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Lado Rural

Bioinseticida da Embrapa supera 85% de eficácia contra a lagarta-do-cartucho

Solução sustentável promete reduzir prejuízos em lavouras de milho, soja e algodão

Por José Cândido | 16/01/2026 14:40
Bioinseticida da Embrapa supera 85% de eficácia contra a lagarta-do-cartucho
A lagarta-do-cartucho é uma das piores pragas agrícolas e atinge mais de 200 culturas de importância socioeconômica. Foto: Marina Pessoa (Foto: Marina Pessoa).

Em um dos avancos mais promissores do agronegócio brasileiro em anos recentes, pesquisadores anunciaram que um novo bioinseticida mostrou eficácia superior a 85% no controle da lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda), uma das pragas mais temidas pelos produtores rurais do país.

RESUMO

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Pesquisadores desenvolveram um novo bioinseticida com eficácia superior a 85% no controle da lagarta-do-cartucho, praga que ataca cerca de 200 culturas diferentes no Brasil. O produto, chamado Virumix, foi criado em parceria entre Embrapa, Instituto Mato-Grossense do Algodão e Comdeagro.O bioinseticida, à base do vírus SfMNPV, age especificamente na lagarta sem prejudicar outros organismos. Uma biofábrica será inaugurada em Sorriso (MT) em abril de 2025 para produção em larga escala, oferecendo uma alternativa sustentável aos defensivos químicos tradicionais.

A lagarta-do-cartucho é responsável por prejuízos elevados no Brasil porque ataca cerca de 200 culturas diferentes, incluindo milho, algodão, soja, arroz e pastagens — impactando diretamente a renda no campo e a segurança alimentar.

O novo produto, chamado Virumix, foi desenvolvido em uma parceria público-privada entre a Embrapa Milho e Sorgo (Unidade de Sete Lagoas/MG), o Instituto Mato-Grossense do Algodão (IMAmt) e a Cooperativa Mista de Desenvolvimento do Agronegócio (Comdeagro).

Como funciona a tecnologia que pode ser multiplicadora de safra

Diferente dos defensivos químicos tradicionais, o Virumix é um bioinseticida à base de um vírus entomopatogênico — o Spodoptera multiple nucleopolyhedrovirus (SfMNPV) — que age especificamente na lagarta-do-cartucho, sem prejudicar plantas, animais ou seres humanos.

Essa especificidade é um dos principais trunfos da tecnologia: preserva inimigos naturais das culturas, contribui para o equilíbrio do agroecossistema e pode ser integrada a estratégias de Manejo Integrado de Pragas (MIP), usadas em sistemas convencionais e na agricultura orgânica.

O diretor-executivo do IMAmt e da Comdeagro, Álvaro Salles, destaca que a solução responde a um “problema crônico” no campo: **o aumento da incidência da lagarta mesmo em áreas com plantas transgênicas e a necessidade de múltiplas aplicações de químicos tradicionais, que elevam custos de produção e pressionam o meio ambiente”.

Biofábrica, lançamento e potencial de mercado

O produto já está em fase de lançamento comercial. No dia 3 de abril de 2025, foi inaugurada em Sorriso (MT) uma biofábrica dedicada à produção em larga escala do Virumix, na unidade da Comdeagro — um passo importante para ampliar o acesso dos agricultores à tecnologia.

A formulação em pó molhável facilita o armazenamento e o transporte, e o produto poderá ser utilizado por agricultores de todos os portes — desde pequenos produtores familiares até grandes empresas agrícolas.

Aplicação e manejo: precisão faz a diferença

Segundo pesquisadores, a eficácia do bioinseticida está diretamente ligada ao momento da aplicação. O técnico da Embrapa, Fernando Hercos Valicente, orienta que os produtores monitorem suas lavouras semanalmente e apliquem o produto logo nos estágios iniciais de ataque da praga — preferencialmente quando as lagartas ainda têm menos de 1 cm de comprimento.

Ele também recomenda que a aplicação seja feita em horários de temperatura mais amena — no início da manhã ou à tarde — para maximizar a eficácia do vírus e evitar degradação da formulação no calor excessivo.

Qual é o impacto para o agro brasileiro?

A introdução do Virumix representa um passo concreto na direção de uma agricultura mais sustentável, segura e econômica, especialmente para culturas como milho e algodão, tradicionalmente muito afetadas pelas lagartas.

Com a crescente demanda por soluções que reduzam a dependência de químicos e preservem a biodiversidade do campo, o bioinseticida pode ser uma ferramenta valiosa — especialmente em regiões onde a lagarta-do-cartucho já mostrou resistência a métodos convencionais de controle.