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Capital

Após 15 anos, condenado por morte de segurança na Valley começa a cumprir pena

Christiano foi sentenciado em 2021, mas entrou com recursos até esgotar tentativas e caso transitar em julgado

Por Dayene Paz | 16/01/2026 12:55
Após 15 anos, condenado por morte de segurança na Valley começa a cumprir pena
Brunão era segurança de casa noturna em Campo Grande. (Foto: Arquivo | Campo Grande News)

Cristhiano Luna de Almeida, que matou o segurança Jefferson Bruno Escobar, o Brunão, após confusão na boate Valley, em Campo Grande, no ano de 2011, teve o mandado de prisão cumprido nesta sexta-feira, 16 de janeiro. Ele recorria da sentença que o condenou a 10 anos de prisão em regime fechado - decisão de dezembro de 2021 - mas o caso transitou em julgado, ou seja, sem mais chance de recursos.

RESUMO

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Após 15 anos do crime, Cristhiano Luna de Almeida foi preso para cumprir pena de 10 anos em regime fechado pela morte do segurança Jefferson Bruno Escobar, conhecido como Brunão. O crime ocorreu em 2011, na boate Valley, em Campo Grande, quando a vítima foi golpeada ao tentar retirar o agressor do estabelecimento. O caso passou por diversos recursos judiciais, com sentenças que variaram de 17 anos a 10 anos de prisão. Cristhiano, que era bacharel em Direito e assessor do Tribunal de Contas, mudou de profissão após o incidente, tornando-se chef de cozinha. Considerando o período já cumprido em prisão preventiva, restam oito anos e seis meses de pena.

Como já havia permanecido preso por cerca de um ano e alguns meses ao longo do processo, restam oito anos e seis meses a serem cumpridos. Até então, ele respondia em liberdade enquanto aguardava o julgamento do último recurso apresentado pela defesa, que não teve êxito.

Com o fim das possibilidades de recurso, a Justiça expediu o mandado de prisão nesta quinta-feira (15), que foi cumprido hoje. Segundo o advogado de defesa, José Belga Trad, Cristhiano se apresentou espontaneamente para cumprimento da pena. “Ele se apresentou e nós vamos fazer os requerimentos cabíveis na defesa dos seus direitos nos autos do processo”, afirmou o advogado.

Após 15 anos, condenado por morte de segurança na Valley começa a cumprir pena
Cristhiano durante julgamento em 2021. (Foto: Arquivo | Campo Grande News)

Para a família da vítima, a prisão representa o encerramento de um longo ciclo de espera. Mãe de Brunão, Edcelma Gomes Vieira, disse sentir alívio com a decisão judicial. “Nada vai trazer meu filho de volta, mas pelo menos a gente vê que não ficou impune, que ele foi julgado. Entrou com recurso, só foi protelando, protelando, e agora graças a Deus saiu essa decisão e ele voltou a ser preso. Não vou ter meu filho de volta, mas pelo menos dá aquele alívio de saber que ele está pagando, que vai começar a pagar de novo”, desabafou.

Sempre à frente do caso pela família e pedindo justiça, a prima de Brunão, Mayara Hortência Cardoso Gonçalves, comentou sobre a prisão. "Acredito em Deus, que ele me guiou por muito tempo. A Justiça é penosa, as vezes acreditamos que nada vai acontecer, mas no tempo que as coisas precisam acontecer, elas acontecem. São 15 anos, muita coisa mudou, eu casei, tive duas filhas, ele tinha minha idade e a gente nunca vai saber como seria o futuro dele. Para a minha família é um grande alívio saber que toda nossa luta não foi em vão", declarou.

O caso - O crime se tornou emblemático em Mato Grosso do Sul. Jefferson Escobar, conhecido como Brunão, era segurança da casa noturna Valley, localizada na Avenida Afonso Pena, em Campo Grande. Ele tinha 29 anos quando morreu, na madrugada de 19 de março de 2011.

Segundo o processo, o crime ocorreu quando Brunão retirava Cristhiano do estabelecimento por importunar um garçom. A discussão evoluiu para agressão física e a vítima acabou sendo golpeada com um soco. Por causa da pancada, os pulmões encheram de sangue e sem a drenagem, os órgãos não funcionaram e por isso ele não conseguiu mais respirar.

Luna, à época, disse que não tinha intenção de matar e apenas se defendeu. Ele praticava jiu-jitsu, mas afirma não ter aplicado nenhum golpe no momento da confusão.

A primeira condenação de Cristhiano só ocorreu em 29 de novembro de 2017, seis anos após o crime. Na ocasião, ele foi sentenciado a 17 anos e seis meses de prisão, em regime fechado, por homicídio duplamente qualificado - por motivo torpe e sem chance de defesa para a vítima. A defesa recorreu da decisão e conseguiu reduzir a pena para 14 anos, 11 meses e cinco dias.

Em um novo recurso, alegou irregularidades no processo e obteve a anulação do julgamento. Em 2021, um novo júri foi realizado e impôs a condenação definitiva de 10 anos de prisão em regime fechado, que agora começa a ser cumprida após mais de uma década do crime.

Cristhiano já tinha histórico de agressão antes da morte de Brunão. Segundo a outra vítima, Rafael Mecchi, enquanto chamava um conhecido perto de uma confusão no Parque de Exposições, acabou agredido por seis rapazes, um deles era Cristhiano. O grupo deu chutes e socos, quando Rafael já estava no chão. O caso aconteceu em 2009.

Virada - Após o crime, Cristhiano trocou o Direito pela gastronomia. Ele se tornou chef de cozinha. Em 2015, durante entrevista ao Campo Grande News, disse que trabalhava na assessoria do Tribunal de Contas do Estado quando o crime ocorreu e transformou tudo. "Fiz um curso de cozinha básica no Senac, com uma semana fui trabalhar num hotel. Comecei lavando prato e limpando as câmaras frias e na folga de um ou outro cozinheiro, eu cozinhava", lembra.

Após 15 anos, condenado por morte de segurança na Valley começa a cumprir pena
Cristhiano mostrando produção durante entrevista ao Campo Grande News. (Foto: Arquivo | Campo Grande News)

O Habeas Corpus que lhe garantiu sair da prisão após o assassinato, impôs restrições. A cozinha então virou um hobby, além de trabalho remunerado. "Por isso eu trabalho 14h feliz, é uma forma que eu encontrei. Uma válvula de escape, uma coisa que me ajudou muito foi a minha comunidade", disse na época à reportagem.

Cristhiano admitiu que "bebia muito e saía muito". Para ele, o caso de 2011, com exceção da morte, foi um alerta de Deus. "Eu não tive intenção nenhuma de matar e nem de brigar. Hoje entendo que tinha que acontecer, não a tragédia. Mas agradeço, Deus me tornou uma pessoa bem melhor".

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