ao público.


