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Comportamento

Falar sozinho é normal, mas pode ser alerta de devaneio excessivo

Quando a imaginação ultrapassa limites, a fantasia vira fuga da realidade; entenda o que é

Por Natália Olliver | 05/04/2025 05:50
Falar sozinho é normal, mas pode ser alerta de devaneio excessivo
Falar sozinho é comum, mas quando acontece muito tem nome: devaneio excessivo (Foto: Henrique Kawaminami)

Você com certeza já viu, fez ou ficou sabendo de pessoas que falam sozinha no dia a dia. Elas narram as atividades que vão fazer durante as horas de trabalho, ações, falam em voz alta pensamentos ou se questionam e respondem logo em seguida. Isso não é incomum, mas quando extrapola o limite, o hábito tem um nome: devaneio excessivo.

Para explicar melhor o tema e como identificar se é a hora de procurar uma opinião profissional, o Lado B trouxe a psicanalista Jamile Tannous. Chamado de maladaptive daydreaming, o devaneio é um padrão de atividade imaginativa intensa e prolongada que interfere no funcionamento diário da pessoa.

"Não se trata apenas de sonhar acordado, mas de criar narrativas complexas e vívidas que consomem tempo e energia.Muitas vezes, os devaneios são utilizados como uma forma de alívio emocional, ajudando a pessoa a lidar com o estresse, a ansiedade, o tédio ou outras emoções negativas".

Ela ressalta que o sonhar acordado é uma atividade mental normal e saudável, presente em todas as idades, principalmente na infância, quando a imaginação é especialmente fértil, e as crianças frequentemente se envolvem em brincadeiras e fantasias criativas.

O devaneio se torna problemático quando deixa de ser uma fonte de prazer e passa a ser uma fuga da realidade, causando prejuízo funcional e sofrimento emocional”.

De acordo com Jamile, o hábito deve ser levado para análise quando a intensidade dos devaneios é alta, com fantasias extremamente vívidas e detalhadas que envolvem múltiplos personagens, cenários elaborados e enredos complexos.

Ela comenta que esses episódios de devaneio podem durar horas a fio,  e podem ocorrer com muita frequência, quase  diariamente. É quase como uma compulsão.

"A pessoa sente uma necessidade irresistível de devanear, mesmo quando sabe que deveria estar realizando outras atividades. Além disso, ela encontra grande dificuldade em interromper ou controlar esses devaneios".

Essa condição pode causar prejuízos funcionais significativos, interferindo no trabalho, nos estudos, nos relacionamentos e em outras áreas importantes da vida. Durante os devaneios, a pessoa pode apresentar comportamentos repetitivos, como andar de um lado para o outro,  se balançar, sussurrar ou gesticular.

E na Infância?

“Na infância, a imaginação é especialmente fértil, e as crianças frequentemente se envolvem em brincadeiras e fantasias criativas. Elas costumam devanear como parte de suas brincadeiras e para explorar diferentes papeis e possibilidades". No entanto, é importante estar atento aos sinais de que o devaneio está se tornando excessivo.

Jamile explica que nessa fase os detalhes fazem a diferença e que pais precisam observar se a criança passa a maior parte do tempo sozinha, imersa nas fantasias, se ela tem dificuldade em se concentrar nas atividades escolares ou em interagir com outras crianças, se apresenta comportamentos repetitivos durante os devaneios, e se mostra ansiedade ou irritação quando é interrompida.

“O devaneio pode ser visto como uma forma de satisfação substitutiva de desejos inconscientes. Através da fantasia, a pessoa busca realizar desejos reprimidos, lidar com traumas ou encontrar um senso de poder e controle que lhe falta na vida real.  Ele pode indicar uma dificuldade em lidar com a realidade externa e uma tendência a buscar refúgio em um mundo imaginário”.

Em alguns casos, os devaneios excessivos podem estar associados a traumas de infância, negligência emocional ou outras experiências adversas, segundo Jamile.

“Já atendi pacientes que tinham outros diagnósticos concomitantemente com os devaneios excessivos, mas é bem difícil identificar o que vem primeiro”. O diagnóstico confirmado pelo psiquiatra ou psicólogo baseado nos sintomas apresentados e aplicação de testes ou questionários.

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