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Meio Ambiente

Fogo causado por ação humana é investigado após destruir 20 hectares no Pantanal

Incêndio ocorreu às margens do Rio Miranda em área de preservação ambiental

Por Ângela Kempfer | 10/03/2026 14:28
Fogo causado por ação humana é investigado após destruir 20 hectares no Pantanal
Imagem de área destruída pelo fogo (Foto: Divulgação)

O MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) abriu inquérito civil para investigar um incêndio que destruiu 20,04 hectares de vegetação nativa em Área de Preservação Permanente às margens do Rio Miranda, dentro da Fazenda Cristo Redentor, no município de Miranda, região do Pantanal sul-mato-grossense.

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O Ministério Público de Mato Grosso do Sul investiga incêndio que destruiu 20,04 hectares de vegetação nativa em Área de Preservação Permanente no Pantanal. O fogo, registrado em setembro de 2025 na Fazenda Cristo Redentor, em Miranda, teve origem humana, conforme confirmado por perícia criminal.A investigação, iniciada após detecção pelo Programa Pantanal em Alerta, encontrou vestígios de presença humana no local, incluindo estruturas improvisadas e materiais para acender fogo. A propriedade já estava listada como área prioritária para prevenção de queimadas, e o MPMS busca identificar responsáveis e garantir a reparação do dano ambiental.

O fogo foi registrado entre os dias 11 e 12 de setembro de 2025 e foi detectado inicialmente pelo Programa Pantanal em Alerta, que monitora focos de calor no bioma por meio de imagens de satélite e sensoriamento remoto. Levantamentos feitos pelo Nugeo (Núcleo de Geotecnologias) apontaram o local onde o incêndio começou e mostraram o avanço das chamas dentro da área protegida.

Uma perícia criminal solicitada pelo MPMS confirmou que o incêndio teve origem humana. No local, os peritos encontraram vestígios recentes de presença de pessoas, como estruturas improvisadas, resíduos e latas usadas para acender fogo. Também foram identificados indícios de que a área era frequentada por pescadores.

O laudo descartou causas naturais para o início do incêndio, como raios, combustão espontânea ou explosões. Apesar disso, não foi possível identificar quem iniciou o fogo. A perícia apontou que as chamas começaram perto do ponto indicado pelo sistema de monitoramento e se espalharam rapidamente em direção a um morro próximo, atingindo árvores nativas de médio e grande porte.

Diante dos indícios, a 2ª Promotoria de Justiça de Miranda determinou uma série de medidas para aprofundar a investigação. Entre elas está o envio de ofícios ao Nugeo para identificar o proprietário atual da área registrada no CAR (Cadastro Ambiental Rural) e confirmar se toda a Área de Preservação Permanente foi afetada, além de delimitar com precisão a extensão do dano ambiental.

A Promotoria também comunicou o Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul) para que o caso seja incluído no cadastro ambiental da fazenda, permitindo acompanhamento administrativo. Também foi solicitado ao Cartório de Registro de Imóveis a matrícula atualizada da propriedade. A abertura do procedimento será publicada oficialmente.

Segundo o Programa Pantanal em Alerta, a fazenda onde ocorreu o incêndio já estava em uma lista técnica de áreas consideradas prioritárias para prevenção de queimadas em 2025. O imóvel também aparecia na relação do Imasul de propriedades elegíveis para queima prescrita, técnica usada para reduzir o material que pode alimentar incêndios.

O MPMS informou que seguirá reunindo documentos, laudos e informações técnicas para avaliar possíveis medidas administrativas e judiciais. A investigação também busca identificar responsabilidades e garantir a reparação do dano ambiental causado no Pantanal.