Parcelar IPVA salva a curto prazo, mas juros explodem no cartão
Simulações mostram que dívida de R$ 2,2 mil pode virar até R$ 4 mil dependendo da plataforma
Parcelar o IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores) continua sendo a "boia de salvação" de quem não consegue pagar o imposto à vista no começo do ano. O problema é que, em 2026, a conta pode sair ainda mais salgada para quem recorre ao cartão de crédito.
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O parcelamento do IPVA continua sendo uma alternativa para contribuintes que não conseguem pagar o imposto à vista, mesmo com o desconto de 15% oferecido no início de 2026. A Secretaria Estadual de Fazenda disponibiliza parcelamento em cinco vezes via boleto, porém muitos recorrem ao cartão de crédito. Uma simulação realizada com débitos reais demonstrou que uma dívida original de R$ 2.244,02 pode chegar a R$ 4.030,32 quando parcelada em 12 vezes no cartão. As taxas de juros variam significativamente entre as empresas credenciadas, com acréscimos entre 23% e 44% sobre o valor inicial.
Neste ano, o desconto para pagamento à vista foi de apenas 15%, que teve validade até o dia 5 de janeiro e, após reclamações, acabou sendo prorrogado até o dia 8. Quem optou pelo parcelamento direto no site da Sefaz (Secretaria Estadual de Fazenda) teve apenas a opção de 5 parcelas no boleto, com vencimentos entre janeiro e maio.
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Na prática, isso empurrou muitos contribuintes novamente para o parcelamento via cartão de crédito, oferecido por empresas credenciadas ao Detran-MS (Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso do Sul), mesmo com juros elevados.
Para entender o impacto real dessa escolha, nesta segunda-feira (12), o Campo Grande News simulou o parcelamento usando os débitos reais de um contribuinte com IPVA atrasado de 2025 e valores de 2026 ainda não vencidos.

Dívida de R$ 2.244 vira R$ 4 mil - No site da Sefaz, a dívida disponível para pagamento e negociação somava R$ 2.244,02. O valor incluía parcelas de 2025, que variavam de R$ 241,44 a R$ 249,85, e parcelas de 2026, todas de R$ 203,05.
Ao acessar as plataformas de parcelamento no cartão, porém, o valor apresentado saltou para R$ 2.795,01, já incorporando IPVA, licenciamento e taxas administrativas. A partir daí, começou o festival de juros.
Dependendo da empresa escolhida, o total pago em 12 parcelas pode variar de R$ 3.437 a mais de R$ 4.030. Em outras palavras, a dívida cresce entre 23% e 44% em relação ao valor original.
Entre as plataformas que funcionaram e permitiram simulação completa, os valores foram os seguintes:
A B23 Tecnologia e Pagamentos apresentou parcelamento em 12 vezes de R$ 290,09, totalizando R$ 3.481,12. Na Parcelenahora, da Datalink, mostrou parcelas de R$ 296,04 em 12 vezes ou a opção de 24 vezes de R$ 160,72, o que alonga o prazo, mas mantém juros elevados.
No Pagplan indicou 12 parcelas de R$ 286,47, totalizando R$ 3.437,59, uma das menores somas finais encontradas. ZAPay trouxe o parcelamento em 12 vezes, com parcelas de R$ 305,90 e taxa fixa de R$ 9,90, elevando o total para R$ 3.670,79.
A Zignet foi a mais pesada: 12 parcelas de R$ 335,86, somando R$ 4.030,32. Aqui, a dívida praticamente dobra de tamanho em relação ao valor original informado pela Sefaz.
Já a Gringo Pay apresentou parcelas de R$ 312,88 em 12 vezes, com taxa adicional de R$ 39,90, totalizando R$ 3.754,56.
Porém, nem todas as empresas credenciadas permitiram a simulação. Em vários casos, o problema não foi o valor, mas o acesso. Algumas plataformas simplesmente não funcionaram. Outras exigiam cadastro complexo, travavam após a inserção de dados ou não avançavam para a etapa de consulta dos débitos.
Houve também links corrompidos, páginas fora do ar e sites pouco intuitivos. Em alguns casos, o contribuinte sequer conseguiu verificar se a empresa ainda opera com o Detran-MS, já que o Estado não aparecia como opção de pesquisa. Em outros, a página parecia mais voltada à captação de novos clientes do que à quitação de débitos públicos.
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