ACOMPANHE-NOS     Campo Grande News no Facebook Campo Grande News no X Campo Grande News no Instagram Campo Grande News no TikTok Campo Grande News no Youtube
MARÇO, SEXTA  20    CAMPO GRANDE 24º

Capital

Justiça manda recalcular área de condomínio em disputa há mais de 20 anos

Decisão manda refazer a indenização e pode mudar o valor final do local disputado desde os anos 2000

Por Kamila Alcântara | 20/03/2026 17:19
Justiça manda recalcular área de condomínio em disputa há mais de 20 anos
Área em disputa no processo (Imagem: Reprodução)

A disputa judicial por uma área usada na implantação do Parque Sóter, em Campo Grande, ganhou novo desdobramento com decisão publicada no Diário da Justiça desta sexta-feira (20). O juiz Marcelo Andrade Campos Silva, da 4ª Vara de Fazenda Pública e de Registros Públicos da comarca de Campo Grande, determinou que o valor da indenização cobrada no processo seja recalculado seguindo regras mais recentes definidas pela Constituição, o que pode alterar de forma significativa a quantia final.

RESUMO

Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!

A Justiça determinou novo cálculo de indenização referente a uma área de 13,5 mil metros quadrados do Parque Sóter, em Campo Grande. A disputa judicial, que se arrasta desde 2011, envolve herdeiros da família Haddad e a Prefeitura Municipal, que teria ocupado área maior que a oficialmente desapropriada nos anos 2000. O terreno em litígio atualmente abriga o condomínio Vitalitá, com imóveis avaliados a partir de R$ 490 mil. A nova decisão estabelece três etapas de atualização dos valores, considerando diferentes índices econômicos, alterando significativamente o montante inicial de R$ 150 mil pago pela prefeitura à época da desapropriação.

Na prática, a decisão não fixa quanto o município deve pagar, mas muda o jeito de fazer a conta. O magistrado estabeleceu que os valores devem ser atualizados em três etapas: até dezembro de 2021, com aplicação de índice de inflação e juros compensatórios; entre dezembro de 2021 e setembro de 2025, apenas pela taxa Selic; e, a partir daí, com correção pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) e juros de 2% ao ano, sem incidência de juros compensatórios. A medida obriga as partes a refazerem os cálculos antes de qualquer definição sobre o valor final.

O caso envolve herdeiros da família Haddad e a Prefeitura de Campo Grande, em uma ação que tramita desde 2011. Os descendentes cobram judicialmente o valor de R$ 63.452.828,41, sob o argumento de que a administração municipal ocupou uma área maior do que a oficialmente desapropriada no início dos anos 2000 e que a indenização paga à época foi inferior ao valor real do terreno.

Os engenheiros Jorge Haddad e David Haddad Neto, que figuram entre os autores da ação, morreram em 2018 e 2019, respectivamente. Ambos tiveram atuação relevante no setor da construção civil em Campo Grande, sendo responsáveis por obras como o prédio da Câmara Municipal, a UCDB (Universidade Católica Dom Bosco) e o Parque Jacques da Luz.

Justiça manda recalcular área de condomínio em disputa há mais de 20 anos
Imagem da área atualmente feita por satélite (Foto: Google Maps)

Segundo os autos, a discussão gira em torno de cerca de 13,5 mil metros quadrados que teriam sido incorporados ao projeto do parque sem compensação adequada. À época, o pagamento feito pelo município foi de aproximadamente R$ 150 mil, mas a disputa evoluiu para valores milionários, considerando a diferença de área e a valorização imobiliária ao longo dos anos.

A área em disputa não corresponde a um único terreno, mas a um conjunto de glebas e lotes desmembrados ao longo do tempo, ligados à implantação do Parque Sóter. Parte dessas áreas foi desapropriada formalmente, enquanto outra parte, segundo os autores, teria sido ocupada além do previsto, o que sustenta a ação de indenização.

Hoje, uma parcela desse conjunto de áreas integra uma das regiões mais valorizadas da cidade. No entorno da Avenida Nelly Martins e da Rua Ismael Silva, ao lado do parque, está instalado o condomínio Vitalitá, com imóveis anunciados a partir de R$ 490 mil e aluguéis na faixa de R$ 3,9 mil. O empreendimento, no entanto, ocupa apenas parte da área envolvida na disputa judicial.

A prefeitura contesta as alegações e sustenta que o procedimento seguiu critérios técnicos e administrativos da época. Com a nova decisão, o processo entra em mais uma etapa técnica, agora focada na revisão dos cálculos, em um caso que atravessa mais de duas décadas entre ocupação, valorização imobiliária e questionamentos sobre o valor pago pela área.

Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para acessar o canal do Campo Grande News e siga nossas redes sociais.