Guardas são demitidos por espancamento e tentativa de homicídio
Jackson Alves Ramão e Renne Mendes foram desligados após casos de violência registrados no ano passado
RESUMO
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Dois guardas civis metropolitanos de Campo Grande foram demitidos após episódios de violência em 2023. Jackson Alves Ramão foi desligado por agredir brutalmente um jovem de 27 anos no bairro Morada Verde, mesmo após a vítima estar dominada. O caso foi registrado em vídeo. Renne Mendes, inspetor da GCM, foi demitido por tentativa de homicídio contra um jovem de 21 anos no bairro Aero Rancho. Após uma discussão, ele teria efetuado disparos de arma de fogo. A Prefeitura considerou as condutas incompatíveis com o exercício da função pública na área de segurança.
Jackson Alves Ramão e Renne Mendes, guardas civis metropolitanos de Campo Grande, foram demitidos do serviço público municipal. As decisões foram publicadas nesta segunda-feira (9) no Diário Oficial e resultam da conclusão de processos administrativos disciplinares instaurados após episódios graves de violência registrados no ano passado.
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Jackson Alves Ramão, que ocupava o cargo de guarda da classe especial da GCM (Guarda Civil Metropolitana), foi demitido por agressão contra um jovem de 27 anos, ocorrida no dia 4 de junho do ano passado, no bairro Morada Verde.
A agressão foi registrada em vídeo, que mostra a vítima já dominada e, mesmo assim, sendo brutalmente espancada por guardas municipais. O jovem havia sido amarrado por moradores antes da chegada da equipe.
Vídeo enviado ao Campo Grande News mostra o jovem sendo espancado por Jackson e outros guardas. Já imobilizado no chão, o rapaz de traços indígenas é ofendido, sufocado e arrastado por metros entre vegetação rasteira e o asfalto. As cenas são fortes.
O homem identificado apenas como “Buguinho” está caído, com os punhos amarrados, enquanto um dos guardas pisa em seu rosto, coloca o joelho no pescoço, dá tapas violentos e chutes na cabeça.
Durante a agressão, outro agente comenta: “Ele é bocudo”. O jovem tenta se defender dizendo: “Eu não fiz nada” e pede socorro. Mas os agentes de segurança continuam ofendendo o rapaz, chamando de "filho da p..." e outros xingamentos. Após alguns minutos, um dos guardas o arrasta pela corda e o joga dentro da viatura.
Na época, a Sesdes (Secretaria Especial de Segurança e Defesa Social) confirmou o afastamento imediato dos dois servidores envolvidos, com recolhimento das armas e abertura de processo administrativo disciplinar. A medida foi oficializada no Diário Oficial de 9 de julho do ano passado. Com a conclusão do processo, Jackson foi definitivamente desligado do cargo.
Tentativa de homicídio - Já Renne Mendes, inspetor da GCM, foi demitido por um caso ocorrido em junho do ano passado, no bairro Aero Rancho, na região sul de Campo Grande.
Segundo a denúncia, ele teria tentado matar um jovem de 21 anos, efetuando disparos de arma de fogo após uma discussão em frente à casa da família da vítima. A denúncia foi registrada pela mãe do jovem no dia 25 de agosto do ano passado.
A mãe do rapaz contou na época que o guarda estava bebendo em uma conveniência que funciona em anexo à sua residência. Ao sair do local, teria fechado o portão da família e iniciado a confusão. “Meu filho só não morreu porque foi livramento de Deus. Se não fosse isso, eu já teria enterrado meu filho há mais de um mês. Isso é impunidade, é injustiça. Esse homem não está preparado para estar nas ruas”, desabafou.
Nos dois casos, a Prefeitura de Campo Grande concluiu que as condutas são incompatíveis com o exercício da função pública na área de segurança. A punição aplicada foi a demissão, a penalidade mais grave prevista no regime disciplinar dos servidores municipais.
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