Moradores de Terenos testemunham 5ª operação do Gaeco entre descrédito e lamento
O município a 31 km da Capital coleciona escândalos envolvendo dinheiro público
Testemunhas de cinco operações em dois anos, sendo a última nesta terça-feira (dia 10), moradores de Terenos, a 31 km de Campo Grande, lamentam a situação do município, que coleciona escândalos envolvendo dinheiro público.
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Moradores de Terenos, município a 31 km de Campo Grande (MS), expressam descrença e lamentação diante da quinta operação do Gaeco na cidade em dois anos. A mais recente, denominada Cartas Marcadas, investiga esquema de corrupção envolvendo empresário local e as prefeituras de Corguinho e Rio Negro. A cidade de 18.182 habitantes acumula investigações sobre desvios de recursos públicos, incluindo a operação Spotless, que afastou o prefeito Henrique Budke (PSDB) após seu patrimônio aumentar de R$ 776 mil para R$ 2,46 milhões, valor incompatível com sua renda oficial. Moradores relatam que os escândalos impactam negativamente o comércio e o desenvolvimento local.
A empresária Ilza Alves, de 57 anos, relata descrença de que as sucessivas investigações consigam dar fim à corrupção. “Mas a gente sabe que não vai ter resultado. Eu falo por mim. Estou descrente, não acredito. Porque isso é um sistema. Não depende só do Gaeco [Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado]. Infelizmente, isso é o Brasil. É chato, muito chato".
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Para Ilza, o clima negativo desanima a cidade. “Os eventos não saem, o comércio não vende, tudo fica parado, tudo vai de mal a pior. Mas, ao mesmo tempo, eu não acredito que vai dar em alguma coisa. Eu já sou uma pessoa descrente”.
Maurício dos Reis, de 85 anos, conta que mora na cidade há 66 anos e rememora que quando foi vereador chegou a exercer o cargo sem remuneração.
Eu era vereador de 1976 a 1982. Fiquei seis anos, não ganhava nada. Aí, depois, passou a ganhar um salário de 17 cruzeiros. Naquele tempo, o prefeito era bom, mas não vinha muito dinheiro. Hoje, vem dinheiro e não investem”, diz Maurício.
Ele avalia que roubalheira não chega a ser novidade. “Agora é que ficou escancarado”, afirma.
Laureano Coronel, de 34 anos, também se mostra descrente com a eficácia das operações autorizadas pela Justiça. “Os que foram presos já estão tudo soltos e eles vêm sempre aqui. Capaz que vocês vão trombar com um deles”.
A comerciante Glauciele da Silva, de 30 anos, se mostra com mais esperançosa. “Por um lado, é bom. Acabar a gente sabe que não acaba, mas deixa alerta para a população”.
Servidora pública de 49 anos, que não quis se identificar, lamenta a situação de Terenos. “Eu acho que é negativo pra cidade, deixa todo mundo apreensivo, deixa todo mundo triste”.
Com 18.182 habitantes, o município vizinho à Capital se tornou um “celeiro” de operações, com cinco ações nos últimos dois anos.
Nesta terça-feira, o Gaeco e o Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção) deflagram a operação Cartas Marcadas, que investiga empresário de Terenos num esquema de corrupção nas prefeituras de Corguinho e Rio Negro.
Em 21 de janeiro de 2026, na Collusion e Simulatum, o Gaeco investigou organização criminosa voltada à prática de crimes contra a administração pública, em especial fraudes às licitações e contratos públicos, bem como crimes correlatos ligados a materiais e serviços gráficos firmados com o município de Terenos e com a Câmara Municipal da cidade.

No ano passado, o prefeito Henrique Budke (PSDB) foi alvo de investigação e se afastou do comando do Poder Executivo. A operação Spotless mostrou que o patrimônio de Budke passou de R$ 776 mil para R$ 2,46 milhões, aumento incompatível com sua renda oficial. Um dos caminhos para a propina era a reforma de escolas, como o colégio Rosa Idalina Braga Barboza, em 2021, num contrato de R$ 1,12 milhão. Em 2024, a operação Velatus investigou fraudes milionárias no município.
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