Agricultura regenerativa de MS é apresentada na Alemanha como modelo sustentável
Modelo estadual une biotecnologia, recuperação de áreas degradadas e captura de carbono no solo produtivo
A agricultura regenerativa desenvolvida em Mato Grosso do Sul foi apresentada na Alemanha como exemplo de modelo produtivo capaz de aliar sustentabilidade e viabilidade econômica. O sistema foi detalhado pelo vice-presidente da Aprosoja/MS, Andre Dobashi, durante encontro internacional promovido pela Bayer.
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A agricultura regenerativa desenvolvida em Mato Grosso do Sul ganhou destaque internacional durante evento promovido pela Bayer na Alemanha. O vice-presidente da Aprosoja/MS, Andre Dobashi, apresentou o modelo brasileiro ao lado de representantes dos Estados Unidos e da União Europeia, demonstrando como a produção local alia sustentabilidade e viabilidade econômica. O sistema sul-mato-grossense baseia-se na transformação de áreas degradadas em sistemas regenerativos produtivos, integrando biotecnologia, manejo técnico e captura de carbono. O modelo inclui práticas como plantio direto na palha, rotação de culturas e manejo integrado, demonstrando que é possível conciliar produção em escala com preservação ambiental.
O evento reuniu três produtores convidados a expor modelos consolidados de produção agrícola: um representante da União Europeia, um dos Estados Unidos e Andre Dobashi, representando a América do Sul. O objetivo foi compreender como diferentes regiões estruturam seus sistemas produtivos diante dos desafios globais, buscando caminhos para conciliar produtividade, gestão e sustentabilidade em larga escala.
Segundo o vice-presidente da Aprosoja de Mato Grosso do Sul, o modelo norte-americano destacou-se pela eficiência operacional, gestão comercial estruturada, agricultura digital e uso consolidado da biotecnologia. Já o europeu apresentou forte organização produtiva, capacidade de coordenação de múltiplos núcleos agrícolas e ênfase na gestão de pessoas.
Ao representar a agricultura tropical brasileira, Dobashi apresentou uma abordagem baseada na transformação de áreas degradadas em sistemas regenerativos altamente produtivos, integrando biotecnologia, manejo técnico e captura de carbono no solo.
O projeto apresentado envolveu a recuperação do solo, a intensificação da pecuária e a posterior conversão para agricultura, com rotação entre lavoura e pecuária. “Eu peguei uma área de pasto degradada, transformei em pasto de alta produção, depois converti para agricultura e comecei a rotação entre lavoura e pecuária”, relatou.
De acordo com ele, o uso da biotecnologia possibilitou maior acúmulo de biomassa, incremento da matéria orgânica e manejo mais preciso do complexo de pragas, doenças e plantas daninhas. “No meu caso, foi um exemplo de agricultura regenerativa tropical fundamentada em biotecnologia e no sequestro de carbono”, afirmou.
Dobashi destacou ainda que o sistema promove a preservação do solo e da água, favorece a biodiversidade e amplia a eficiência no uso de insumos, demonstrando que sustentabilidade ambiental e rentabilidade podem caminhar juntas. “É uma tecnologia que está à disposição do produtor. A biotecnologia promove uso racional de defensivos e sustentabilidade não só ambiental, mas também financeira”, pontuou.
Para o presidente da Aprosoja/MS, Jorge Michelc, a participação de Dobashi no encontro evidencia o protagonismo técnico do produtor sul-mato-grossense no cenário internacional.
Ele ressaltou que práticas hoje associadas ao conceito de agricultura regenerativa já fazem parte do sistema produtivo tropical há décadas, como o plantio direto na palha, a rotação de culturas e o manejo integrado.
“O produtor de Mato Grosso do Sul sempre esteve na vanguarda da adoção de tecnologia. O que hoje o mundo chama de agricultura regenerativa faz parte da nossa realidade há muitos anos, com plantio direto, rotação de culturas e manejo responsável”, afirmou Michelc.
Segundo ele, o reconhecimento internacional reforça o modelo tropical como alternativa concreta diante dos desafios globais. “Produzir em escala, preservar recursos naturais e manter rentabilidade não são objetivos incompatíveis. O produtor brasileiro mostra diariamente que é possível conciliar eficiência produtiva com responsabilidade ambiental”, concluiu.



