O mito da coluna frágil e o medo do movimento
Muitas pessoas convivem com a ideia de que a coluna é frágil, quase como se fosse feita de vidro.
Que qualquer movimento errado pode “quebrar tudo”.
Mas essa crença não corresponde à realidade do corpo humano.
Se a sua coluna fosse realmente frágil, você não conseguiria nem se virar na cama.
A rotação do corpo é um movimento extremamente complexo.
Ela exige coordenação, força e sincronia dos músculos profundos que estabilizam a coluna.
- Leia Também
- O mito da postura perfeita e o tempo de reabilitar
- Atendimento: o melhor é aquele de forma personalizada
Quando existe uma alteração realmente grave, o corpo responde travando.
O movimento fica limitado, difícil ou até impossível.
O paciente sente claramente que algo não permite rolar, girar ou mudar de posição.
Se você consegue se movimentar — mesmo com dor — isso é um sinal importante de capacidade, não de fragilidade.
A coluna é uma das estruturas mais resistentes do nosso corpo.
Ela foi feita para:
– dobrar
– girar
– carregar peso
– se adaptar a diferentes posições
O problema começa quando o medo entra em cena.
Medo de se mexer gera menos movimento.
Menos movimento gera mais rigidez.
Mais rigidez aumenta a sensibilidade.
E a dor se intensifica.
Não é o movimento que machuca.
É a falta de adaptação ao movimento.
Evitar tudo, proteger demais, se vigiar o tempo inteiro…
muitas vezes é mais prejudicial do que aprender a se movimentar com cuidado e progressão.
Reabilitar não é “parar o corpo”.
É devolver confiança.
É permitir que, mesmo com dor, você se mova com atenção, calma e segurança.
Sem a sensação constante de que vai se machucar a qualquer instante.
Nossa dica de hoje é: observe se você não tem protegido demais a sua coluna no dia a dia.
Pergunte-se se esse excesso de cuidado não está, na verdade, alimentando o medo e a rigidez.
E você? Como tem sido sua relação com o movimento?
Você confia no seu corpo ou vive tentando se proteger dele?
Talvez o próximo passo seja justamente construir mais segurança, mais confiança e mais liberdade para cuidar da sua coluna — com consciência, não com medo.
Até a próxima.
(*) Dra. Thais Cristina Leite – fisioterapeuta, formada em 2004 pela UCDB (Universidade Católica Dom Bosco), com 20 anos de prática clínica. Especialista em Gestão em Saúde/Educação Especial e Inclusiva. Formação em terapia manual, liberação miofascial, mobilização neural, ventosaterapia, terapia floral, método ProCURE, formação em análise corporal e outras técnicas integrativas e complementares em saúde. Siga nas redes sociais: @dra.thaiscristinaleite.

