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Na Íntegra

Campo Grande encantou quem veio discutir meio ambiente, conta chefe da COP15

A conferência da ONU reuniu 2,4 mil participantes de 74 países para debater proteção a espécies

Por Maristela Brunetto | 30/03/2026 12:12


RESUMO

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Campo Grande sediou a Cop15, que reuniu 2,4 mil representantes de 74 países e da União Europeia para discutir a proteção de espécies migratórias. João Paulo Capobianco destacou o legado do evento para o Pantanal, o acolhimento da população e a inclusão de 40 novas espécies na convenção, entre elas pintado, ariranha e caboclinho do Pantanal. Ele também defendeu ações contra incêndios e rejeitou mudanças no leito do Rio Paraguai para ampliar a navegação.

Na semana passada, Campo Grande se tornou uma zona internacional, recebendo 2,4 mil representantes de 74 países e da União Europeia para debater a proteção à fauna durante a COP15, a Conferência sobre a Conservação de Espécies Migratórias de Animais Silvestres. O presidente do evento, o secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, conversou com o podcast Na Íntegra para falar sobre a qualidade dos debates durante o evento e o legado que o encontro deixa para o Estado e o que os cientistas levam dos dias em Campo Grande. Capobianco descreveu um contexto de encantamento com a cidade, a proximidade com o Pantanal, a interação com a natureza e as experiências que os visitantes tiveram. A escolha da região do Pantanal e a capital para o evento não foi gratuita. O governo brasileiro tinha objetivos claros.

Nós tínhamos a intenção de fazer um gesto afirmativo: primeiro um bioma ainda pouco conhecido, mas de extrema importância; de uma riqueza incrível. Outro objetivo era mostrar que o Brasil tem uma capacidade de infraestrutura e receptividade da população fora dos grandes centros conhecidos.”

O responsável do Brasil no evento disse que ouviu muitos relatos de pesquisadores impactados com a experiência, como um cientista indiano, autoridade em espécies migratórias na IUCN (União Internacional para Conservação da Natureza), especialista em tigres e que conheceu as onças pintadas, contando que ficou muito impactado e maravilhado.

Capobianco fez questão de elogiar o Estado e a Prefeitura nos esforços para ajudar a concretizar o encontro, que teve eventos em vários locais, como o Bosque dos Ipês, o Parque das Nações Indígenas e a UFMS. Ele estendeu o reconhecimento à população, que deu exemplo de “receptividade, colaboração, desprendimento e acolhimento”, dizendo que a edição realizada em Campo Grande vai ficar nos anais do evento.



Embora Capobianco tenha falado muito na entrevista (que pode ser assistida na íntegra) sobre os temas debatidos e os resultados esperados a partir dos documentos definidos na Cop15, o Campo Grande News aproveitou para abordar a proteção ao Pantanal. Um dos temas citados pelo secretário foi a integração de esforços entre a União e o Estado para combater incêndios florestais, ação que vai se repetir este ano, já com algumas áreas definidas como prioritárias, em especial porque ocorrerá novamente o fenômeno El Niño. Há reuniões com especialistas climáticos de forma contínua para definir as estratégias e há preocupação com o envolvimento da comunidade em ações preventivas.



El niño está chegando e pode ser rigoroso esse ano. Vamos trabalhar todos para evitar novos incêndios nesse Bioma tão fenomenal”

 Outro tema que desperta preocupação em relação ao Bioma é a exploração da navegação no Rio Paraguai de forma mais intensa através da concessão da hidrovia para uma empresa privada, que pode ocorrer ainda este ano. Capobianco argumenta que o rio já é navegável e o que é necessário é adequar a navegação às condições do rio, para não haver risco de dano ambiental, impedindo alterações.

“Não se trata de alterar o rio para aumentar a navegabilidade. Se trata de respeitar o curso natural do rio, com dragagem de manutenção sem interferência no leito do rio.”

Capobianco aponta que essa é a perspectiva da União, sem admitir alterações no leito, com aprofundamento da calha ou derrocamento, “o que é muito grave e impactaria no sistema de cheias e vazantes, que é o que cria toda essa diversidade fenomenal, paisagística e biológica desse bioma."

Legado da COP15- Neste domingo, houve o último evento da COP15, com a produção dos documentos sobre o evento, e foram incluídas mais 40 espécies no universo de 1,2 mil a serem protegidas pelos estados que participam da convenção. No novo grupo, 3 do Estado foram incluídas: o pintado, a ariranha e a ave caboclinho do Pantanal.

Animais vivem vida sofrida, com dificuldades e isso pode mudar com a cooperação entre as nações."

Durante a COP15, afirmou-se que os bichos não reconhecem fronteiras e é preciso um esforço coordenado e multilateral para proteger os corredores que permitem a migração, para reprodução e sobrevivência das espécies. O presidente do evento apontou que tudo foi debatido respeitando a ciência e com a parceria da sociedade e que os estudos apontam uma complementariedade entre o conhecimento científico e o tradicional, dos povos originários.

Todo mundo levou um pedaço de Campo Grande, de Mato Grosso do Sul, do Pantanal consigo.”