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Esportes

Governo do Estado deve assinar convênio para assumir gestão do Morenão até 2061

A federação de futebol ficará responsável pela manutenção do gramado, dos vestiários e da pista de atletismo

Por Judson Marinho | 18/03/2026 17:15
Governo do Estado deve assinar convênio para assumir gestão do Morenão até 2061
Estádio Pedro Pedrossian, o Morenão (Foto: Osmar Veiga)

O Governo de Mato Grosso do Sul está prestes a firmar um convênio com a UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) para assumir a gestão do Estádio Pedro Pedrossian, o Morenão, até o ano de 2061.

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O Governo de Mato Grosso do Sul está em fase final de negociação para assumir a gestão do Estádio Pedro Pedrossian, o Morenão, até 2061. O convênio com a UFMS prevê um período de 35 anos de administração estadual, com o objetivo de revitalizar o espaço e reverter décadas de abandono. A federação local se comprometeu a cuidar de áreas essenciais, como gramado e vestiários, buscando recursos junto à CBF. Inaugurado em 1971, o Morenão foi um dos principais palcos esportivos do Centro-Oeste, mas enfrentou anos de descaso e falta de investimentos. Ex-jogadores lamentam o abandono do estádio, que já recebeu grandes clássicos e marcou gerações de atletas e torcedores. A expectativa é que a nova gestão promova reformas e devolva ao Morenão seu papel histórico no futebol sul-mato-grossense.

De acordo com o presidente da FFMS (Federação de Futebol do Mato Grosso do Sul), Estevão Petrallas, o convênio deve garantir ao Governo do Estado a gestão do estádio por um período de 35 anos. Ele destaca que a medida pode representar um novo ciclo para o futebol sul-mato-grossense.

Petrallas também afirma que a longa interdição do estádio está ligada, principalmente, à sua localização dentro do campus universitário e às prioridades da universidade. “A grande dificuldade foi essa. A universidade tem outras prioridades que não são diretamente ligadas ao futebol,” explicou.

Além disso, ele reconhece que faltaram alternativas por parte da própria federação ao longo dos anos para viabilizar a utilização do espaço. “A Federação também não oferecia alternativas saudáveis para que os jogos pudessem voltar ao Morenão. Pela história e representatividade do estádio para o nosso futebol, acredito que quem perde muito com a falta de jogos no Morenão é a nova geração de jovens, que não viram os grandes públicos dos anos 80", relatou Estevão.

Segundo o dirigente, há um esforço conjunto entre governo, universidade e entidades esportivas para viabilizar a reabertura. A federação, inclusive, se comprometeu a cuidar de áreas essenciais, como gramado, irrigação, vestiários e pista de atletismo, com possibilidade de buscar recursos junto à CBF (Confederação Brasileira de Futebol).

O acordo de convênio para gestão do estádio, conforme informado pelo governador Eduardo Riedel (PP), está em fase final de negociação e deve ser formalizado ainda neste mês.

Inaugurado em 1971, o Estádio Morenão rapidamente se consolidou como um dos principais palcos esportivos do Centro-Oeste, com capacidade para mais de 40 mil torcedores.

Ao longo das décadas, recebeu partidas históricas, incluindo jogos do Campeonato Brasileiro e confrontos entre grandes clubes do país. O último jogo profissional no local ocorreu em 17 de abril de 2022, na vitória do Operário-MS sobre o Dourados.

Décadas de abandono e críticas à gestão - Ex-jogadores que viveram o auge do estádio apontam que a falta de investimento e de gestão voltada ao futebol foram determinantes para a decadência do Morenão.

O ex-atacante Luís Carlos Pereira de Andrade, o Baianinho, 67 anos, que atuou no Operário entre 1975 e 1981, relembra os tempos de arquibancadas lotadas e grandes clássicos. “O Morenão foi palco de momentos históricos. Era emocionante ver o estádio cheio, principalmente nos ‘Comerários’”, disse.

Governo do Estado deve assinar convênio para assumir gestão do Morenão até 2061
Foto dos anos 80 com ex-jogador Baianinho (primeiro agachado da esquerda para a direita) e o time do Operário no Estádio Morenão (Foto: Arquivo Pessoal)

Para ele, a ausência de comprometimento com o futebol ao longo dos anos contribuiu diretamente para a situação atual. “Houve falta de investimentos e melhorias. O estádio acabou sendo administrado por pessoas sem o devido comprometimento com o futebol,” criticou.

Baianinho também lamenta o abandono do espaço. “É muito triste ver o Morenão assim, sem ser utilizado para o fim que foi construído. O futebol de Mato Grosso do Sul precisa desse palco”, completou.

Já o ex-lateral Paulinho Rezende, campo-grandense de 56 anos, destacou que o estádio marcou gerações de atletas e torcedores. Com passagens nos anos 90 por Comercial, Operário e CENE, ele relembra gols importantes e jogos marcantes no local.

Para ele, a decisão de manter o estádio sob gestão universitária contribuiu para a deterioração. “Se não tivesse ficado com a universidade, estaria melhor cuidado”, avaliou.

Governo do Estado deve assinar convênio para assumir gestão do Morenão até 2061
Paulinho Rezende (segundo em pé, da esquerda para a direita) perfilado junto com o elenco do Comercial de 1993, no Estádio Morenão (Foto: Arquivo Pessoal)

"Ainda nos anos oitenta, quando tinha 12 anos, joguei uma partida preliminar no Morenão, de Operário contra o Cruzeiro, jogo da 3ª rodada da 2ª fase do Campeonato Brasileiro de 1981, eu fiz um gol pela minha equipe neste dia, eu considero essa a melhor memória quê eu tenho do Morenão. Qualquer garoto naquele tempo sonhava em jogar no Morenão", acrescentou Paulinho.

Expectativa de retomada - A possível concessão ao Governo do Estado é vista como uma oportunidade de reverter décadas de abandono e devolver protagonismo ao futebol sul-mato-grossense.

Com a assinatura do convênio, a expectativa é de que o Morenão passe por reformas estruturais e volte a receber competições estaduais e nacionais, resgatando o papel histórico que desempenhou no esporte regional.